A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal que apura fraudes financeiras e a existência de uma organização criminosa no Banco Master, liderada por Daniel Vorcaro. A operação, que já teve várias fases em 2026, resultou em prisões, afastamento de servidores do Banco Central e bloqueio de bens que superam bilhões de reais. As investigações revelaram uma rede de influência política e uma milícia privada para espionagem e intimidação, com o caso gerando repercussão e conflitos entre autoridades, além de negociações para acordos de delação premiada.
A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A segunda fase da operação, deflagrada em 14 de janeiro de 2026, teve como alvos o dono do banco, Daniel Vorcaro, seus familiares e parceiros de negócio, como o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur. A operação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Uma nova fase da operação, em 4 de março de 2026, levou ao afastamento de dois servidores do Banco Central (BC) por determinação do ministro André Mendonça, do STF, que já eram investigados internamente pela autarquia. Nesta mesma data, a terceira fase da operação resultou na prisão de Daniel Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, com a investigação apontando a existência de uma organização criminosa estruturada no Banco Master desde a década passada. Esta fase também determinou o bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões, visando interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas. Além de Vorcaro e Zettel, a terceira fase da operação também prendeu Luiz Phillipi Mourão Moraes, apelidado de “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. As investigações revelaram que Vorcaro mantinha uma rede de contatos com autoridades políticas e uma espécie de milícia privada para espionagem e intimidação. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", morreu em 6 de março de 2026, após uma tentativa de suicídio sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais. O Banco de Brasília (BRB), que havia negociado a compra do Banco Master, solicitou ao STF a garantia de reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos decorrentes das fraudes, pedindo que os acordos de delação premiada considerem o ressarcimento das partes lesadas. O BRB também confirmou que não divulgará o balanço de 2025 no prazo devido a essas questões.
A investigação da Operação Compliance Zero detectou a captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Daniel Vorcaro e seus parentes. A segunda fase da operação, em 14 de janeiro de 2026, cumpriu 40 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo São Paulo (com endereços na Avenida Faria Lima), Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Durante a operação, foram apreendidos carros importados, relógios de luxo, outros itens de valor e R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie. Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, chegou a ser detido no aeroporto quando tentava embarcar para Dubai, sendo liberado em seguida. O empresário Nelson Tanure foi localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, e seu celular foi apreendido.
O ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, expressou insatisfação com a Polícia Federal, reclamando da demora no cumprimento dos mandados. Ele havia determinado que as medidas cautelares fossem cumpridas a partir de 12 de janeiro, no prazo de 24 horas, o que não ocorreu. Toffoli destacou que a demora poderia permitir a descaracterização de provas essenciais. Além disso, o ministro determinou que todos os bens e materiais apreendidos fossem lacrados e acautelados diretamente na sede do STF, o que gerou preocupação na PF, que argumentou que a medida poderia prejudicar a investigação ao impedir a perícia imediata dos materiais, especialmente equipamentos eletrônicos. Na decisão de janeiro, Toffoli observou que as apurações ultrapassam os fatos inicialmente investigados e mencionou um “aparente aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”. Após a revelação de menções a ele no celular de Vorcaro e a descoberta de negócios de sua empresa com fundos acionistas do cunhado de Vorcaro, Toffoli renunciou à relatoria do caso.
Em 4 de março de 2026, uma nova fase da Operação Compliance Zero resultou no afastamento de dois servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup). O afastamento foi determinado pelo ministro André Mendonça, do STF, que assumiu a relatoria da investigação após Dias Toffoli deixar o caso. A PF utilizou informações levantadas por uma sindicância interna do próprio BC, iniciada no final do ano anterior, que já havia levado ao afastamento desses servidores. Eles são investigados por terem assinado uma série de documentos que, segundo a PF, deram sobrevida a negócios suspeitos do Banco Master. A auditoria do Banco Central investigava fatos relativos ao Banco Master desde 2018, quando Daniel Vorcaro obteve autorização para comprar o banco Máxima e o renomeou para Banco Master.
Na mesma data, a terceira fase da Operação Compliance Zero, também autorizada pelo ministro André Mendonça, levou à prisão de Daniel Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel, de Luiz Phillipi Mourão Moraes e do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Esta fase da investigação apura a existência de uma organização criminosa estruturada no Banco Master, com suspeitas de operar desde a década passada. Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. O objetivo desta fase é investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. As investigações contaram com o apoio do Banco Central. Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, os elementos reunidos pela Polícia Federal indicam que as operações sob apuração não foram fruto de descontrole pontual, mas resultado de um planejamento que se estenderia por anos, caracterizando uma “escalada de atividades criminosas”. A Polícia Federal também apontou a existência de possível risco sistêmico ao setor financeiro, examinando empréstimos estruturados, movimentações consideradas atípicas e operações com fundos de investimento que teriam apresentado rentabilidades extraordinárias. A defesa de Daniel Vorcaro, em nota, afirmou que o Banco Master “não realizou operações destinadas a beneficiar terceiros ou familiares de seu controlador” e que o banqueiro fez aportes sucessivos para reforçar a posição financeira da instituição. A Reag, também citada, declarou que não exerce controle sobre as empresas mencionadas e que os recursos questionados decorrem de operações de crédito estruturado usuais no mercado.
Após sua prisão em 4 de março de 2026, Daniel Vorcaro foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, em 5 de março de 2026. Em 6 de março de 2026, ele foi levado para uma penitenciária federal no Distrito Federal, a pedido da Polícia Federal, que alegou a necessidade de tutela de sua integridade física e o risco de que o banqueiro pudesse influenciar as investigações. A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e seguiu os protocolos operacionais de segurança do Sistema Penitenciário Federal, com apoio da Polícia Federal. Na penitenciária federal, Vorcaro permanecerá por pelo menos 20 dias em uma cela de inclusão, onde são apresentados a rotina da unidade e entregues itens essenciais. Após esse período, ele será transferido para uma cela definitiva de aproximadamente seis metros quadrados, equipada com cama, sanitário, pia, chuveiro, mesa, assento e roupa de cama, sem televisão, rádio, comunicação externa direta ou tomadas elétricas. A energia do chuveiro e das lâmpadas é ativada em horários predeterminados. Vorcaro terá direito a duas horas diárias de banho de sol e seis refeições por dia. Durante a custódia, Luiz Phillipi Mourão Moraes, conhecido como “Sicário”, atentou contra a própria vida, sendo internado em estado gravíssimo. A PF abriu um inquérito em 5 de março de 2026 para apurar o ocorrido. O advogado de Mourão contestou informações de que ele teria morrido, mas confirmou o estado de saúde grave. Em 6 de março de 2026, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão teve morte encefálica declarada às 18h55, após uma tentativa de suicídio sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais. A PF abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da custódia e o atendimento prestado. As investigações apontam que Mourão recebia a quantia de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro como remuneração por seus "serviços ilícitos", desempenhando um papel central na organização criminosa, executando ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
Em 6 de março de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar os vazamentos dos dados dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Daniel Vorcaro. A decisão foi motivada por um pedido da defesa do banqueiro, que alegou que os vazamentos ocorreram após o compartilhamento dos dados com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Os sigilos de Vorcaro foram solicitados pela CPMI para apurar supostas fraudes em empréstimos consignados de aposentados e pensionistas do INSS, com a defesa argumentando que conversas pessoais foram publicadas pela imprensa. Mendonça ressaltou que a quebra de sigilo não autoriza a publicidade das informações e que a investigação focará nas autoridades com o dever de zelar pelo sigilo, não na imprensa, que tem o sigilo da fonte garantido pela Constituição.
Em 2 de abril de 2026, o Banco de Brasília (BRB) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a reserva de dinheiro para cobrir os prejuízos causados pelas fraudes envolvendo as operações com o Banco Master. O BRB pediu que os acordos de delação premiada, em negociação com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, incluam o ressarcimento das partes lesadas. A medida judicial visa garantir a vinculação de bens, valores e ativos que venham a ser identificados ou recuperados. O BRB também confirmou que não divulgará o balanço de 2025 no prazo devido a essas questões.
Em 6 de março de 2026, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) nas investigações da fraude bilionária do Banco Master. Gonet afirmou que a análise de casos criminais pelo Ministério Público não pode ser considerada uma "formalidade vazia de importância" e que não cabe à Procuradoria atuar de forma imponderada. Essa declaração foi uma resposta às críticas do ministro André Mendonça, relator do inquérito no STF, que classificou como lamentável o fato de a PGR não ter visto urgência e ter solicitado mais prazo para se manifestar sobre a terceira fase da operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro. Gonet ressaltou que "os fatos – mesmo os mais graves – não podem deixar, por exemplo, de ser situados no tempo, até mesmo para que os pressupostos das medidas requeridas sejam avaliados em boa técnica". Ele acrescentou que "a gravidade do delito, como ensina a boa jurisprudência do STF, não basta em si para justificar toda e qualquer medida cautelar". Como exemplo da necessidade de cuidado nas providências cautelares, Gonet citou a tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", logo após sua prisão.
As investigações da Operação Compliance Zero revelaram mensagens no celular de Daniel Vorcaro que sugerem uma ampla rede de contatos e influência política. O banqueiro mantinha comunicação com figuras como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Também foram encontradas menções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, previa a defesa dos interesses da instituição e de Vorcaro junto ao Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional.
O ex-relator do caso no STF, Dias Toffoli, admitiu ser sócio da empresa Maridt, que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa de Toffoli vendeu sua fatia em um negócio de hospedagem no Paraná a fundos de investimentos que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Zettel foi financiador de campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Vorcaro também se encontrou com o presidente Lula em 2024, acompanhado do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que foi conselheiro do Banco Master, e de seu ex-sócio, Augusto Lima. Em agosto de 2025, o banqueiro esteve em Brasília para se encontrar com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em meio a negociações para uma possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Em 6 de março de 2026, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, negou ter mantido conversas com Daniel Vorcaro na data da prisão do banqueiro, em 17 de novembro de 2025. A suposta troca de mensagens foi divulgada pelo jornal O Globo, que teve acesso a prints encontrados no celular de Vorcaro pela Polícia Federal. Contudo, a Secretaria de Comunicação do STF divulgou nota afirmando que, após análise dos dados sigilosos, as mensagens não foram destinadas a Moraes, mas a outros contatos de Vorcaro, cujos nomes não foram revelados devido ao sigilo.
A Polícia Federal descobriu que Daniel Vorcaro mantinha uma espécie de milícia privada para coletar informações sensíveis, realizar espionagem ilegal e ameaçar adversários, autoridades e jornalistas. Mensagens no celular do banqueiro revelaram um plano para que o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo, fosse agredido em um assalto forjado. Os investigadores também identificaram que Vorcaro e seus colaboradores acessaram sistemas restritos do Ministério Público, da Polícia Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi identificado como um dos principais ajudantes de Vorcaro nessa rede. Ele era responsável pela obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro. "Sicário" é apontado como um dos homens contratados por Vorcaro para monitorar e atacar adversários. As investigações indicam que Mourão recebia R$ 1 milhão por mês de Daniel Vorcaro por seus "serviços ilícitos", desempenhando um papel central na organização criminosa, executando ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
Em 6 de março de 2026, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), elogiou a prisão de Daniel Vorcaro, chamando-o de “desgraçado” e expressando o desejo de que ele “morra lá (na cadeia) até apodrecer”. Nunes também manifestou o desejo de que autoridades envolvidas no escândalo fossem punidas, incluindo ministros, deputados e senadores.
14 de jan, 2026
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6 de mar, 2026