O que é a Boeing
A Boeing é uma fabricante norte-americana de aviões comerciais, aeronaves militares, sistemas de defesa e equipamentos espaciais. A empresa se organiza em três divisões: Boeing Commercial Airplanes (aviação comercial), Boeing Defense, Space & Security (defesa, espaço e segurança) e Boeing Global Services (serviços). Em 2025, teve receita de US$ 89,5 bilhões e cerca de 182 mil funcionários.
Entre as famílias de aviões comerciais da empresa estão o 737, o 767, o 777, o 777X e o 787 Dreamliner. O presidente-executivo é Kelly Ortberg, anunciado para o cargo em julho de 2024.
Onde fica a sede da Boeing
A sede global da Boeing fica em Arlington, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. A empresa nasceu em Seattle, transferiu a sede para Chicago em 2001 e anunciou em maio de 2022 a mudança para Arlington, perto de Washington.
História
A empresa foi fundada em 15 de julho de 1916 pelo industrial madeireiro William E. Boeing, em Seattle, com o nome de Pacific Aero Products Company. Em 1º de agosto de 1997, concluiu a fusão com a McDonnell Douglas, até então sua principal concorrente doméstica na aviação comercial e fabricante relevante de aviões militares.
Crise do 737 MAX
Dois acidentes com o modelo 737 MAX mataram 346 pessoas: o voo 610 da Lion Air, em 29 de outubro de 2018, com 189 mortos, e o voo 302 da Ethiopian Airlines, em 10 de março de 2019, com 157 mortos. As investigações ligaram as quedas a uma falha do sistema de controle de voo MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System).
A FAA, agência de aviação civil dos Estados Unidos, proibiu os voos do modelo em 13 de março de 2019, e 387 aviões ficaram parados no mundo. O 737 MAX foi liberado para voltar a operar em 18 de novembro de 2020. Em 2021, a Boeing fechou acordo com o Departamento de Justiça norte-americano e pagou mais de US$ 2,5 bilhões, incluindo US$ 243,6 milhões de multa criminal, US$ 1,77 bilhão em indenizações a companhias aéreas e um fundo de US$ 500 milhões para familiares das vítimas.
Em julho de 2024, a Boeing aceitou se declarar culpada de fraude. Em dezembro de 2024, um juiz federal rejeitou esse acordo, e em 2025 o Departamento de Justiça fechou um novo entendimento que permite à empresa evitar o processo criminal.
Incidente da Alaska Airlines em 2024
Em 5 de janeiro de 2024, um tampão de porta se soltou em pleno voo de um 737 MAX 9 no voo 1282 da Alaska Airlines. A FAA determinou a inspeção imediata de todos os 737 MAX 9 equipados com esse tampão, o que deixou 171 aviões em solo. O episódio reabriu o debate sobre o controle de qualidade da fabricante.
Greve de 2024 e compra da Spirit AeroSystems
Os mecânicos da Boeing entraram em greve à 0h01 de 13 de setembro de 2024, depois de 96% da categoria votar pela paralisação, a primeira desde 2008. A greve durou sete semanas e terminou em 5 de novembro de 2024, quando os trabalhadores aprovaram um acordo com reajuste salarial de 38% em quatro anos e bônus de US$ 12 mil pela ratificação.
Em 2024, a Boeing também acertou a recompra da Spirit AeroSystems, fornecedora que produz fuselagens para a empresa, em negócio de US$ 4,7 bilhões fechado em 30 de junho daquele ano.
Boeing e Embraer
Em 5 de julho de 2018, Boeing e Embraer anunciaram um memorando de entendimento para uma parceria estratégica. Pelo acordo, a Boeing pagaria US$ 4,2 bilhões por 80% de uma joint venture formada pela divisão de aviação comercial da Embraer; uma segunda joint venture cuidaria do cargueiro militar C-390 Millennium.
A Boeing rompeu o acordo em abril de 2020, alegando que a Embraer não havia cumprido as condições previstas no contrato. Na época, todas as aprovações regulatórias tinham sido obtidas, exceto a da Comissão Europeia. A Embraer abriu um processo de arbitragem, encerrado em setembro de 2024 com o pagamento de US$ 150 milhões pela Boeing.
Defesa: caças F-47 e F/A-XX
Em março de 2025, a Boeing ganhou o contrato do programa NGAD (Next Generation Air Dominance) da Força Aérea dos Estados Unidos para desenvolver o F-47, caça de sexta geração.
Em 29 de setembro de 2026, o Pentágono anunciou que a Boeing venceu a Northrop Grumman na disputa pelo F/A-XX, o caça de sexta geração da Marinha norte-americana, com um contrato de desenvolvimento de US$ 20 bilhões. O avião, que vai operar a partir de porta-aviões, deve substituir os caças F/A-18E/F Super Hornet e os aviões de guerra eletrônica EA-18G Growler a partir da década de 2030. Com os dois contratos, a Boeing passa a responder pelos dois caças tripulados de sexta geração dos Estados Unidos.
"O F/A-XX é um pilar crítico do nosso compromisso de manter a paz pela força", afirmou Michael P. Duffey, subsecretário de Defesa para Aquisição e Sustentação.
