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Clubes de futebol contestam proibição de apostas online no STF

Clubes de futebol criticam no STF a MP que proibiu as bets, alegando insegurança jurídica e lembrando que as apostas responderam por R$ 1 bilhão das receitas comerciais da Série A em 2025.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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03/11 às 17:45, atualizado 18:45

Pontos principais

  • O vice-presidente do Flamengo estima perda de cerca de R$ 30 milhões por ano em receitas do futebol e dos esportes olímpicos.
  • O Fluminense diz que as bets responderam por R$ 1 bilhão, ou 34%, das receitas comerciais dos clubes da Série A em 2025.
  • O Botafogo deixou de estampar em 7 de outubro o patrocínio máster de uma casa de apostas, o maior da história do clube, e seu plano de recuperação judicial contava com esses recursos.
  • Segundo o Fluminense, o Brasil deu 10 dias para a publicidade de bets, enquanto a Bélgica deu 56 meses, o Reino Unido 36, a Espanha 12 e a Itália 10.
  • O Cruzeiro contesta que o governo se aproprie do valor de outorga de R$ 30 milhões pago pelas empresas.
  • O São Paulo diz que patrocínio máster e publicidade do setor somaram R$ 101 milhões de janeiro a setembro de 2026, cerca de 30% da receita do clube.
  • A Fenapaf, federação dos atletas, pede que o STF requisite à Fazenda informações sobre valores arrecadados com as bets que ainda não foram pagos aos atletas.
  • A AGU cita dados preliminares da Fazenda: R$ 220 bilhões depositados em bets autorizadas em 2025, o equivalente, segundo a AGU, a R$ 36,9 bilhões em receitas para as casas.
  • A AGU diz que os atendimentos no SUS por problemas com jogos e apostas aumentaram 140% entre 2018 e 2025, com dados do Ministério da Saúde.

O Supremo Tribunal Federal ouviu na manhã desta terça-feira (3), em audiência pública, o governo e clubes de futebol sobre a medida provisória 1.394, de 2026, editada em 25 de setembro, que proíbe no país a exploração de apostas de cota fixa, as bets. O relator, ministro Luiz Fux, disse que seu voto depende da aceitação do colegiado e que os argumentos trazidos após a edição da MP ainda serão levados aos demais ministros.

Os clubes sustentam que os contratos de patrocínio foram firmados com base na legislação então vigente e pedem suspensão, modulação ou um período de transição; o Corinthians diz que a MP não trouxe nenhuma contrapartida. A Advocacia-Geral da União defende a medida e afirma que as leis 13.756, de 2018, e 14.790, de 2023, se tornaram materialmente inconstitucionais por proteção insuficiente à saúde pública e às famílias.

Fonte primária

Supremo Tribunal Federal (STF) / canal oficial no YouTube

Audiência Pública sobre medida provisória que trata de apostas esportivas – 3/11/2026 | Manhã

Audiência pública de Fux sobre a MP 1.394/2026 (editada em 25/9), que proíbe as bets. Os clubes falam depois do governo. Flamengo (1:30:56): diz que a MP é inconstitucional por falta de relevância e urgência e viola a razoabilidade; os contratos foram firmados com base na legislação de 2023 e o clube projeta perda de cerca de R$ 30 mi por ano em futebol e esportes olímpicos. Fluminense (1:41:21): bets responderam por R$ 1 bi dos R$ 3 bi de receita comercial dos clubes da Série A em 2025 (34%); no clube, impacto de R$ 200 mi sobre receita recorrente de R$ 600–700 mi; Bélgica, Reino Unido, Espanha e Itália deram de 12 a 56 meses de transição à publicidade, o Brasil, 10 dias. Botafogo (1:51:42): pede suspensão imediata ou transição que respeite o calendário e a duração dos contratos; o clube está em recuperação judicial e deixou de estampar o master de uma bet em 7/10. Cruzeiro (2:00:47): defende regular e fiscalizar em vez de proibir; contesta a apropriação pelo governo do valor de outorga (R$ 30 mi) pago pelas empresas. São Paulo (2:12:34): receitas de patrocínio e publicidade do segmento somaram cerca de R$ 101 mi de janeiro a setembro de 2026, cerca de 30% da receita do clube, com contrato até 2030. Corinthians (2:21:43): pede modulação, período de transição e preservação das categorias de base; diz que o clube não recebeu nenhuma contrapartida.

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