Futebol feminino deve movimentar US$ 1 bilhão, mas jogadoras relatam precariedade
Relatório global da Fifpro projeta receita de mais de US$ 1 bilhão em 2027, mas aponta contratos curtos, atrasos salariais e pouca proteção, e 49% das jogadoras pensam em deixar o jogo cedo.
Pontos principais
- A receita global do futebol feminino foi de cerca de US$ 581 milhões em 2024 e deve passar de US$ 1 bilhão em 2027, segundo a Fifpro.
- A pesquisa ouviu 791 jogadoras de 40 países na temporada 2025/26.
- A média salarial mensal é de US$ 2.601 nos meses com pagamento, e a mediana, de US$ 1.669. Descontada a inflação, a média é cerca de três vezes a de 2017.
- 78% têm contrato escrito com o clube, ante 53% em 2017, mas só 56% têm contrato de trabalho individual e 26% não sabem que tipo de contrato têm.
- 66% são pagas nos 12 meses do ano, e 24% relatam atrasos nas duas últimas temporadas.
- 49% das jogadoras pensam em deixar o jogo cedo. Entre elas, 59% citam motivos financeiros e 46%, estresse psicológico.
- Entre as que pensam em deixar o jogo, 19% citam constituir família, ante 47% em 2017.
- Dos 57% que já tiveram problemas de saúde mental, metade não recebeu apoio do clube.
- 42% das jogadoras não têm pensão oferecida pelo clube.
Segundo a Fifpro, o crescimento financeiro do futebol feminino não se traduziu em segurança para a maioria das jogadoras. Em muitas regiões, elas mal chegam ao salário mínimo local ou ficam abaixo dele. Na Europa Oriental, por exemplo, a média regional de € 755 por mês fica abaixo do salário mínimo da Polônia, de € 1.118.
A entidade aponta que o apoio psicológico é o item com menor satisfação média entre as atletas, abaixo do atendimento médico e das instalações em todas as regiões, exceto a América do Norte. Ela reconhece avanços na proteção à maternidade e cita a regulamentação de maternidade da FIFA, de 2021, como prova de que um piso global funciona. Por isso, pede que a FIFA fixe padrões mínimos globais, com apoio médico e psicológico como padrão mínimo de cuidado.
A Fifpro ressalva que a amostra tem mais respondentes da Europa Central e Ocidental do que de outras regiões, e que as Américas estão pouco representadas. Segundo a entidade, os números globais escondem situações muito diferentes entre regiões.
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