André Lara Resende propõe queda gradual da Selic para 7,5% em 12 meses
No Brasil, André Lara Resende propõe queda gradual da Selic para 7,5% em 12 meses e sustenta que juros altos pressionam a dívida pública e, no longo prazo, a inflação; a tese ganha apoio de setores ligados ao governo Lula.
Pontos principais
- Lara Resende propõe queda gradual da Selic em cerca de 12 meses até 7,5% ao ano, nível de partida que inclui 2 pontos de spread transitório.
- O custo médio da dívida chegou a 12,68% ao ano em junho, e os juros somam cerca de 10,5% do PIB ao ano sobre a dívida bruta, com déficit primário pequeno.
- A dívida/PIB cresce cerca de 5,7% ao ano: a dívida bruta sobe 12,7% e o PIB nominal, cerca de 7%.
- Mais da metade da dívida está atrelada à Selic, o que neutralizaria a alta da inflação no curto prazo; reservas acima de US$ 350 bilhões permitiriam suavizar depreciações do câmbio.
- O Conselho Fiscal e Monetário Nacional definiria metas fiscais e monetárias para quatro a cinco anos, com a taxa básica entre 3% e 5,5% no regime permanente.
- José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, diz que a coordenação “merece atenção especial” e que o país precisaria de superávit primário de R$ 466 bilhões até 2027 para estabilizar a dívida.
O economista André Lara Resende apresentou uma tese que desafia o consenso do mercado financeiro: para ele, juros altos elevam a inflação no longo prazo, e o principal entrave para a estabilidade da dívida pública brasileira está no custo dos juros, não no volume de gastos, embora reconheça que o país gasta mal. A proposta prevê queda gradual da Selic em cerca de 12 meses até 7,5% ao ano, como ponto de partida, e a criação do Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que definiria metas fiscais e monetárias para quatro a cinco anos.
Segundo Lara Resende, a dívida curta, com mais da metade atrelada à Selic, evitaria que a queda dos juros elevasse a inflação no curto prazo, e reservas acima de US$ 350 bilhões permitiriam ao Banco Central conter depreciações do câmbio. O 7,5% seria 5,5% (meta de inflação de 3% mais crescimento real potencial de 2,5%) acrescidos de 2 pontos transitórios de segurança; no regime permanente, a taxa ficaria entre 3% e 5,5%.
A ideia chamou atenção de integrantes do governo: José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, diz que a coordenação “merece atenção especial”. Membros do governo, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negaram que haja reunião agendada entre Lula e Lara Resende sobre o tema.
