O que aconteceu
Em 10 de outubro de 2026, um sábado, um míssil atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita. O impacto, por volta das 15h no horário local, atingiu o complexo dos terminais 3 e 4, usados por voos domésticos, sem que o sistema saudita de alerta de ameaças emitisse aviso. O ataque matou 12 pessoas e feriu 309, segundo os números divulgados no dia seguinte; em 11 de outubro, a morte de um cidadão indiano ferido no ataque elevou o total a 13. Foi o segundo ataque fatal ao aeroporto em menos de uma semana e o mais mortal desse tipo no reino em mais de uma década. É o episódio mais letal da campanha de mísseis e drones dos houthis contra aeroportos sauditas, parte da escalada da Guerra Civil Iemenita em 2026.
Vítimas
Entre os 12 mortos havia quatro sauditas, dois bengalis, um palestino, um americano, um egípcio, um jordaniano, um sírio e um sudanês. A vítima egípcia era a comissária de bordo Azza Ramzy, de 28 anos, da companhia saudita Flynas. A síria, identificada pela embaixada de seu país como Buthaina Ahmad Oweida, de 56 anos, natural de Idlib, vivia em Meca e voltava de uma visita à irmã em Riad. Em 11 de outubro, a embaixada da Índia informou que um cidadão indiano ferido no ataque havia morrido, a 13ª vítima. Mais de 300 pessoas ficaram feridas.
Autoria
A coalizão liderada pela Arábia Saudita atribuiu o ataque aos houthis, movimento iemenita apoiado pelo Irã, e o classificou como um "ataque terrorista covarde". Os houthis não reivindicaram explicitamente o ataque de imediato, mas afirmaram que os aeroportos sauditas são "alvos legítimos". Depois assumiram a autoria: segundo o The New York Times, Mohammed al-Bukhaiti, um dos principais dirigentes do grupo, disse que a ofensiva foi retaliação aos bombardeios sauditas no território iemenita. O porta-voz militar do grupo, general de brigada Yahya Saree, ameaçou novos ataques contra aeroportos do reino e pediu que as pessoas levassem "a sério" os avisos. Em 11 de outubro, o grupo reiterou nas redes sociais o alerta a companhias aéreas, viajantes e funcionários contra o uso dos aeroportos e do espaço aéreo sauditas, "com exceção dos aeroportos em Meca e Medina", e responsabilizou a Arábia Saudita por "quaisquer interceptações malsucedidas". Na noite do ataque, o porta-voz da coalizão, major-general Turki al-Maliki, disse que a coalizão "responderia com firmeza".
Fechamento do aeroporto e impacto
Logo após o ataque, as operações foram suspensas até a meia-noite, os acessos ao aeroporto foram bloqueados por forte presença policial e ao menos 291 voos foram cancelados em 24 horas. O fechamento foi depois prorrogado até pelo menos as 21h de domingo, 11 de outubro, quando cerca de 85% dos voos do dia estavam cancelados.
As escolas de Riad passaram para o ensino a distância até o fim da semana, e o distrito financeiro adotou trabalho remoto. O Ministério da Energia manteve o Congresso Mundial do Petróleo, realizado num centro de convenções a cerca de 10 km do aeroporto, a partir de 11 de outubro. Os presidentes-executivos da BP, Meg O'Neill, e da Shell, Wael Sawan, cancelaram a participação presencial no Congresso Mundial do Petróleo, sediado na capital saudita.
Reações internacionais
Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Canadá orientaram seus cidadãos a evitar o aeroporto. Iraque, Líbano e Síria condenaram o ataque, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se manifestaram sobre o risco de desestabilização da região.
Questionado por jornalistas na Casa Branca no próprio sábado sobre a possibilidade de os Estados Unidos se juntarem aos ataques sauditas contra os houthis, o presidente Donald Trump respondeu: "Talvez. Vamos analisar isso". Ele acrescentou que acabara de saber do ataque, que tomaria uma decisão e que age "muito rápido".
Novos ataques em 11 de outubro
No dia seguinte, um projétil não identificado atingiu o terminal 4 do aeroporto Rei Khalid, provocando um incêndio e deixando feridos, segundo as autoridades sauditas; a defesa aérea também interceptou um míssil de cruzeiro nas proximidades. Os houthis assumiram o ataque e disseram ter atingido no mesmo dia o aeroporto de Dammam e instalações da Aramco na Província Oriental. À noite, as autoridades sauditas confirmaram que o Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, havia sido atacado. A embaixada britânica passou a desaconselhar viagens não essenciais a Jidá e Dammam.
Também em 11 de outubro, a Al Masirah, emissora controlada pelos houthis, afirmou que a Arábia Saudita bombardeou o Aeroporto Internacional de Sanaa, capital iemenita, sem detalhar danos. Segundo os houthis, um ataque aéreo saudita a Sanaa no mesmo dia atingiu uma casa, matou uma criança e feriu outras seis pessoas.
Ataques anteriores ao aeroporto
O aeroporto Rei Khalid já havia sido alvo dos houthis nos dias anteriores. Em 8 de outubro de 2026, um ataque reivindicado pelo grupo, que disse ter lançado um míssil balístico contra o aeroporto, matou três sauditas, entre eles o comandante Hamoud Ali Alkalthami, piloto da Saudia, danificou um avião da companhia e atingiu a área de armazenamento de combustível. O tráfego aéreo voltou ao normal em 9 de outubro.
Contexto
Os ataques a aeroportos sauditas seguem a ofensiva militar lançada pela coalizão saudita e pelo governo iemenita contra os houthis no início de outubro de 2026. Os houthis declararam o espaço aéreo saudita um teatro de operações e passaram a atingir aeroportos comerciais do reino, apresentando os ataques como retaliação aos bombardeios da coalizão no Iêmen.
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