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EUA e Líbano protegem ex-general sírio em parte por informações sobre jornalista

Uma investigação conjunta da BBC e da NPR diz que o ex-general sírio Bassam al-Hassan vive em Beirute com proteção e financiamento de autoridades americanas e libanesas, em parte pela disposição de dar informações sobre o sequestro do jornalista americano Austin Tice.

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Foto: BBC World
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08/10 às 03:01 · atualizado 06:32

Pontos principais

  • O Tesouro dos EUA sanciona Hassan pelo papel no governo Assad, onde, além de supervisionar o programa de armas químicas, ele era um dos principais conselheiros do presidente.
  • Hassan fugiu para o Irã após a queda de Assad, em dezembro de 2024; depois, segundo um empresário sírio ouvido pela BBC, houve negociações para levá-lo ao Líbano.
  • Segundo quatro fontes com conhecimento do arranjo, ele recebe dinheiro por meio de um intermediário, o que dificulta o rastreamento.
  • Segundo a BBC, Hassan disse a investigadores americanos que Tice foi executado por ordem de Assad; uma busca no local que ele indicou não encontrou nada, e duas fontes com conhecimento direto da operação afirmam que os EUA pararam de escavar antes de concluí-la.
  • Autoridades de dois ramos do novo governo sírio querem que Hassan volte à Síria para julgamento, mas autoridades americanas querem que ele permaneça em Beirute.
  • Phil Elwood, porta-voz da família Tice, diz que, se confirmado, o arranjo é 'auxílio à fuga de um criminoso de guerra foragido'.

A BBC teve acesso a um registro de reunião entre Hassan, representantes do FBI e da CIA e autoridades de segurança libanesas, em que se discute o caso Tice e se oferecem a Hassan 'residência', 'proteção' e ajuda para suas 'necessidades de vida'. Um ex-alto oficial da inteligência libanesa, ouvido pela BBC sob anonimato, confirmou que as agências dos dois países fazem pagamentos quando seus casos se cruzam, mas disse não ter conhecimento de pagamentos no caso Tice.

Quando a BBC pediu uma entrevista, Hassan encaminhou a equipe a oficiais do FBI e da CIA na embaixada americana, para que autorizassem sua fala. O FBI não comentou e lembrou uma declaração anterior de que seu foco é estabelecer os fatos do caso Tice e obter o retorno de Tice; a CIA e a Direção Geral de Segurança libanesa não responderam.

Fonte primária

NPR e BBC (investigação exclusiva, série "Where is Austin Tice?")

Syrian general accused of atrocities is protected by U.S. and Lebanon, NPR and BBC find

Investigação conjunta NPR e BBC afirma que Bassam al-Hassan, ex-general sírio e conselheiro de Bashar al-Assad, sancionado pelo Tesouro dos EUA e procurado internacionalmente por crimes contra a humanidade, vive em Beirute com proteção e financiamento de autoridades americanas e libanesas. Segundo quatro fontes anônimas, a permanência dele se deve em parte à disposição de fornecer informações sobre o sequestro do jornalista Austin Tice (2012) e outras informações de inteligência. A BBC revisou o registro detalhado de uma reunião entre Hassan, representantes do FBI e da CIA e autoridades de segurança libanesas, na qual se discutiu o caso Tice e foram oferecidos a Hassan "residência", "proteção" e ajuda para suas "necessidades de vida". Segundo fontes, ele recebe dinheiro por meio de um intermediário, o que dificulta o rastreamento. Autoridades de duas instâncias do governo sírio pediram sua devolução para julgamento, mas Washington quer que ele permaneça em Beirute. CIA e Direção Geral de Segurança libanesa não responderam; o FBI declinou comentar. Hassan afirmou a investigadores americanos que Tice foi executado por ordem de Assad, relato que várias fontes questionam, citando uma busca no local indicado que não encontrou nada. A família Tice classificou a situação como "auxílio à fuga de um criminoso de guerra foragido".

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