Visão geral
A Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela influencia diretamente outras taxas de juros, como as de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. A expectativa de sua queda pode impactar positivamente o mercado de ações, como o Ibovespa. Desde 16 de setembro de 2026, a meta da Selic está em 13,75% ao ano.
Contexto histórico e desenvolvimento
A Taxa SELIC é definida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central do Brasil e serve como um instrumento de política monetária para controlar a inflação. Sua variação afeta o custo do crédito e o rendimento de investimentos, sendo um fator crucial para a estabilidade econômica do país. Um cenário de queda da SELIC, combinado com um ambiente externo favorável a mercados emergentes, pode impulsionar o desempenho de índices como o Ibovespa.
Ciclo de cortes de 2026
Depois de manter a Selic em 15,00% ao ano na reunião de 28 de janeiro de 2026, o Copom iniciou um ciclo de cortes de 0,25 ponto percentual por reunião: 14,75% em 18 de março, 14,50% em 29 de abril, 14,25% em 17 de junho, 14,00% em 5 de agosto e 13,75% em 16 de setembro, o quinto corte seguido.
A decisão de 16 de setembro (281ª reunião) foi unânime entre os sete membros do comitê, presidido por Gabriel Galípolo. No comunicado, o Copom registrou moderação gradual da atividade econômica, sobretudo nos setores mais cíclicos, mercado de trabalho ainda aquecido e expectativas de inflação acima da meta: a pesquisa Focus apontava IPCA de 4,9% em 2026 e 4,3% em 2027. As projeções do próprio comitê no cenário de referência foram de 5,2% para 2026, 3,9% para 2027 e 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante da política monetária. O comitê não sinalizou os próximos passos e afirmou que a magnitude total do ciclo "será estabelecida à luz de novas informações".
A ata da reunião, publicada em 22 de setembro de 2026, reiterou que a desancoragem das expectativas exige restrição monetária por mais tempo e que "perseverança, firmeza e serenidade" na condução dos juros são necessárias para reancorá-las. O documento apontou que a inflação segue pressionada pela demanda, que choques de oferta como a alta do petróleo ligada ao conflito no Oriente Médio têm influência relevante sobre os preços, e que o enfraquecimento de reformas estruturais, a perda de disciplina fiscal e a expansão do crédito direcionado podem elevar a taxa de juros neutra da economia. Na mesma semana, a pesquisa Focus projetava a Selic em 13,50% ao fim de 2026.
Em 23 de setembro de 2026, em evento do banco J.Safra, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que o BC promove um ciclo de "calibração", e não de flexibilização monetária, e que os juros "seguirão em patamar contracionista ao fim desse processo". Segundo ele, o fenômeno El Niño e a guerra no Oriente Médio aumentaram a incerteza, e a prescrição nesse ambiente é "fazer movimentos suaves e previsíveis". David acrescentou que a cotação do petróleo "parece estar se consolidando em patamar mais elevado".
Os dados da semana seguinte mostraram inflação acima do previsto. Em 25 de setembro de 2026, o IBGE divulgou o IPCA-15 de setembro, prévia da inflação oficial, com alta de 0,70%, depois de deflação de 0,40% em agosto; o mercado esperava 0,52%, segundo o Focus de 21 de setembro. O principal impacto veio de Habitação (2,07%), puxada pela energia elétrica residencial (7,42%) com o fim do bônus de Itaipu concedido em agosto. Em 12 meses, o índice acumulou 4,47%, a 0,03 ponto do teto da meta, de 4,5%. No Boletim Focus de 28 de setembro, a projeção do IPCA de 2026 subiu pela segunda semana seguida, de 4,92% para 4,99%, e a de 2027 passou de 4,30% para 4,31%; a mediana para a Selic foi mantida em 13,50% ao fim de 2026, 12% ao fim de 2027 e 10,50% ao fim de 2028. A próxima reunião do Copom está marcada para 3 e 4 de novembro de 2026.
Efeitos sobre o crédito e as famílias
Em 22 de setembro de 2026, ao divulgar o boletim macrofiscal, o Ministério da Fazenda atribuiu o aperto no orçamento das famílias ao custo das modalidades de crédito mais caras, como o rotativo do cartão, com juros de cerca de 436% ao ano, e o cheque especial. Segundo o subsecretário de Política Macroeconômica, Rafael Leão, o endividamento está praticamente estável há três anos e o crescimento do crédito é moderado; ele afirmou que o aperto nessas linhas deve diminuir "conforme a política monetária vai se flexibilizando". No mesmo boletim, a pasta reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2,3% para 2%.
O Orange Book do Itaú, levantamento setorial com dados coletados em agosto de 2026 e noticiado em 23 de setembro, descreveu uma economia em duas velocidades: setores que dependem de financiamento de longo prazo, como construção civil, máquinas e bens de capital, metalurgia, embalagens e a cadeia automotiva, sentem os juros elevados, enquanto turismo, farmácias, educação, alimentação fora do lar, óleo e gás e mineração seguem resilientes, sustentados pelo mercado de trabalho. O relatório também apontou escassez de mão de obra em 18 dos 34 subsetores analisados e pressão da concorrência chinesa sobre as margens da indústria.
Linha do tempo
- 2026: Perspectivas de queda da SELIC contribuem para o Ibovespa atingir patamares elevados, superando 165 mil pontos pela primeira vez.
- 28 de janeiro de 2026: Copom mantém a Selic em 15,00% ao ano.
- 18 de março de 2026: primeiro corte do ciclo, para 14,75% ao ano.
- 5 de agosto de 2026: quarto corte seguido, para 14,00% ao ano.
- 16 de setembro de 2026: quinto corte seguido, por unanimidade, para 13,75% ao ano.
- 22 de setembro de 2026: ata do Copom reforça a necessidade de política restritiva diante das expectativas desancoradas; no mesmo dia, a Fazenda revisa o PIB de 2026 para 2%.
- 23 de setembro de 2026: o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, descreve o ciclo como de "calibração" e defende movimentos suaves e previsíveis.
- 25 de setembro de 2026: IPCA-15 de setembro sobe 0,70%, acima do esperado, e acumula 4,47% em 12 meses.
- 28 de setembro de 2026: Focus eleva a projeção do IPCA de 2026 para 4,99% e mantém a Selic de fim de ano em 13,50%.
Principais atores
- Banco Central do Brasil: Instituição responsável por definir a Taxa SELIC através do COPOM.
- COPOM (Comitê de Política Monetária): Órgão do Banco Central que estabelece a meta para a Taxa SELIC.
- Mercado financeiro: Agentes que reagem às expectativas e decisões sobre a SELIC, influenciando investimentos e o custo do crédito.
- Investidores: Indivíduos e instituições que tomam decisões de investimento baseadas, em parte, nas projeções da Taxa SELIC.
Termos importantes
- Ibovespa: Principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), que reflete o desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de capitais brasileiro.
- Mercados emergentes: Economias em desenvolvimento que apresentam potencial de crescimento e atraem investimentos, muitas vezes sensíveis a fatores como taxas de juros e cenários econômicos globais.
- Política monetária: Conjunto de medidas adotadas pelo Banco Central para controlar a oferta de moeda, o crédito e as taxas de juros, visando a estabilidade de preços e o crescimento econômico.
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