Estudo indica que bactérias intestinais migraram com seres humanos
Pesquisa mostra que linhagens bacterianas ancestrais foram transmitidas por gerações, ligando populações da Tanzânia e da Bolívia.
Pontos principais
- Estudo comparou microbiomas de povos caçadores-coletores na Tanzânia e na Bolívia.
- Cerca de 90% das espécies bacterianas são compartilhadas entre os dois grupos.
- Micróbios teriam sido transmitidos desde ancestrais comuns na África antes da migração global.
- 60% das bactérias identificadas são raras ou ausentes em sociedades industrializadas.
- A perda dessa biodiversidade microbiana pode estar associada a problemas de saúde modernos.
Um estudo publicado na revista Nature revelou que linhagens de bactérias intestinais coevoluíram com os seres humanos e foram preservadas ao longo das migrações globais. Pesquisadores compararam amostras do microbioma de povos caçadores-coletores, como os Hadza na Tanzânia e os Tsimane na Bolívia, identificando uma sobreposição de 90% nas espécies bacterianas. A hipótese central é que esses microrganismos foram transmitidos via fecal-oral entre gerações desde ancestrais comuns na África, mantendo uma assinatura biológica compartilhada apesar da vasta distância geográfica.
O levantamento aponta que cerca de 60% desses micróbios são raros ou inexistentes em populações que vivem em sociedades industrializadas. Especialistas sugerem que a redução dessa biodiversidade microbiana ao longo do tempo pode estar diretamente ligada ao aumento de quadros inflamatórios e outros problemas de saúde em populações modernas. A descoberta reforça a importância da transmissão comunitária e familiar na manutenção de um ecossistema intestinal que acompanhou a trajetória da espécie humana pelo planeta.
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