O que aconteceu
O ataque ao voo FZ1073 da Flydubai foi um incidente de segurança aérea ocorrido em 30 de setembro de 2026, quando o copiloto de um avião da companhia dos Emirados Árabes Unidos atacou o comandante com o machado de emergência da cabine durante a rota entre Dubai e Tel Aviv. O procurador-geral dos Emirados classificou o episódio como tentativa de ato terrorista, e autoridades de Israel o descreveram como uma aparente tentativa de derrubar o avião, que levava 172 pessoas, segundo a companhia. Segundo a investigação, o copiloto pretendia jogar a aeronave contra o Aeroporto Internacional Ben Gurion. O comandante ferido conseguiu destrancar a porta da cabine, passageiros dominaram o agressor e dois pilotos de reserva que estavam a bordo pousaram a aeronave em segurança em Tabuk, na Arábia Saudita.
O voo FZ1073 decolou do Aeroporto Internacional de Dubai às 7h05 (horário local, 3h05 GMT) da quarta-feira, 30 de setembro de 2026, com destino ao Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv. Mais de duas horas após a decolagem, o copiloto atacou o comandante dentro da cabine de comando. Os primeiros relatos de passageiros falavam em uma faca; em 3 de outubro, o procurador-geral dos Emirados afirmou que a arma foi o machado de emergência, equipamento que as companhias aéreas mantêm na cabine de comando para romper painéis ou janelas em caso de incêndio ou acidente.
A aeronave perdeu altitude bruscamente. A BBC, com base em dados do site de rastreamento Flightradar24, relatou uma queda de mais de 17 mil pés (cerca de 5.200 metros) em menos de dois minutos; a Reuters informou que o avião despencou quase 14 mil pés em menos de 30 segundos enquanto sobrevoava a Arábia Saudita. A cabine emitiu o código de emergência geral 7700 e, em seguida, o código transponder 7500, que indica interferência ilícita ou sequestro. A descida foi tão violenta que parte do leme da aeronave foi arrancada.
Caído no chão e ainda sob ataque, o comandante conseguiu destrancar a porta da cabine por dentro. Passageiros entraram, dominaram e amarraram o copiloto; segundo o passageiro Yaniv Hayun, o agressor tentava destruir os instrumentos para inutilizar o avião, e ele próprio puxou os controles até a aeronave começar a se estabilizar. Dois pilotos de reserva que viajavam a bordo assumiram então os comandos. Eram tripulantes da Flydubai em deslocamento, que iriam levar o avião de volta de Tel Aviv a Dubai; até 3 de outubro, a companhia não havia divulgado seus nomes e os descreveu apenas como "membros da tripulação em serviço que viajavam no avião". O avião, que chegou a entrar brevemente no espaço aéreo da Jordânia, voltou para a Arábia Saudita e pousou no aeroporto de Tabuk, no noroeste do país, às 6h58 no horário local. Sem conseguir contato com a tripulação e diante do temor de sequestro, Israel enviou aeronaves para acompanhar o voo.
O comandante Smit Machchhar
O comandante do voo é o indiano Smit Machchhar, piloto com 17 anos de carreira, na Flydubai desde 2022. Depois do pouso, ele foi levado a um hospital em Tabuk e, em seguida, transferido de avião para Abu Dhabi, onde se recupera em condição estável. Em 1º de outubro, o embaixador da Índia nos Emirados Árabes Unidos, Deepak Mittal, visitou o piloto e informou que ele estava "em boa saúde e se recuperando bem".
Em videochamada com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, divulgada em 2 de outubro, Machchhar relatou que estava no chão, ferido, quando percebeu que o avião descia: "Disse a mim mesmo para fazer um último esforço e abrir a porta por dentro". Ele afirmou que lutava pela própria vida, mas que não deixaria os outros morrerem. Modi disse que a coragem, a paciência e a rapidez de decisão do piloto salvaram muitas vidas. Netanyahu também o chamou de "verdadeiro herói".
O agressor
O copiloto é cidadão de Omã. Em 3 de outubro, a Associated Press e a Reuters, com base em fontes com conhecimento do caso, identificaram-no como Hamam al-Hammami, de 29 anos; as autoridades dos Emirados não confirmaram oficialmente o nome, e o governo de Omã não se pronunciou. Segundo uma autoridade regional ouvida pela AP, ele nasceu nos Emirados, filho de mãe síria e pai omanita, de quem herdou a nacionalidade, e já havia viajado à Síria.
Em 2 de outubro, o Wall Street Journal revelou que Omã havia proibido o copiloto de voar por suspeita de que ele adotara visões extremistas. Segundo a AP, ele foi afastado da função de piloto na Oman Air e transferido para um cargo administrativo antes de ser contratado pela Flydubai; o Guardian informou que ele trabalhou na Oman Air de 2018 a junho de 2025. Um diplomata do Golfo disse à agência que ele passou pelas verificações de segurança padrão, aparentemente limitadas a antecedentes criminais, sem exame de sinais de radicalização. A Royal Air Maroc informou que ele fez em 2025 um período de três meses de formação teórica na companhia como etapa pré-contratação e não foi selecionado. A Buckinghamshire New University, no Reino Unido, disse que ele concluiu ali um curso a distância em gestão de aviação, sem treinamento de piloto. A conta dele no Instagram ficou ativa até o dia do voo e depois foi apagada.
A formação dele passou pela Oceania. Em 5 de outubro, a RMIT University, de Melbourne, informou que um ex-aluno apontado como envolvido no caso esteve matriculado na instituição entre 2015 e 2017 e não concluiu o curso de engenharia; as autoridades australianas disseram estar investigando os vínculos dele com o país. Segundo o Financial Times, citando duas pessoas a par da investigação, ele frequentou mesquitas radicais e sites extremistas na Austrália, e o serviço de inteligência australiano (ASIO) tinha uma ficha sobre ele; a ASIO não comentou. Em 6 de outubro, o comissário-assistente da polícia da Nova Zelândia, Michael Johnson, afirmou, sem citar o nome, que o suspeito esteve no país entre novembro de 2018 e maio de 2019, com visto de estudante de seis meses, para cumprir parte do treinamento de voo por uma empresa britânica que não opera mais na Nova Zelândia.
Em entrevista à Fox News, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que as investigações indicavam que ele havia passado por "doutrinação islâmica radical" e que parecia "muito provável" que pretendesse derrubar o avião. Segundo Netanyahu, depois de ser contido, o copiloto gritava para a tripulação "me matem, me matem". O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, classificou-o como terrorista.
O copiloto foi detido em Tabuk e, em 1º de outubro, transferido para Abu Dhabi. Segundo fonte ouvida pela Reuters, ele disse ter agido sozinho. A motivação não foi oficialmente esclarecida. Até 6 de outubro, ele não havia sido formalmente acusado; a lei dos Emirados prevê pena de morte para alguns crimes de terrorismo.
Plano de ataque
Em 5 de outubro, uma pessoa a par da investigação disse à NPR que o copiloto pretendia jogar o avião contra o Aeroporto Internacional Ben Gurion, onde o voo pousaria no meio da manhã de um dia útil, e que provavelmente agiu sozinho. A imprensa israelense, citando depoimentos dele aos interrogadores nos Emirados, relatou o mesmo alvo ou outro alvo de grande visibilidade nas proximidades.
No mesmo dia, autoridades regionais e israelenses disseram ao Guardian que os investigadores acreditam que ele planejava o ataque para julho e o adiou, possivelmente porque um amigo estava na tripulação daquele voo. Para especialistas ouvidos pelo jornal, o planejamento prévio sugere que ele pode ter buscado emprego numa companhia com voos para Israel justamente para executar o ataque. Segundo o comandante Smit Machchhar, o ataque começou pouco depois de o copiloto deixar o assento para rezar, cerca de duas horas e 20 minutos após a decolagem, com um golpe na nuca.
Os passageiros que dominaram o copiloto
Em 1º de outubro, o presidente de Israel, Isaac Herzog, anunciou que recomendará ao comitê do Prêmio Presidencial de Heroísmo Cidadão a condecoração de passageiros israelenses do voo. Segundo a Presidência, Yaniv Hayoun, Zvika Manes e Asaf Rajuan entraram na cabine e dominaram o agressor; o dentista Shota Musayev atendeu o comandante ferido até o pouso. Horas depois, a Presidência incluiu Tali Manes, que foi "a primeira a alertar" os demais passageiros. O prêmio foi criado após os ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.
Investigações
Os Emirados Árabes Unidos lideram a investigação e afirmam ter jurisdição porque a aeronave é registrada no país e voa sob sua bandeira. A agência estatal emiradense informou inicialmente que a apuração buscaria determinar "se o incidente estava ligado a qualquer atividade ou propósito terrorista, ou envolveu planejamento ou orientação prévia". Em 2 de outubro, o conselheiro diplomático do presidente emiradense, Anwar Gargash, chamou o ataque de "perigoso ato terrorista". Em 3 de outubro, o procurador-geral dos Emirados, Hamad Saif Al Shamsi, declarou à agência estatal que as investigações revelaram que o copiloto tentou cometer um "ato terrorista" e que prosseguem para estabelecer as circunstâncias, os motivos e eventuais ligações do caso.
Israel conduz uma apuração paralela liderada pelo Mossad, que entrevistou passageiros após a chegada a Tel Aviv; segundo uma fonte de segurança israelense ouvida pela BBC Arabic, as conclusões preliminares indicam que o agressor pretendia derrubar o avião. Em 2 de outubro, um funcionário do governo israelense confirmou à Reuters que investigadores do país participarão do interrogatório do copiloto nos Emirados, e Netanyahu disse que os eventuais envolvidos pagarão um "preço alto". Segundo o Financial Times, o Shin Bet, serviço de segurança interna de Israel, interrogou o copiloto na semana de 5 de outubro, em coordenação com os Emirados, para apurar se ele agiu sozinho ou com cúmplices. Segundo uma autoridade regional ouvida pela AP, agências de segurança de quatro países da região trabalham no caso com apoio dos Estados Unidos e de outros governos ocidentais, tentando estabelecer se o copiloto agiu sozinho ou tinha ligação com grupos extremistas. Em 5 de outubro, segundo o Guardian, a investigação já envolvia mais de oito países, incluindo Austrália e Nova Zelândia. A Arábia Saudita não divulgou comunicado sobre o caso.
A contratação do copiloto levantou questionamentos sobre a checagem de antecedentes da Flydubai e sobre a troca de informações entre países e companhias aéreas. Israel afirma ter acordos com companhias estrangeiras para impedir que pilotos de países sem relações diplomáticas com o Estado israelense operem voos para lá, e Israel e Omã não mantêm relações formais. Netanyahu disse à Fox News que o agressor passou por uma "brecha" na checagem e, em 4 de outubro, anunciou um exame formal da segurança da aviação civil estrangeira que voa para Israel. O Shin Bet atribuiu ao Ministério dos Transportes a checagem das listas de voos estrangeiros, e a ministra Miri Regev respondeu que a segurança de voo cabe às agências de segurança. A oposição, a semanas da eleição geral israelense, culpou o governo; o líder do partido Democratas, Yair Golan, falou em "colapso do sistema". A Flydubai, controlada pelo governo de Dubai, disse que não comentaria além de seus comunicados oficiais e reconheceu que "há muitas perguntas neste momento".
Suspeita sobre o Irã
Questionado sobre envolvimento iraniano, Netanyahu disse ser "cedo demais" para afirmar. Em 1º de outubro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a jornalistas na Casa Branca que, "pelo que estou ouvindo", a resposta sobre uma ligação do copiloto com o Irã "é sim, mas estamos trabalhando nisso agora"; perguntado se ele teria se infiltrado por meio da Guarda Revolucionária iraniana, respondeu que "pode ter sido assim". Trump também ameaçou o país: "eles serão atingidos, muito duramente, não se preocupe". Em 5 de outubro, questionado por jornalistas, Trump foi além: "Acredito que o Irã é o responsável". Não houve indicação oficial de Israel ou dos Emirados sobre participação iraniana.
Consequências para a aviação
A Flydubai suspendeu os voos entre Dubai e Tel Aviv enquanto conduz a própria investigação; o Ministério dos Transportes de Israel disse que a suspensão segue determinação de Netanyahu. As companhias israelenses El Al, Israir e Arkia anunciaram voos de resgate a partir de Dubai para trazer passageiros retidos, e o ministério pediu à Etihad que ampliasse os voos entre Abu Dhabi e Tel Aviv.
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