Visão geral
A tensão entre Cuba e os Estados Unidos é um tema recorrente nas relações internacionais, marcada por um histórico de desconfiança e sanções. Recentemente, essa tensão foi reacendida por declarações do então presidente dos EUA, Donald Trump, que sugeriu a existência de negociações e aumentou a pressão sobre a ilha, ameaçando com tarifas países que fornecem petróleo a Cuba. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, negou a ocorrência de diálogos substanciais, exceto contatos técnicos sobre migração, enquanto o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou "estado de emergência internacional" em resposta às ameaças tarifárias. Milhares de cubanos também foram às ruas em Havana para protestar contra as ameaças dos EUA, em um evento que reforçou o sentimento anti-imperialista na ilha. A situação gerou reações internacionais, com o Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil manifestando apoio a Cuba e defendendo a soberania da ilha diante das ameaças americanas. O Papa Leão 14 também expressou preocupação, pedindo um "diálogo sincero e eficaz" para evitar violência e sofrimento para o povo cubano.
Contexto histórico e desenvolvimento
As relações entre Cuba e Estados Unidos são historicamente complexas e frequentemente hostis. Após a Revolução Cubana de 1959, os EUA impuseram um embargo econômico que perdura até hoje. Ao longo das décadas, houve períodos de maior ou menor distensão, mas a normalização completa nunca foi alcançada. Em janeiro de 2026, a tensão foi intensificada após a captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, por forças militares americanas. Donald Trump, então presidente dos EUA, utilizou suas redes sociais para pressionar Cuba, afirmando que "não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba: Zero!" e sugerindo que a ilha deveria "alcançar um acordo, antes que seja tarde demais". Trump também mencionou estar "conversando com Cuba", sem fornecer detalhes sobre a natureza dessas conversas. Ele justificou a ameaça de tarifas a países que fornecem petróleo a Cuba como necessária para proteger a "segurança nacional e a política externa dos EUA das ações e políticas malignas do regime cubano", prevendo que "Cuba entrará em colapso muito em breve" e reiterando que a negociação poderia evitar uma "crise humanitária". Em resposta, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, refutou as alegações de negociações em andamento, exceto por "contatos técnicos no âmbito migratório", que são acordos bilaterais em vigor. Díaz-Canel enfatizou que as relações entre os dois países, para avançarem, devem se basear no direito internacional, e não na hostilidade, ameaça e coerção econômica. O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou "estado de emergência internacional" em resposta ao alerta tarifário dos EUA, classificando-o como uma "ameaça incomum e extraordinária". A intensificação das críticas de Trump e as sanções impostas pelos EUA desde a década de 1960, somadas ao rompimento dos laços econômicos entre Cuba e Venezuela no final de 2025 após a captura de Maduro, levaram a uma mobilização popular em Havana. Em 27 de janeiro de 2026, milhares de cubanos, incluindo o presidente Díaz-Canel, participaram da tradicional "Marcha das Tochas" com um forte tom anti-imperialista, protestando contra as ameaças dos EUA. Em 31 de janeiro de 2026, o Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil publicou uma nota pública expressando "total apoio à República de Cuba" e condenando as ameaças da administração Trump, reafirmando o compromisso com a soberania e autodeterminação do povo cubano. O PT também denunciou o bloqueio unilateral imposto a Cuba há mais de 65 anos e acusou Trump de tentar sufocar a economia cubana ao impedir a chegada de combustíveis. Em 1º de fevereiro de 2026, o Papa Leão 14 expressou profunda preocupação com o aumento das tensões, unindo-se aos bispos cubanos para exortar os responsáveis a promoverem um "diálogo sincero e eficaz" para evitar violência e mais sofrimento para o povo cubano.
Linha do tempo
- 12 de janeiro de 2026: Donald Trump afirma que seu governo está em conversas com Cuba e aumenta a pressão sobre a ilha, sugerindo um "acordo".
- 12 de janeiro de 2026: Miguel Díaz-Canel nega a existência de negociações com os EUA, exceto por contatos técnicos migratórios, e defende o direito internacional como base para as relações.
- 27 de janeiro de 2026: Milhares de cubanos, incluindo o presidente Miguel Díaz-Canel, participam da 'Marcha das Tochas' em Havana em protesto contra as ameaças dos EUA, com um tema anti-imperialista.
- 31 de janeiro de 2026: O Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil publica nota de apoio a Cuba e condena ameaças dos EUA.
- 1º de fevereiro de 2026: O Papa Leão 14 pede um "diálogo sincero e eficaz" entre EUA e Cuba para evitar violência e sofrimento.
Principais atores
- Miguel Díaz-Canel: Presidente de Cuba, representando a posição cubana de não negociação sob pressão e defesa do direito internacional. Liderou a 'Marcha das Tochas' em protesto contra as ameaças dos EUA.
- Donald Trump: Então presidente dos Estados Unidos, responsável por aumentar a pressão sobre Cuba, ameaçar com tarifas e sugerir a existência de diálogos para evitar uma "crise humanitária".
- Litza Elena González: Presidente da Federação de Estudantes Universitários, destacou que a 'Marcha das Tochas' foi um "chamado à ação".
- Midgdelio Rosabal: Operário cubano, expressou que "os cubanos não têm medo, embora queiramos a paz" durante a 'Marcha das Tochas'.
- Partido dos Trabalhadores (PT): Partido político brasileiro que manifestou "total apoio à República de Cuba" diante das ameaças dos EUA, defendendo a soberania e autodeterminação da ilha.
- Papa Leão 14: Líder da Igreja Católica, que expressou preocupação com o aumento das tensões e pediu um "diálogo sincero e eficaz" entre EUA e Cuba.
- Bruno Rodríguez: Ministro das Relações Exteriores de Cuba, que declarou "estado de emergência internacional" em resposta às ameaças tarifárias dos EUA.
Termos importantes
- Acordos migratórios bilaterais: Entendimentos entre dois países para regular a migração, que Cuba afirma cumprir cuidadosamente com os EUA.
- Coerção econômica: Uso de medidas econômicas, como sanções ou embargos, para forçar um país a mudar suas políticas.
- Direito internacional: Conjunto de normas e princípios que regem as relações entre os Estados, defendido por Cuba como base para suas relações com os EUA.
- Truth Social: Rede social utilizada por Donald Trump para fazer declarações públicas.
- Marcha das Tochas: Evento tradicional realizado na noite de 27 de janeiro em Havana, véspera do aniversário de José Marti, que em 2026 se tornou um protesto anti-imperialista contra as ameaças dos EUA.
- Estado de emergência internacional: Declaração feita pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba em resposta às ameaças tarifárias dos EUA, indicando uma situação de grave preocupação.
- Tarifas: Impostos sobre bens importados, ameaçados por Trump contra países que fornecem petróleo a Cuba.
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