Visão geral
O Partido Republicano (Republican Party, ou GOP) é um dos dois grandes partidos dos Estados Unidos, ao lado do Partido Democrata, e fica na direita do espectro político. É o partido do presidente Donald Trump. Não é o Republicanos, partido brasileiro de número 10: são legendas de países diferentes, com nomes parecidos.
Fundado em 1854 por ativistas contra a expansão da escravidão, elegeu Abraham Lincoln em 1860 e teve 19 presidentes, mais do que qualquer outro partido americano. Seu símbolo é o elefante, e a cor, o vermelho. Desde a eleição de Trump em 2016, a ala dominante é a do populismo de direita, conhecida como MAGA ou "America First".
Nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro de 2026, o partido perdeu a Câmara e o Senado, segundo as projeções da AP e das grandes redes. A maioria republicana continua até 3 de janeiro de 2027, quando o novo Congresso toma posse. Trump segue na Presidência até janeiro de 2029.
O Partido Republicano é de direita ou de esquerda?
É de direita. Até a chegada de Trump, o partido era descrito principalmente como conservador, na linha de Ronald Reagan: livre mercado, conservadorismo social e política externa dura. Hoje, a ala dominante é populista de direita e nacionalista, com grupos menores de conservadores tradicionais, da direita cristã, de libertários e de moderados.
A classificação mais à direita é disputada. A Freedom House, em relatório de 2026, descreve simplesmente "os republicanos na direita e os democratas na esquerda". Estudos comparativos como os do V-Dem Institute colocam o partido na extrema-direita, em comparação com partidos de outros países.
O que defende. Na economia: tarifas altas sobre importações, corte de imposto de renda para as faixas mais altas e oposição a sindicatos. Na saúde: é contra o Obamacare, a ampliação do Medicaid e um sistema público único. Nos temas sociais: oposição ao aborto, aos direitos LGBTQ e ao controle de armas. Na imigração: restrição e deportações. Na política eleitoral: regras mais rígidas para votar, com o argumento de combater fraude. Defende também uma Presidência mais forte. Na política externa, "America First": apoio tradicional a Israel, embora uma ala cada vez maior o critique desde 2025, e divisão sobre a ajuda à Ucrânia.
Partido Republicano e Republicanos: qual a diferença?
O nome se repete em vários países, e os partidos são distintos.
- Republicanos (Brasil): partido de número 10, chamado PRB até 2019. Presidido por Marcos Pereira, define-se como de centro-direita, conservador e liberal na economia. É o partido de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo.
- Partido Republicano da Ordem Social (Brasil): o PROS deixou de existir em fevereiro de 2023, incorporado pelo Solidariedade por decisão do TSE.
- Partido Republicano (Chile): é a legenda de José Antonio Kast, eleito presidente do Chile em dezembro de 2025.
Diferença entre republicanos e democratas
Os dois partidos dominam a política americana desde a década de 1850.
- Origem: o Partido Democrata é de 1828; o Republicano, de 1854.
- Espectro: os republicanos ficam na direita; os democratas, no centro e na centro-esquerda.
- Economia: os republicanos de hoje apoiam tarifas e se opõem aos sindicatos; os democratas defendem regulação, programas sociais e sindicatos.
- Saúde: os republicanos combatem o Obamacare desde a aprovação, e nenhum parlamentar do partido votou a favor da lei. Em 2025, recusaram-se a prorrogar os subsídios do programa, o que levou à paralisação do governo de 43 dias.
- Temas sociais: os republicanos se opõem ao direito ao aborto, aos direitos LGBTQ e ao controle de armas; os democratas os defendem.
- Eleitores: na eleição de 2026, os republicanos lideraram entre homens brancos (55%), eleitores de 65 anos ou mais (51%), moradores de áreas rurais e pessoas sem diploma universitário (51%), segundo pesquisa da SSRS para a AP e outros veículos (DW).
- Cores e símbolos: o vermelho e o elefante são republicanos; o azul e o burro, democratas. As cores se fixaram na eleição de 2000 e são o inverso do costume fora dos EUA.
De onde vêm os nomes e o elefante. O nome homenageia o republicanismo de Thomas Jefferson. "Grand Old Party" (Grande Velho Partido) aparece a partir de 1876, e a sigla GOP, em 1884. O elefante ganhou fama com um cartum de Thomas Nast publicado na revista Harper's Weekly em 7 de novembro de 1874.
História
Origem e Guerra Civil (1854-1877). O partido nasceu da reação à lei Kansas-Nebraska, que abria territórios do Oeste à escravidão. A primeira reunião a sugerir o nome foi em Ripon, no Wisconsin, em 20 de março de 1854, e a primeira convenção estadual com o nome foi perto de Jackson, em Michigan, em 6 de julho. Reuniu ex-whigs e antigos integrantes de outros grupos do Norte. A eleição de Lincoln em 1860 levou os estados do Sul à secessão e à Guerra Civil. Sob Lincoln e um Congresso republicano, o partido venceu a Confederação e aboliu a escravidão. Na Reconstrução, buscou estender direitos civis aos ex-escravizados.
Domínio até a Depressão (1877-1932). Do fim dos anos 1870 em diante, o foco passou aos negócios e à indústria, com tarifas protecionistas, ferrovias e padrão-ouro. O partido dominou a política nacional até 1932. Em 1912, rachou: Theodore Roosevelt criou o Partido Progressista contra William Howard Taft, e o democrata Woodrow Wilson venceu. A Grande Depressão e o New Deal tiraram o partido do poder por duas décadas.
Eisenhower, Nixon e a virada do Sul (1952-1980). Dwight Eisenhower, eleito em 1952, aceitou boa parte do New Deal. Depois da Lei dos Direitos Civis de 1964 e da Lei do Direito ao Voto de 1965, a chamada "estratégia sulista" atraiu eleitores brancos descontentes com o apoio democrata aos direitos civis. O Sul passou a votar republicano para presidente, e o Nordeste, democrata. Depois da decisão Roe contra Wade, de 1973, o partido passou a se opor ao aborto em seu programa e cresceu entre os evangélicos. Até o início dos anos 1980, nomes como Nixon, Ford, Reagan e George H. W. Bush tinham posições favoráveis ao direito de escolha.
Reagan e os Bush (1981-2009). Reagan, presidente de 1981 a 1989, juntou defensores do livre mercado, conservadores sociais e falcões da política externa. Pregou menos gastos sociais e regulação, mais gasto militar e menos impostos. George W. Bush, eleito em 2000, liderou a resposta aos ataques de 11 de setembro, com grande influência dos neoconservadores.
Tea Party e Trump (2009-2024). Em 2009, o movimento Tea Party surgiu contra o governo de Barack Obama. Em 2016, Trump venceu Hillary Clinton, abandonou as posições tradicionais do partido sobre comércio e acelerou a guinada populista. O partido perdeu a Câmara em 2018, e Trump perdeu a eleição de 2020 para Joe Biden, sem reconhecer o resultado. Em 6 de janeiro de 2021, apoiadores dele invadiram o Capitólio. A negação do resultado de 2020 ganhou espaço no partido. Em 2024, Trump voltou a vencer, contra Kamala Harris, com a maioria no Colégio Eleitoral e a maior votação popular.
Presidentes. Foram 19, entre eles Lincoln, Theodore Roosevelt, Eisenhower, Nixon, Reagan, George H. W. Bush, George W. Bush e Trump.
Quem lidera o partido hoje
- Donald Trump: presidente dos EUA e principal líder do partido.
- JD Vance: vice-presidente.
- Joe Gruters: presidente do Comitê Nacional Republicano (RNC) e senador estadual da Flórida.
- John Thune: líder da maioria no Senado até janeiro de 2027.
- Mike Johnson: presidente da Câmara até janeiro de 2027. Na madrugada de 4 de novembro de 2026, ainda não tinha dito se disputará a liderança da minoria (Axios).
- Steve Scalise: líder da maioria na Câmara, citado como possível candidato à liderança, assim como Jim Jordan, presidente da Comissão de Justiça (Axios).
Divisões internas
Trump e o partido tradicional. Trump apoiou desafiantes contra senadores do próprio partido. Bill Cassidy perdeu a primária na Luisiana para Julia Letlow. John Cornyn perdeu a do Texas para Ken Paxton. Dois integrantes da família Bush, Barbara e Neil, apoiaram o democrata James Talarico (NBC).
Guerra do Irã. A guerra do Irã, iniciada em fevereiro de 2026, afastou nomes do próprio movimento MAGA. Em junho de 2026, o comentarista Tucker Carlson disse que não apoiaria mais o partido ("estou fora"), e a ex-deputada Marjorie Taylor Greene escreveu que estava "farta" do que chamou de "Partido Republicano América por Último" (Time, The Hill).
Tarifas e Ucrânia. No segundo mandato de Trump, o partido se dividiu sobre tarifas e sobre o apoio à Ucrânia. No fim do século XX, o partido tinha feito o caminho oposto: abandonou o protecionismo e apoiou o Nafta.
Dinheiro. Elon Musk foi o maior doador do ciclo de 2026, com mais de US$ 445 milhões para candidatos e grupos republicanos, segundo a OpenSecrets, depois da briga pública com Trump em 2025 (Washington Post). Quase todo o valor foi para comitês externos: as doações diretas a campanhas somaram US$ 261.800.
Derrota nas eleições de meio de mandato de 2026
Em setembro de 2026, o partido fez em Dallas sua primeira convenção de meio de mandato, com Trump como principal orador (Texas Tribune). Trump pediu aos eleitores que votassem como se ele estivesse na cédula. Com aprovação abaixo de 40% (NPR), viu o partido perder as duas casas.
- Senado: os republicanos tinham 53 cadeiras. Perderam ao menos sete: Texas, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio, Kansas, Iowa e Maine. A parcial da NBC, à 1h51 de Washington em 4 de novembro, dava 53 democratas e 43 republicanos, com quatro disputas sem projeção. A senadora Susan Collins, no quinto mandato, perdeu no Maine (CBS).
- Câmara: a NBC projetou a maioria democrata e estima o resultado final em cerca de 255 a 180. Às 1h57, eram 226 democratas e 140 republicanos, com 69 cadeiras por definir. O presidente do comitê de campanha republicano, Richard Hudson, perdeu a própria cadeira (Axios).
- Governadores: o partido perdeu a Geórgia, Iowa, Ohio e o Texas (NBC), onde Greg Abbott foi derrotado por Gina Hinojosa.
- Mapa eleitoral: o redesenho de distritos no meio da década, defendido por Trump, parece ter saído pela culatra (AP). Os democratas levaram ao menos três distritos redesenhados na Flórida (NPR).
As causas citadas são o custo de vida, a corrupção (NPR) e a guerra com o Irã (DW). Quase metade dos eleitores disse que a família está pior do que há dois anos; 74% deles votaram nos democratas (DW). Entre os latinos, que ajudaram Trump em 2024, a maioria votou nos democratas. Um deputado republicano resumiu à Axios: "Irã, ICE, inflação, preços de combustível, falta de foco nas questões do bolso".
"Da primeira hora desta eleição, sabíamos que, para manter a Câmara, teríamos de desafiar mais de um século de história", disse Mike Johnson (NPR). John Thune escreveu que os senadores republicanos "não vão ficar parados" diante da "ala socialista" dos democratas.
O que acontece agora
- Até 6 de novembro de 2026: prazo para candidatos à liderança republicana na Câmara se inscreverem. A eleição interna é em 10 de novembro (Axios).
- 9 de novembro a dezembro: o Congresso atual, ainda de maioria republicana, volta a trabalhar. O financiamento do governo vence em 11 de dezembro (ABC Austrália).
- 3 de janeiro de 2027: posse do novo Congresso. O partido vira minoria nas duas casas.
- Trump e os vetos: ele mantém o poder de veto, que só cai com dois terços das duas casas. Disse que viraria o "Sr. Veto" e, depois, à CBS, que os democratas "vão querer trabalhar comigo".
- 2028: a 22ª Emenda impede Trump de disputar um terceiro mandato, e o partido terá de escolher outro candidato.
Linha do tempo
- 20 de março de 1854: reunião em Ripon, no Wisconsin, sugere o nome Republicano.
- 6 de julho de 1854: primeira convenção estadual do partido, em Michigan.
- 1860: Abraham Lincoln é eleito, o primeiro presidente republicano.
- 7 de novembro de 1874: cartum de Thomas Nast populariza o elefante.
- 1912: Theodore Roosevelt racha o partido, e o democrata Woodrow Wilson vence.
- 1952: Dwight Eisenhower é eleito.
- 1980: Ronald Reagan é eleito.
- 2000: George W. Bush é eleito; o vermelho se fixa como cor do partido.
- 2009: surge o movimento Tea Party.
- 2016: Donald Trump é eleito presidente.
- 6 de janeiro de 2021: apoiadores de Trump invadem o Capitólio.
- Novembro de 2024: Trump vence Kamala Harris e volta à Presidência.
- Setembro de 2026: primeira convenção de meio de mandato do partido, em Dallas.
- 3 de novembro de 2026: o partido perde a Câmara e o Senado, segundo as projeções da AP e das redes.
- 3 de janeiro de 2027: posse do novo Congresso, com maioria democrata.
Termos importantes
- GOP (Grand Old Party): apelido e sigla do partido.
- RNC (Republican National Committee): comitê nacional, órgão executivo do partido.
- NRCC: comitê de campanha republicano para a Câmara.
- MAGA ("Make America Great Again"): slogan e movimento de apoio a Trump.
- America First: política externa que prioriza os interesses americanos e rejeita intervenções e alianças vistas como custosas.
- Tea Party: movimento conservador surgido em 2009 contra o governo Obama.
- Estratégia sulista: tática de atrair eleitores brancos do Sul depois das leis de direitos civis.
Perguntas frequentes
O Partido Republicano é de direita ou de esquerda?
O Partido Republicano dos EUA é de direita, e hoje sua ala dominante é a populista de Donald Trump. O Republicanos, do Brasil, é outro partido, e se define como de centro-direita.
O Partido Republicano dos EUA tem relação com o Republicanos do Brasil?
São partidos diferentes, de países diferentes. O brasileiro chamava-se PRB até 2019 e tem o número 10.
Trump é do Partido Republicano?
Sim. Donald Trump é o presidente republicano, no segundo mandato, até janeiro de 2029.
Qual a diferença entre o Partido Republicano e o Democrata?
Os republicanos ficam na direita e defendem tarifas, menos imposto para as faixas mais altas e restrição à imigração. Os democratas ficam no centro e na centro-esquerda e defendem programas sociais, sindicatos e direito ao aborto.
Qual o símbolo e a cor do Partido Republicano?
O elefante e o vermelho. Os democratas usam o burro e o azul.
Por que os republicanos são chamados de GOP?
GOP é a sigla de Grand Old Party, ou Grande Velho Partido, apelido usado desde o século XIX.
Os republicanos perderam as eleições de 2026?
Sim. Em 3 de novembro de 2026, o partido perdeu a Câmara e o Senado, segundo as projeções da AP e das redes. A contagem continuava na madrugada de 4 de novembro. Trump continua presidente.
Quem foi o primeiro presidente republicano?
Abraham Lincoln, eleito em 1860.
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