Documentos do STF revelam contratos de R$ 108 milhões entre Banco Master e família de Moraes
Arquivos tornados públicos pelo STF indicam contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes.
Pontos principais
- O STF suspendeu o sigilo de investigações que expuseram contratos entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados.
- Os documentos preveem honorários de R$ 108 milhões por contrato para atuação jurídica e consultoria estratégica.
- O escritório tem entre seus sócios Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e dois filhos do casal.
- A Polícia Federal identificou, por meio de metadados, que um perfil associado ao ministro Alexandre de Moraes editou duas vezes um contrato de R$ 131 milhões.
- O escritório Barci de Moraes nega a vigência dos contratos, afirmando que a proposta não foi aceita e que o vínculo foi extinto.
- A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro solicitou ao STF a filtragem de arquivos para proteger informações pessoais antes da abertura total de sigilo.
- O ministro André Mendonça, relator das investigações, autorizou a liberação de diversos processos após pressão da PGR e de outros ministros da Corte.
Documentos extraídos de investigações sobre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, revelaram a existência de contratos entre a instituição financeira e o escritório de advocacia Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Os arquivos, que tiveram o sigilo levantado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apontam valores de R$ 108 milhões por contrato, destinados a serviços de consultoria estratégica e atuação jurídica junto a órgãos como o Banco Central e a Receita Federal. O escritório, que possui entre seus sócios a esposa e filhos do ministro Alexandre de Moraes, nega que os acordos tenham entrado em vigor, sustentando que as propostas não foram aceitas e que o vínculo foi encerrado com a liquidação do banco.
Além dos valores mencionados, um relatório da Polícia Federal aponta que metadados indicam duas edições feitas por um perfil associado ao ministro Alexandre de Moraes em um contrato de R$ 131 milhões envolvendo as partes. O escritório de advocacia justificou o acesso do ministro ao documento alegando que ele foi consultado pelo setor de compliance para verificar possíveis impedimentos legais. A divulgação desses dados ocorreu em um cenário de intensa disputa interna no STF sobre a transparência das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e conexões políticas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A liberação dos documentos foi conduzida pelo ministro André Mendonça, após solicitações do presidente da Corte, Edson Fachin, e da Procuradoria-Geral da República. Enquanto a defesa de Vorcaro busca a preservação de dados pessoais e sigilosos em arquivos que não possuem relação direta com as apurações, outros ministros, como Cristiano Zanin, defenderam a abertura integral dos procedimentos para garantir a transparência. O plenário do STF deve discutir os desdobramentos desses relatórios e o impacto das revelações na integridade das investigações em uma sessão extraordinária agendada para a próxima terça-feira.
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