A fatia da força de trabalho urbana da Bolívia que procurou emprego e não encontrou, pela Encuesta Continua de Empleo do INE.
A taxa de desocupação (TD) da Bolívia: entre as pessoas de 14 anos ou mais que trabalham ou procuram trabalho na área urbana do país, a fatia que procurou e não encontrou. Vem da Encuesta Continua de Empleo (ECE) do INE.
Uma das mais baixas da região — mas não pelo motivo bom. Em boletins recentes o INE compara a Bolívia com os vizinhos: no 2º trimestre de 2026, 3,4% na Bolívia contra 8,9% no Chile, 8,7% na Colômbia, 7,8% no Argentina e 5,6% no Brasil. A explicação não é um mercado de trabalho mais aquecido: é que a informalidade bloliviana é altíssima (veja abaixo) — quem não tem carteira assinada nem contribuição à previdência ainda assim conta como "ocupado" se trabalhou uma hora na semana de referência, então a desocupação medida fica baixa quase por definição.
A pandemia foi o pico da série. A taxa saltou de 5,9% no 1º trimestre de 2020 para 10,8% no 3º trimestre do mesmo ano — o pior ponto da série —, e levou cerca de dois anos para voltar à faixa pré-pandemia.
De onde vem. A Encuesta Continua de Empleo (ECE) é a pesquisa domiciliar trimestral do INE sobre o mercado de trabalho da Bolívia, à população de 14 anos ou mais (a mesma idade mínima da PNAD Contínua brasileira; no Chile e no México o corte é 15 anos, nos Estados Unidos 16). Cada boletim reporta o trimestre civil (janeiro-março, abril-junho…), não um trimestre móvel.
Só a área urbana. A ECE não cobre a Bolívia inteira: o próprio boletim do INE abre dizendo que reporta "el mercado laboral del área urbana de Bolivia". Não existe uma versão nacional (urbana + rural) publicada — todos os pontos desta série, do primeiro ao mais recente, usam o mesmo recorte urbano, sem mistura.
Informalidade altíssima. O INE só passou a publicar a tasa de ocupación informal em texto a partir da edição do 2º trimestre de 2026: 82,3% dos ocupados urbanos estavam no setor informal, sem contrato registrado nem previdência pelo próprio trabalho — praticamente igual ao mesmo trimestre de 2025 (também 82,3%) e mais alta entre mulheres (84,4%) e jovens (92,0%). É só um ponto, sem série histórica publicada, por isso não vira indicador aqui — mas é o contexto que falta em qualquer leitura só pela taxa de desocupação: desocupação baixa não é sinal de mercado de trabalho forte quando 8 em cada 10 ocupados estão fora da formalidade.
Revisão de base. O INE recalibra a ECE pela projeção populacional em vigor (Revisão 2020, depois Revisão 2025) e, a cada recalibragem, reescreve a série inteira — os números de um mesmo trimestre mudam entre uma edição e outra do boletim (ex.: a PEA do 1T-2023 saiu como 4.596 mil no boletim de abril/2023 e como 4.433 mil no boletim de abril/2026, já na base nova). Esta ingestão sempre usa a edição mais recente disponível de cada trimestre, a versão mais revisada.
| Período | Desemprego | vs. período anterior |
|---|---|---|
| 2º tri 2026 | 3,4% | +0,2 p.p. |
| 1º tri 2026 | 3,2% | +0,9 p.p. |
| 4º tri 2025 | 2,3% | −0,6 p.p. |
| 3º tri 2025 | 2,9% | −0,2 p.p. |
| 2º tri 2025 | 3,1% | −0,7 p.p. |
| 1º tri 2025 | 3,8% | +0,5 p.p. |
| 4º tri 2024 | 3,3% | −0,3 p.p. |
| 3º tri 2024 | 3,6% | −0,1 p.p. |
| 2º tri 2024 | 3,7% | −0,4 p.p. |
| 1º tri 2024 | 4,1% | +0,2 p.p. |
| 4º tri 2023 | 3,9% | +0,3 p.p. |
| 3º tri 2023 | 3,6% | −0,4 p.p. |
| 2º tri 2023 | 4,0% | −0,8 p.p. |
| 1º tri 2023 | 4,8% | +0,5 p.p. |
| 4º tri 2022 | 4,3% | +0,1 p.p. |
| 3º tri 2022 | 4,2% | −0,3 p.p. |
| 2º tri 2022 | 4,5% | −1,4 p.p. |
| 1º tri 2022 | 5,9% | +0,7 p.p. |
| 4º tri 2021 | 5,2% | −1,1 p.p. |
| 3º tri 2021 | 6,3% | −1,4 p.p. |
| 2º tri 2021 | 7,7% | −1,0 p.p. |
| 1º tri 2021 | 8,7% | +0,3 p.p. |
| 4º tri 2020 | 8,4% | −2,4 p.p. |
| 3º tri 2020 | 10,8% | +2,4 p.p. |
| 2º tri 2020 | 8,4% | +2,5 p.p. |
| 1º tri 2020 | 5,9% | +1,1 p.p. |
| 4º tri 2019 | 4,8% | +0,5 p.p. |
| 3º tri 2019 | 4,3% | −0,6 p.p. |
| 2º tri 2019 | 4,9% | −1,2 p.p. |
| 1º tri 2019 | 6,1% | +1,8 p.p. |
| 4º tri 2018 | 4,3% | −0,4 p.p. |
| 3º tri 2018 | 4,7% | −0,2 p.p. |
| 2º tri 2018 | 4,9% | −0,9 p.p. |
| 1º tri 2018 | 5,8% | +1,3 p.p. |
| 4º tri 2017 | 4,5% | +0,1 p.p. |
| 3º tri 2017 | 4,4% | −1,3 p.p. |
| 2º tri 2017 | 5,7% | +0,1 p.p. |
| 1º tri 2017 | 5,6% | +1,2 p.p. |
| 4º tri 2016 | 4,4% | +0,4 p.p. |
| 3º tri 2016 | 4,0% | −0,5 p.p. |
| 2º tri 2016 | 4,5% | −1,3 p.p. |
| 1º tri 2016 | 5,8% | +1,2 p.p. |
| 4º tri 2015 | 4,6% | — |