Resolução da ONU contra bloqueio a Cuba tem menor apoio em 30 anos
A Assembleia Geral da ONU, em Nova York, aprovou por 130 votos a 17 resolução que pede o fim do embargo dos EUA a Cuba, com queda de apoio em relação a 2024 e 2025.
Pontos principais
- A resolução que pede o fim do embargo econômico, comercial e financeiro dos EUA contra Cuba foi aprovada com 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções.
- Em 2024, a resolução teve 187 votos a favor; em 2025, 165 a favor, 7 contra e 12 abstenções.
- Em 2025, votaram contra Argentina, Hungria, Israel, Macedônia do Norte, Paraguai, Ucrânia e Estados Unidos.
- A Assembleia insta os Estados que aplicam leis de efeito extraterritorial, como a Lei Helms-Burton (1996), que atinge negócios de terceiros países com Cuba, a revogá-las ou invalidá-las o quanto antes, sem prazo fixado.
- Antes da votação, o representante dos EUA pediu que os Estados-membros rejeitassem a resolução e acusou Havana de corrupção e repressão.
- Segundo o representante dos EUA, o país exportou US$ 876 milhões a Cuba neste ano, incluindo combustível, o que ele usou para rejeitar a tese de bloqueio.
- O representante dos EUA citou registros financeiros que, segundo ele, mostram US$ 18 bilhões em ativos controlados por militares, e acusou o governo cubano de manter 800 presos políticos.
- O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, mostrou um relógio digital em dólares e disse que, desde o debate do dia anterior, o prejuízo econômico ao país chegou a US$ 22,9 milhões.
- O embaixador cubano relatou que a mortalidade infantil na ilha dobrou entre 2025 e 2026.
Ao apresentar o projeto, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que Cuba não é uma ameaça e que o bloqueio é. Ele respondeu à frase do representante americano segundo a qual esta é a América dizendo que a ONU é a capital do multilateralismo, e que a fala revelava uma visão do mundo como se fosse território dos EUA.
O governo cubano diz que vai resistir à pressão, que descreve como a mais severa em décadas. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo denunciou que as sanções em tecnologia e energia elevaram a mortalidade infantil no país. Diante do isolamento e da ordem de prisão contra Raúl Castro, Havana busca mitigar os impactos com reformas internas e parcerias com a China para a transição energética.
