Relatório da PF aponta contradições em notas de Alexandre de Moraes
Documentos da Polícia Federal revelam mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro, desafiando notas oficiais sobre a relação com o Banco Master.
Pontos principais
- Relatório da PF nº 3298613/2026 detalha extração forense do iPhone de Daniel Vorcaro.
- Perícia confirmou padrão de envio de mensagens de Vorcaro para contato salvo como 'Alexandre de Moraes BRASILIA'.
- Documentos indicam que o banqueiro enviava prints de textos via WhatsApp em modo de visualização única.
- Contrato entre Banco Master e escritório da esposa de Moraes previa atuação perante o Banco Central.
- Notas oficiais anteriores do gabinete do ministro negavam a existência de tais contatos e atuações profissionais.
- O STF agendou sessão extraordinária para terça-feira (15) para analisar o relatório da Polícia Federal.
- Procuradoria-Geral da República defendeu a retirada de sigilo de processos sobre pagamentos do Banco Master.
Um relatório de 218 páginas da Polícia Federal, produzido a partir da extração forense do iPhone de Daniel Vorcaro, trouxe à tona evidências que contradizem notas oficiais emitidas pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes. O documento, identificado como Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 3298613/2026, detalha um padrão de comunicação entre o ex-dono do Banco Master e um contato salvo no aparelho como 'Alexandre de Moraes BRASILIA'. Segundo a perícia, Vorcaro redigia textos em seu aplicativo de notas, capturava imagens e as enviava via WhatsApp em modo de visualização única, prática que desafia as negativas formais feitas anteriormente pelo magistrado sobre a existência de trocas de mensagens com o empresário.
Além das comunicações, o material levantado pela PF aponta a existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O documento prevê expressamente a atuação do escritório perante o Banco Central, ponto que também havia sido negado em comunicados públicos do gabinete de Moraes. A revelação ocorre em um momento de alta tensão no Supremo Tribunal Federal, com a Corte dividida sobre o acesso aos dados sigilosos e a condução das investigações que envolvem a Operação Compliance Zero.
O plenário do STF realizará uma sessão extraordinária nesta terça-feira (15) para deliberar sobre o conteúdo do relatório. O julgamento, presidido pelo ministro Edson Fachin, deve definir se haverá a abertura de uma investigação formal contra o ministro ou se o material será anulado por questões processuais. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou favoravelmente à retirada do sigilo de processos correlatos, enquanto ministros divergem sobre o acesso integral às provas contidas no celular de Vorcaro, em um cenário que coloca em xeque a transparência das relações institucionais entre o Judiciário e o setor bancário.
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