Especialista aponta onda de reestruturação corporativa no Brasil
Renato Carvalho, da Laplace, destaca crise em setores como varejo e agronegócio, impulsionando o uso de recuperações judiciais no país.
Pontos principais
- O atual cenário de reestruturação é considerado o mais grave desde a recessão de 2014 e 2015.
- Setores de varejo e agronegócio são os mais afetados por juros altos e queda nos preços das commodities.
- A Laplace mantém um fundo de R$ 600 milhões voltado para 'special situations' no agronegócio.
- Empresas de energia enfrentam desafios regulatórios como o curtailment e custos de modulação.
- Empresários estão utilizando a recuperação judicial e extrajudicial como ferramenta estratégica de renegociação.
O cenário corporativo brasileiro enfrenta um momento de alta complexidade, marcado pela maior onda de reestruturações desde a crise de 2014 e 2015. Segundo Renato Carvalho, fundador da assessoria financeira Laplace, o varejo sofre com o impacto das elevadas taxas de juros, enquanto o agronegócio lida com a desvalorização global das commodities e o excesso de oferta. Além disso, o setor de energia, especificamente a geração distribuída, enfrenta obstáculos regulatórios significativos, como o curtailment e custos de modulação.
Diante desse quadro, a recuperação judicial e a extrajudicial tornaram-se alternativas cada vez mais comuns para a renegociação organizada de dívidas. A Laplace, que participou de processos relevantes como a privatização da Eletrobras e da Sabesp, mantém um fundo de R$ 600 milhões focado em 'special situations' para o agronegócio. A estratégia reflete uma mudança de postura dos empresários, que buscam nos mecanismos legais uma forma de atravessar o período de instabilidade econômica.
