Lula se reúne com Lara Resende para discutir proposta sobre Selic
Lula recebe em Brasília o economista André Lara Resende, que propõe reduzir a taxa básica de juros do Brasil para 7,5% ao ano, o que preocupa o mercado.
Pontos principais
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o economista André Lara Resende em Brasília nesta semana.
- Em artigo publicado no seu Substack em 25 de setembro, Lara Resende propõe um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária para reduzir a Selic.
- O Conselho Fiscal e Monetário Nacional fixaria metas fiscais e monetárias para quatro a cinco anos, com a Selic entre a meta de inflação, de 3%, e o crescimento nominal potencial, de cerca de 5,5% ao ano.
- Na transição, a Selic cairia em cerca de 12 meses para 7,5% ao ano, com uma margem temporária de 2 pontos percentuais que seria retirada gradualmente.
- Segundo o autor, a economia fiscal seria de cerca de 4% do PIB por ano, e o déficit nominal cairia de mais de 10% para cerca de 6% do PIB.
- A ideia causou preocupação no mercado financeiro antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encontro agendado, em Brasília, com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para discutir uma proposta publicada por ele em setembro. Para Lara Resende, a dívida pública cresce sobretudo por causa dos juros, cujo custo médio chegou a 12,68% ao ano em junho. Segundo ele, a dívida atrelada à Selic, mais da metade do total, neutralizaria o efeito inflacionário de curto prazo da queda dos juros, e reservas acima de US$ 350 bilhões permitiriam ao Banco Central suavizar depreciações mais acentuadas do real.
Ele reconhece que a queda dos juros pode provocar saída de capitais especulativos e pressionar o câmbio. A proposta entrou no radar do governo em um momento de pressão por ajustes fiscais, mas gerou apreensão imediata no mercado financeiro. Investidores temem que a mudança no arranjo entre as políticas fiscal e monetária comprometa a autonomia do Banco Central e a estabilidade econômica. O diálogo ocorre poucos dias antes da próxima decisão do Comitê de Política Monetária, que definirá o novo patamar dos juros básicos do país.
