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Fachin e Dino divergem sobre rito de apartes em sessão do STF

O presidente do STF, Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino entraram em conflito durante sessão plenária ao discordarem sobre as regras de apartes.

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Foto: G1 Política
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15/09 às 12:15, atualizado 22:45

Pontos principais

  • O atrito ocorreu durante uma sessão extraordinária do STF realizada nesta terça-feira (15).
  • Edson Fachin interrompeu Flávio Dino, exigindo que pedidos de palavra fossem dirigidos à Presidência.
  • Fachin fundamentou sua exigência citando o regimento interno da Corte.
  • Flávio Dino rebateu, argumentando que a prática tradicional permite solicitar apartes diretamente ao orador.
  • O ministro Gilmar Mendes interveio em apoio a Dino, citando um costume de mais de 20 anos no tribunal.
  • Dino utilizou o regimento interno físico para reforçar seus argumentos durante a discussão.
  • O debate sobre o rito de apartes ocorreu em meio à análise de um relatório da Polícia Federal sobre Alexandre de Moraes.
  • A tensão entre os ministros culminou em um pedido de vista de Flávio Dino, suspendendo o julgamento principal.
  • Dino justificou a interrupção alegando falta de condições de deliberação e desrespeito ao rito legal.
  • Em declarações recentes, Dino questionou o teor de mensagens entre colegas e afirmou que Fachin está condenado a repetir sessões judiciais.

Uma sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcada por um momento de tensão entre o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino. O desentendimento central girou em torno da interpretação do regimento interno sobre a forma correta de solicitar apartes durante os julgamentos. Enquanto Fachin insistia que qualquer pedido de palavra deveria ser formalmente endereçado à Presidência do tribunal, Dino sustentou que a tradição da Corte permite que o aparte seja solicitado diretamente ao ministro que detém a palavra no momento.

O debate escalou quando o ministro Gilmar Mendes interveio na discussão, corroborando a visão de Dino. Mendes afirmou que a prática de solicitar apartes diretamente ao colega que discursa é um costume consolidado no tribunal há mais de duas décadas. Para reforçar sua posição, Flávio Dino recorreu ao texto do regimento interno, que manteve sobre sua mesa durante a sessão, utilizando-o como base para questionar a condução dos trabalhos por parte de Fachin.

A divergência sobre o rito de apartes ocorreu em um cenário de alta complexidade, durante a análise de um relatório da Polícia Federal que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. O clima de confronto entre os magistrados, que incluiu críticas à condução processual e à centralização de relatorias, acabou por degradar a dinâmica da sessão plenária, gerando um ambiente de insegurança jurídica apontado por diversos membros da Corte.

Como desfecho da instabilidade observada, Flávio Dino formalizou um pedido de vista, o que resultou na suspensão imediata do julgamento principal. O ministro justificou a medida alegando que não havia condições mínimas de deliberação e que o rito legal não estava sendo devidamente observado. Em desdobramentos recentes, Dino questionou o teor de mensagens trocadas por outros ministros, como Fux, Kassio e André, e afirmou que o presidente Fachin está agora condenado a repetir dezenas de sessões judiciais idênticas.

Este episódio reflete uma crise interna mais ampla no STF, envolvendo debates sobre a legalidade da avocação de relatorias e a necessidade de um rito processual único para casos que envolvem os próprios ministros. A divergência entre Fachin e Dino, embora pontual na forma de conduzir os debates, ilustra a dificuldade da Corte em manter a coesão institucional diante de temas sensíveis e da pressão pública a poucos dias das eleições.

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