Hotéis de luxo limitam fotos e filmagens em nome da privacidade
Restaurantes e hotéis de luxo na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos restringem fotos e filmagens de hóspedes e visitantes, e em Mônaco uma lei torna crime fotografar outros hóspedes sem consentimento.
Pontos principais
- Estelle Manor, um hotel e clube privado em Oxfordshire, na Inglaterra, proíbe fotos em áreas comuns, incluindo o Manor House, quatro restaurantes, a piscina e o spa.
- No Hotel du Cap-Eden-Roc, em Antibes, na França, fotos são permitidas nas áreas comuns com discrição, mas os hóspedes são orientados a nunca fotografar outras pessoas.
- O mesmo hotel proíbe celular na piscina e chamadas em viva-voz em qualquer área do imóvel, e oferece um fotógrafo próprio, pago, para quem quer fotos de lembrança.
- Alguns hotéis Aman, como o de Nova York, proíbem fotos ou filmagens sem consentimento.
- Em Mônaco, uma lei em vigor desde o verão de 2025 torna crime capturar ou divulgar imagens de outros hóspedes, em hotéis e cassinos, sem consentimento.
- No The Park, em Bayswater, Londres, o restaurante colocou placas, atualizou o site e contratou segurança depois que um grupo de dez influenciadores bloqueou o acesso aos banheiros, usados como camarins.
Hotéis e restaurantes de luxo têm endurecido as regras para fotos e filmagens em suas dependências. No Hotel du Cap-Eden-Roc, a gerente Sophie Volant diz que, cerca de quatro anos atrás, o hotel começou a receber visitantes sem hospedagem que almoçavam sem sentar à mesa e trocavam de roupa por horas para fotos. Depois de conhecer um clube de campo em Los Angeles e um clube privado em Palm Beach, o hotel passou a deixar uma lista escrita de regras em cada quarto, publicada também online e apresentada no check-in.
Volant diz que a maioria dos hóspedes aprovou as regras e que alguns pedem medidas ainda mais rígidas. Ela reconhece que dizer não a um hóspede VIP não é fácil, e a equipe recebe treinamento específico para essas situações.
Em Londres, o restaurateur Jeremy King, em coluna publicada no Evening Standard em fevereiro, relata um problema parecido. Ele afirma que não quer exigir adesivos nas lentes nem proibir celulares ou influenciadores, mas que as regras sejam cumpridas.
Ragan Stone, da In The Know Experiences, diz que quem paga por um hotel de luxo quer se afastar das demandas das redes sociais. Já Milton Pedraza, do The Luxury Institute, afirma que hotéis de alto padrão têm pouco a perder ao restringir filmagens, porque seu público não escolhe onde se hospedar com base em conteúdo de influenciadores.
Fontes primárias
Why luxury hotels are restricting guest photography over privacy concerns
A gerente Sophie Volant conta que, cerca de quatro anos atrás, o Hotel du Cap-Eden-Roc, em Antibes, passou a atrair um público 'obcecado por fotos': visitantes sem hospedagem que almoçavam sem sentar à mesa e trocavam de roupa por horas para sessões de fotos. Depois de visitar um country club em Los Angeles e um clube privado em Palm Beach, o hotel passou a colocar uma lista escrita de regras em cada quarto e a publicá-la online, explicada também no check-in. Entre as regras: nada de celular na piscina nem chamadas em viva-voz; fotos são permitidas em áreas comuns, com discrição, e nunca de outros hóspedes. O hotel oferece fotógrafo próprio, pago. Volant diz que a maioria dos hóspedes aprovou ('We chose to maintain a certain elegance'). A matéria traz também a visão de executivos do setor e de outros hotéis, como Estelle Manor (Inglaterra), que proíbe fotos nas áreas comuns, e Mônaco, onde uma lei de 2025 criminaliza fotografar outros hóspedes sem consentimento.
Jeremy King: I'm fed up with influencers — enough is enough
O restaurateur londrino Jeremy King relata que, no The Park (Bayswater), clientes passaram a chegar com tripés e malas para fotos de moda, ocupavam mesas sem consumir e, em um caso, bloquearam o acesso aos banheiros usados como camarim. Após o episódio, o restaurante colocou placas, atualizou o site, contratou segurança e deixou claro que esse tipo de filmagem é inaceitável. Diz que não quer exigir adesivos nas lentes nem proibir celulares ou influenciadores, mas exigir que as regras sejam cumpridas, em respeito a equipe e clientes.
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