ONU alerta que mundo deve superar limite de 1,5°C de aquecimento
O PNUMA diz que a ultrapassagem de 1,5°C é iminente e inevitável, e que as novas NDCs, se cumpridas, cortariam as emissões só 5–8% até 2030, quando seriam necessários 18%.
Pontos principais
- Para ficar no cenário de 1,5°C, as emissões globais precisam cair 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em relação a 2025, segundo o PNUMA.
- Com as novas NDCs integralmente cumpridas, o PNUMA calcula queda de 5–8% até 2030 e 11–15% até 2035, também em relação a 2025.
- O cenário mais otimista do PNUMA, com cortes a partir de 2025, tem 66% de chance de pico entre 1,7°C e 1,8°C e cerca de 50% de voltar a 1,5°C até 2100.
- Sob as políticas atuais, o PNUMA projeta 2,8°C até 2100, com 66% de chance, e a alta continua depois.
- Com todas as NDCs cumpridas e esforços semelhantes mantidos, a projeção é de 2,6°C até 2100, com 66% de chance, segundo o PNUMA.
- A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e revisões das estimativas de emissões históricas pioraram as projeções, segundo o PNUMA.
- Em 2025, as emissões globais de gases de efeito estufa somaram 58,4 GtCO₂e (margem de ±5,5), praticamente o mesmo nível de 2024, segundo o PNUMA.
- Voltar a 1,5°C exige remover e armazenar permanentemente cerca de 320 GtCO₂ até o fim do século, e o PNUMA considera incerta a capacidade de fazer isso em escala.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) diz, no Emissions Gap Report 2026, que é inevitável o aquecimento global passar de 1,5°C em mais de 0,1°C, medido em médias de várias décadas. O órgão considera perdida a chance de limitar o aquecimento a 1,5°C com ultrapassagem de até 0,1°C, mas afirma que ainda é possível reduzir a duração e a magnitude do excesso e voltar a 1,5°C até o fim do século. Isso depende de cortes rápidos e sustentados começando já.
O PNUMA alerta que a aparente redução da lacuna de implementação para 2030, em relação ao ano passado, não reflete ação mais forte. Ela se deve sobretudo à retirada da meta dos Estados Unidos dos agregados globais, substituída por projeções de políticas atuais. Sem esse efeito, o PNUMA vê pouco avanço em alinhar as políticas às metas de 2030.
Na energia, o PNUMA diz que solar e eólica cresceram mais do que o previsto há uma década, mas a oferta de carvão, petróleo e gás segue subindo, ainda que mais devagar do que se projetava em 2015. Em 2025, as emissões de CO₂ da queima de combustíveis fósseis, de óxido nitroso e de gases fluorados continuaram a subir. Ainda assim, o PNUMA não consegue afirmar se as emissões já atingiram o pico: é cedo demais para dizer que estão estabilizando.
