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Relatório da PF aponta contradições em notas de Alexandre de Moraes

Documentos da Polícia Federal revelam mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro, desafiando notas oficiais sobre a relação com o Banco Master.

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Foto: G1 Política
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14/09 às 07:45, atualizado 13:03

Pontos principais

  • Relatório da PF nº 3298613/2026 detalha extração forense do iPhone de Daniel Vorcaro.
  • Perícia confirmou padrão de envio de mensagens de Vorcaro para contato salvo como 'Alexandre de Moraes BRASILIA'.
  • Documentos indicam que o banqueiro enviava prints de textos via WhatsApp em modo de visualização única.
  • Contrato entre Banco Master e escritório da esposa de Moraes previa atuação perante o Banco Central.
  • Notas oficiais anteriores do gabinete do ministro negavam a existência de tais contatos e atuações profissionais.
  • O STF agendou sessão extraordinária para terça-feira (15) para analisar o relatório da Polícia Federal.
  • Procuradoria-Geral da República defendeu a retirada de sigilo de processos sobre pagamentos do Banco Master.

Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal, produzido a partir da extração forense do iPhone de Daniel Vorcaro, trouxe à tona evidências que contradizem notas oficiais emitidas pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes. O documento, identificado como Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 3298613/2026, detalha um padrão de comunicação entre o ex-dono do Banco Master e um contato salvo no aparelho como 'Alexandre de Moraes BRASILIA'. Segundo a perícia, Vorcaro redigia textos em seu aplicativo de notas, capturava imagens e as enviava via WhatsApp em modo de visualização única, prática que desafia as negativas formais feitas anteriormente pelo magistrado sobre a existência de trocas de mensagens com o empresário.

Além das comunicações, o material levantado pela PF aponta a existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O documento prevê expressamente a atuação do escritório perante o Banco Central, ponto que também havia sido negado em comunicados públicos do gabinete de Moraes. A revelação ocorre em um momento de alta tensão no Supremo Tribunal Federal, com a Corte dividida sobre o acesso aos dados sigilosos e a condução das investigações que envolvem a Operação Compliance Zero.

O plenário do STF realizará uma sessão extraordinária nesta terça-feira (15) para deliberar sobre o conteúdo do relatório. O julgamento, presidido pelo ministro Edson Fachin, deve definir se haverá a abertura de uma investigação formal contra o ministro ou se o material será anulado por questões processuais. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou favoravelmente à retirada do sigilo de processos correlatos, enquanto ministros divergem sobre o acesso integral às provas contidas no celular de Vorcaro, em um cenário que coloca em xeque a transparência das relações institucionais entre o Judiciário e o setor bancário.

Fonte primária

Polícia Federal (via Poder360)

Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A) nº 3298613/2026 — NADIP/DFIN/CGRC/DICOR/PF

Relatório de 218 páginas da PF, produzido a partir da extração forense (IPED/Cellebrite) do iPhone de Daniel Vorcaro apreendido na Operação Compliance Zero, e enviado ao ministro André Mendonça em 27/8/2026. A perícia reconstitui, por cruzamento de logs do sistema e registros de 'uso de aplicativos', um padrão repetido: Vorcaro redigia textos no app Notas do iPhone, tirava print e enviava a imagem por WhatsApp em modo 'visualização única' a um contato salvo como 'Alexandre de Moraes BRASILIA' — mesmo número também salvo como 'Novo', 'STF TSE NOVO' e 'Eu STF', todos compartilhados por 'Fábio Faria' em 26/12/2023. A PF identificou 52 notas nesse padrão e datou o primeiro contato registrado em 21/12/2023 (troca de dados de veículo para acesso à garagem do STF) e, entre as trocas analisadas, mensagens de 17/11/2025 nas quais o contato atribuído a Moraes teria respondido a Vorcaro com imagens de autodestruição em 24h. O relatório reproduz ainda a íntegra de dois contratos do escritório Barci de Moraes (mulher do ministro) — um com o Banco Master, assinado por Vorcaro em 23/1/2024, e outro com a Viking Participações — além do termo de dação em pagamento entre a Viking e o escritório. Nas considerações finais, a PF classifica a apuração como não exaustiva, dado o prazo de 72h para a resposta judicial, e informa que as investigações sobre pagamento de vantagens a servidores do Banco Central e sobre o grupo 'Turma' seguem em estágio avançado, com previsão de conclusão das oitivas em 60 dias.

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