Eduardo Bolsonaro acusa ministros do STF de perseguir André Mendonça
O ex-deputado, que está nos Estados Unidos, afirmou que usará os registros da sessão desta terça-feira para pedir novas sanções internacionais contra integrantes da Corte.
Pontos principais
- Eduardo Bolsonaro declarou que levará registros do julgamento a autoridades em Washington para pedir novas sanções.
- O STF realiza sessão extraordinária para analisar a Petição 16.662 sobre contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
- Gilmar Mendes atacou André Mendonça durante a sessão, classificando sua conduta como mafiosa e covarde.
- Mendes acusou Mendonça de tentar arrastar o STF para o processo eleitoral ao solicitar relatório da Polícia Federal.
- O plenário registra placar de 4 a 2 pela unificação dos casos de Moraes e Mendonça, com adiamento para 23 de setembro.
- Alexandre de Moraes defendeu a nulidade da investigação, alegando falta de pedido formal da PGR e interferência estrangeira.
- Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli declararam impedimento ou suspeição no julgamento do caso Banco Master.
- O ministro Cristiano Zanin argumentou que julgar o caso Moraes antes de Mendonça seria uma inversão lógica dos atos processuais.
- O professor Wagner Gundim avalia que o impasse processual agrava a crise de legitimidade e o desgaste institucional da Corte.
- O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a sessão desta terça-feira (15) devido ao racha entre os magistrados.
- A investigação foi solicitada após relatório da Polícia Federal apontar Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
- O pedido de vista do ministro Flávio Dino adiou a resposta do tribunal, gerando incertezas sobre os próximos passos.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro acusou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de tentarem deslegitimar o ministro André Mendonça durante a sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (15). O parlamentar, que se encontra nos Estados Unidos, afirmou que pretende utilizar os registros do julgamento para solicitar novas sanções internacionais contra integrantes da Corte, alegando que o tribunal estaria tentando ocultar irregularidades em meio à crise envolvendo o Banco Master.
A sessão, que analisa a Petição 16.662, foi marcada por um embate direto entre os magistrados. O ministro Gilmar Mendes criticou duramente a conduta de André Mendonça, acusando-o de aguardar o período eleitoral para solicitar um relatório da Polícia Federal sobre supostas conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mendes afirmou que Mendonça e seus aliados tentaram arrastar o STF para práticas eleitorais, chegando a classificar a postura do colega como uma tentativa de manipulação política.
Em sua defesa, o ministro Alexandre de Moraes sustentou que não existe pedido formal da Procuradoria-Geral da República (PGR) para a abertura de uma investigação contra ele, argumentando que o relatório da Polícia Federal seria imprestável e teria sofrido quebra de cadeia de custódia. Moraes votou a favor de reunir os procedimentos que tratam da sua situação e da de Mendonça, acompanhando questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, mas ficou vencido no placar parcial.
O plenário formou maioria provisória de 4 votos a 3 contra a reunião dos casos: Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela tramitação separada, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a análise conjunta. Antes da proclamação do resultado, o ministro Flávio Dino pediu vista e solicitou que sua manifestação favorável à reunião não fosse contabilizada, o que suspendeu o julgamento sem decisão definitiva — Dino tem até 90 dias corridos para devolver os autos. A composição do tribunal foi reduzida porque Kassio Nunes Marques declarou impedimento e Dias Toffoli, suspeição. O mérito, ou seja, se Moraes será formalmente investigado, não chegou a ser votado; a sessão de 23 de setembro segue marcada para analisar o pedido relativo a André Mendonça.
A repercussão do caso ultrapassou as fronteiras nacionais, com veículos de imprensa internacionais destacando o episódio como uma crise sem precedentes no Judiciário brasileiro. A tensão política é agravada pela proximidade das eleições presidenciais, transformando o julgamento no STF em um ponto central de debate sobre a independência dos poderes e a condução do devido processo legal no país.
Fonte primária
Tópicos relacionados
Cobertura da mídia
STF ‘sangra’ com impasse e amplia desgaste institucional, diz constitucionalista da PUC-SP
Times Brasil • 15 set, 21:36
Fachin suspende sessão no STF com ministros rachados e sem decidir sobre análise de casos Moraes e Mendonça
Folha de São Paulo - Política • 15 set, 18:32
Zanin vê ‘inversão lógica’ em analisar caso Moraes antes de questão sobre Mendonça
Times Brasil • 15 set, 17:33
