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Juros devem permanecer em dois dígitos até 2028, projeta Gustavo Loyola

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, alerta que a pressão fiscal e o endividamento público manterão os juros em patamares elevados.

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Foto: Times Brasil
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02/11 às 07:15, atualizado 15:01

Pontos principais

  • Gustavo Loyola prevê que a taxa Selic se manterá em dois dígitos até 2028.
  • O economista aponta a trajetória da dívida pública como o principal fator de pressão sobre a política monetária.
  • Loyola descreve um efeito de 'bola de neve' onde juros altos elevam o custo da dívida, dificultando o equilíbrio das contas.
  • O cenário é agravado pela percepção de falta de engajamento político para a implementação de reformas estruturais.

O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, projeta que a taxa de juros brasileira permanecerá em dois dígitos até pelo menos 2028. Em entrevista ao canal Stock Pickers, o economista destacou que a persistência de juros elevados é uma consequência direta da delicada situação fiscal do país e do crescente endividamento público, que limitam a margem de manobra da autoridade monetária.

Segundo Loyola, o Brasil enfrenta um círculo vicioso onde a necessidade de manter taxas de juros altas para conter a inflação acaba por elevar o custo de rolagem da dívida pública, criando um efeito de "bola de neve". O especialista ressalta que o Banco Central tem atuado de forma isolada na contenção da economia, enquanto a ausência de um ajuste fiscal robusto e a dificuldade política para aprovar reformas estruturais mantêm o prêmio de risco elevado no mercado financeiro.

O diagnóstico de Loyola é compartilhado por parte do mercado, que observa com cautela a trajetória da dívida, que subiu de 71,7% do PIB em 2022 para cerca de 82,9% em agosto de 2026. Enquanto economistas como André Lara Resende criticam a política de juros atual, argumentando que ela seria a causa do desequilíbrio fiscal, o Banco Central mantém a justificativa de que a Selic alta é a ferramenta necessária para ancorar as expectativas e garantir a estabilidade macroeconômica diante das incertezas fiscais.

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