Fábrica da BYD em Camaçari consolida expansão chinesa no setor automotivo
Inaugurada em 2025, a planta da BYD na Bahia reflete o avanço das montadoras chinesas no Brasil e impacta os preços de veículos no mercado nacional.
Pontos principais
- A fábrica da BYD em Camaçari, inaugurada em outubro de 2025, ocupa o antigo complexo da Ford.
- A unidade emprega 7.618 pessoas, com 6% da força de trabalho composta por estrangeiros, principalmente chineses.
- O número de autorizações de residência para trabalho emitidas para cidadãos chineses no Brasil triplicou entre 2023 e 2025.
- A concorrência de mais de 20 marcas chinesas no país contribuiu para uma queda de 3,5% no preço médio de veículos leves até junho de 2026.
- Em 2024, a BYD firmou acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho após denúncias de condições análogas à escravidão em obras.
A inauguração da fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia, em outubro de 2025, marca um ponto de inflexão na presença de montadoras chinesas no Brasil. A unidade, que ocupa as instalações anteriormente utilizadas pela Ford, tornou-se o principal polo da empresa na América Latina e simboliza o papel do país como um laboratório estratégico para a expansão global da China no setor de veículos elétricos. Atualmente, a planta conta com 7.618 funcionários diretos, sendo que a presença de profissionais chineses na região cresceu significativamente, acompanhando o triplo de autorizações de residência para trabalho emitidas para cidadãos daquele país entre 2023 e 2025.
O impacto da chegada dessas montadoras já é sentido pelo consumidor brasileiro, com dados da Bright Consulting indicando uma redução de 3,5% no preço médio de transação de veículos leves novos até junho de 2026, impulsionada pela maior competitividade no mercado. Paralelamente aos avanços econômicos, a operação enfrentou desafios regulatórios e trabalhistas. Em 2024, a empresa firmou um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho após denúncias de condições análogas à escravidão em canteiros de obras, enquanto investigações sobre assédio moral e sexual na fábrica foram arquivadas por falta de provas.
