As relações entre Cuba e Estados Unidos são historicamente complexas e frequentemente hostis. Após a Revolução Cubana de 1959, os EUA impuseram um embargo econômico que perdura até hoje. Ao longo das décadas, houve períodos de maior ou menor distensão, mas a normalização completa nunca foi alcançada. Em janeiro de 2026, a tensão foi intensificada após a captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, por forças militares americanas. Donald Trump, então presidente dos EUA, utilizou suas redes sociais para pressionar Cuba, afirmando que "não haverá mais petróleo nem dinheiro para Cuba: Zero!" e sugerindo que a ilha deveria "alcançar um acordo, antes que seja tarde demais". Trump também mencionou estar "conversando com Cuba", sem fornecer detalhes sobre a natureza dessas conversas. Ele justificou a ameaça de tarifas a países que fornecem petróleo a Cuba como necessária para proteger a "segurança nacional e a política externa dos EUA das ações e políticas malignas do regime cubano", prevendo que "Cuba entrará em colapso muito em breve" e reiterando que a negociação poderia evitar uma "crise humanitária". Em resposta, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, refutou as alegações de negociações em andamento, exceto por "contatos técnicos no âmbito migratório", que são acordos bilaterais em vigor. Díaz-Canel enfatizou que as relações entre os dois países, para avançarem, devem se basear no direito internacional, e não na hostilidade, ameaça e coerção econômica. O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou "estado de emergência internacional" em resposta ao alerta tarifário dos EUA, classificando-o como uma "ameaça incomum e extraordinária". A intensificação das críticas de Trump e as sanções impostas pelos EUA desde a década de 1960, somadas ao rompimento dos laços econômicos entre Cuba e Venezuela no final de 2025 após a captura de Maduro, levaram a uma mobilização popular em Havana. Em 27 de janeiro de 2026, milhares de cubanos, incluindo o presidente Díaz-Canel, participaram da tradicional "Marcha das Tochas" com um forte tom anti-imperialista, protestando contra as ameaças dos EUA. Em 31 de janeiro de 2026, o Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil publicou uma nota pública expressando "total apoio à República de Cuba" e condenando as ameaças da administração Trump, reafirmando o compromisso com a soberania e autodeterminação do povo cubano. O PT também denunciou o bloqueio unilateral imposto a Cuba há mais de 65 anos e acusou Trump de tentar sufocar a economia cubana ao impedir a chegada de combustíveis. Em 1º de fevereiro de 2026, o Papa Leão 14 expressou profunda preocupação com o aumento das tensões, unindo-se aos bispos cubanos para exortar os responsáveis a promoverem um "diálogo sincero e eficaz" para evitar violência e mais sofrimento para o povo cubano.