Instalação artística no Sesc Pompeia expõe marcas do tráfico negreiro
A obra O Barco, da artista Grada Kilomba, ocupa o Sesc Pompeia para denunciar a violência histórica do tráfico transatlântico de escravizados.
Pontos principais
- A instalação é composta por 134 blocos de madeira queimada que remetem aos porões de navios negreiros.
- A exposição está aberta ao público no Sesc Pompeia, em São Paulo, até o dia 25 de outubro.
- A obra questiona a glorificação histórica de embarcações e a invisibilidade do sofrimento de africanos escravizados.
- A mostra inclui as obras Opera to a Black Venus e Compressed Time, concebidas pelo Instituto Inhotim.
- O trabalho utiliza a tragédia grega de Antígona para refletir sobre temas como memória e a repetição da violência.
O Sesc Pompeia, em São Paulo, recebe a instalação artística O Barco, da artista portuguesa Grada Kilomba. A obra, composta por 134 blocos de madeira queimada, busca representar a arquitetura opressora dos porões dos navios negreiros, confrontando o público com a brutalidade do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A exposição permanece em cartaz até o dia 25 de outubro e integra um conjunto de trabalhos concebidos pelo Instituto Inhotim, incluindo as peças Opera to a Black Venus e Compressed Time.
Ao utilizar a tragédia grega de Antígona como inspiração, Kilomba propõe uma reflexão profunda sobre a memória, o esquecimento e a natureza cíclica da violência histórica. A artista questiona a forma como a história oficial glorifica certas embarcações enquanto mantém invisível o sofrimento de milhões de africanos. A iniciativa busca resgatar essas narrativas silenciadas, incentivando o espectador a encarar as marcas deixadas pelo período da escravidão na sociedade contemporânea.
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