Visão geral
Mike Johnson é o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos desde 25 de outubro de 2023, deputado republicano pela Luisiana. Na madrugada de 4 de novembro de 2026, seu Partido Republicano tinha perdido a maioria da Câmara nas eleições de meio de mandato, segundo as projeções da AP e das redes.
Johnson fica no cargo até a posse do novo Congresso, em 3 de janeiro de 2027. Ele foi reeleito para o próprio distrito, mas ainda não tinha dito se disputará a liderança da minoria. A eleição interna é em 10 de novembro, e os candidatos têm até 6 de novembro para se inscrever (Axios). Advogado constitucionalista e batista do Sul, é aliado de Donald Trump e o segundo na linha de sucessão presidencial, depois do vice.
Este Mike Johnson é o político da Luisiana. Não é o jogador de basquete americano homônimo que atuou no Brasil.
Quem é Mike Johnson
James Michael Johnson nasceu em 30 de janeiro de 1972, em Shreveport, na Luisiana. É o mais velho de quatro filhos de Jeanne e Pat Johnson, e foi o primeiro da família a se formar na faculdade.
Formação. Estudou na Captain Shreve High School. Formou-se em administração (1995) e em direito (1998) na Universidade Estadual da Luisiana.
Advogado. De 2002 a 2010, trabalhou na Alliance Defense Fund, hoje Alliance Defending Freedom, grupo jurídico cristão e conservador. Defendeu em 2004 a emenda da Luisiana que definia casamento como união entre um homem e uma mulher. Em 2010, foi nomeado reitor da faculdade de direito que o Louisiana College pretendia abrir, e que nunca abriu. Em 2015, criou a Freedom Guard, escritório sem fins lucrativos dedicado à liberdade religiosa, e representou o parque temático religioso Ark Encounter em ação contra o Kentucky, que venceu.
Esposa e família. É casado desde 1º de maio de 1999 com Kelly Johnson, com quem apresenta o podcast cristão Truth Be Told. Eles têm cinco filhos, um deles adotado, e moram em Benton, na Luisiana. Na década de 1990, o casal apareceu na TV para promover o "casamento de aliança", modalidade da lei da Luisiana em que o divórcio é mais difícil.
Religião. Descreve-se como "cristão em primeiro lugar". "Minha fé orienta tudo o que faço", já disse. Integrou de 2004 a 2012 a comissão de ética e liberdade religiosa da Convenção Batista do Sul.
Carreira política
Johnson foi eleito para a Câmara da Luisiana em 2015. Em 2016, ganhou a cadeira do 4º distrito da Luisiana no Congresso, com sede em Shreveport, no noroeste do estado, e tomou posse em 2017. Presidiu de 2019 a 2021 o Republican Study Committee, maior grupo de conservadores do Congresso, e de 2021 a 2023 foi vice-presidente da bancada republicana.
Fez parte da equipe de defesa de Trump nos dois processos de impeachment no Senado, em que o presidente foi absolvido. Não foi sempre assim: em 2015, escreveu no Facebook que Trump "não tem o caráter e o centro moral" necessários na Casa Branca e que era "cabeça quente por natureza".
Presidente da Câmara
Eleição (2023). Em 3 de outubro de 2023, os próprios republicanos derrubaram Kevin McCarthy. Steve Scalise, Jim Jordan e Tom Emmer tentaram sucedê-lo e fracassaram. Johnson, o quarto nome, recebeu o apoio de Trump e foi eleito em 25 de outubro, por 220 a 209. Foi o primeiro presidente da Câmara da Luisiana e o menos experiente em 140 anos. O deputado Ken Buck disse que ele venceu porque "tem menos inimigos que qualquer um no partido".
Maioria mínima (2023-2024). Johnson governou com votos democratas em momentos decisivos. Assim passou o custeio do governo e, em abril de 2024, a ajuda de US$ 61 bilhões à Ucrânia, junto com os pacotes para Israel e Taiwan e a lei que obriga o TikTok a vender a operação americana. Em 8 de maio de 2024, Marjorie Taylor Greene tentou derrubá-lo. A moção caiu por 359 a 43, com votos dos dois partidos.
Segundo mandato de Trump (2025-2026). Em 3 de janeiro de 2025, foi reeleito presidente da Câmara na primeira votação. Sob sua presidência, a Câmara aprovou a lei fiscal de Trump, a One Big Beautiful Bill. Na paralisação do governo de 2025, a mais longa da história, deixou a Câmara em recesso e não pôs em votação projetos de custeio. Durante sua gestão, deputados usaram cada vez mais as petições que forçam votações contra a vontade da liderança.
A derrota de 2026. Johnson viajou por mais de 40 distritos em 22 estados na campanha e disse até o fim que manteria a maioria (Axios). Em 10 de outubro, chamou uma maioria democrata de "cenário de pesadelo" (The Advocate).
O que Mike Johnson defende
- Aborto: opôs-se à decisão Roe contra Wade e apoiou projetos que proíbem o aborto em todo o país.
- Religião e Estado: fala da "chamada separação entre Igreja e Estado". Disse que os fundadores queriam proteger a Igreja do Estado, "não o contrário". Integra a direita cristã do partido.
- LGBTQ: em artigos do início dos anos 2000, chamou a homossexualidade de "inerentemente antinatural" e foi contra o casamento gay.
- Evolução: rejeita o consenso científico e defende o criacionismo.
- Ucrânia: condenou a invasão russa em 2022, votou contra ajuda antes de assumir o cargo e depois levou o pacote de US$ 61 bilhões a votação.
- Democratas: acusa o partido de adotar o socialismo e diz ver a eleição como disputa contra o marxismo (The Advocate).
Polêmicas
Contestação da eleição de 2020. Em dezembro de 2020, Johnson liderou o grupo de 126 deputados republicanos que apoiou na Suprema Corte a ação do Texas contra o resultado em outros estados. A corte recusou o caso. Em novembro daquele ano, disse que havia "muito mérito" nas alegações sobre máquinas de votação. Em outubro de 2022, afirmou nunca ter apoiado a tese de fraude em massa.
Caso Epstein. Em julho de 2025, disse sobre o caso Epstein: "Devíamos pôr tudo às claras". Depois que Trump pediu para encerrar o assunto, mudou de posição em uma semana e encerrou os trabalhos da Câmara mais cedo, para evitar votações sobre o tema.
Adelita Grijalva. Durante a paralisação, adiou até o fim dela a posse da democrata eleita pelo Arizona em setembro de 2025, embora outros eleitos em pleitos especiais tenham tomado posse no dia seguinte.
Submissão a Trump. A jornalista Annie Karni, do New York Times, escreveu que ele se fez "subserviente" a Trump, ao não fazer audiências de fiscalização e manter a Câmara fora de sessão. Do outro lado, Newt Gingrich, ex-presidente republicano da Câmara, elogiou seu trabalho, e Nancy Pelosi disse respeitá-lo por cumprir a palavra.
Críticas pós-derrota. Na noite da eleição, deputados republicanos disseram à Axios, sem se identificar, que toda a cúpula terá adversários. Um deles disse não ver mais caminho para Johnson continuar na liderança.
O que acontece agora
Na noite de 3 de novembro de 2026, em Shreveport, Johnson admitiu a derrota: "Estou decepcionado também, mas nunca desanimamos". Disse que só duas vezes em 90 anos o partido do presidente manteve ou ganhou cadeiras no primeiro meio de mandato e que "a história será mantida esta noite" (Reuters, Axios). Prometeu um "muro de contenção" contra "retaliação" dos democratas e a retomada da Câmara em 2028 (Washington Times).
- Reeleição no distrito: teve 58,5% dos votos, em dados completos, mas não oficiais, e ganhou o sexto mandato (The Advocate).
- Liderança da minoria: em outubro, disse que seus colegas o chamariam para continuar liderando. Na noite da eleição, ele e a equipe não confirmaram os planos (The Advocate). Trump o elogiou, mas não o apoiou para o cargo: "Ele vai ter de tomar essa decisão" (Axios).
- Possíveis rivais: Steve Scalise e Jim Jordan são citados (Axios).
- Precedentes: os presidentes republicanos da Câmara que perderam a maioria, desde Newt Gingrich, em 1998, logo saíram da Casa (Nola.com).
- Até janeiro: Johnson segue no cargo. O Congresso volta em 9 de novembro e precisa aprovar o custeio do governo até 11 de dezembro para evitar nova paralisação (ABC Austrália).
- Sucessor: o favorito para a presidência é o democrata Hakeem Jeffries, que depende da eleição de 3 de janeiro de 2027.
Linha do tempo
- 30 de janeiro de 1972: nasce em Shreveport, na Luisiana.
- 1998: forma-se em direito.
- 1º de maio de 1999: casa-se com Kelly Lary.
- 2015: é eleito para a Câmara da Luisiana.
- 2016: é eleito deputado federal.
- Dezembro de 2020: lidera o apoio de deputados à ação contra o resultado da eleição.
- 25 de outubro de 2023: é eleito presidente da Câmara.
- Abril de 2024: leva à votação a ajuda à Ucrânia.
- 8 de maio de 2024: a moção para destituí-lo cai por 359 a 43.
- 3 de janeiro de 2025: é reeleito presidente da Câmara.
- 3 de novembro de 2026: é reeleito no distrito, e os republicanos perdem a maioria, segundo as projeções da AP e das redes.
- 6 de novembro de 2026: fim do prazo para inscrição na eleição da liderança republicana.
- 10 de novembro de 2026: data da eleição interna.
- 3 de janeiro de 2027: posse do novo Congresso.
Perguntas frequentes
Quem é Mike Johnson?
É o presidente da Câmara dos EUA desde outubro de 2023, deputado republicano pela Luisiana. Seu partido perdeu a maioria em 3 de novembro de 2026, e ele fica no cargo até 3 de janeiro de 2027.
Mike Johnson vai continuar líder dos republicanos?
Não se sabe. Na madrugada de 4 de novembro de 2026, ele não tinha dito se disputará a liderança da minoria, cuja eleição é em 10 de novembro.
Qual é o estado de Mike Johnson?
A Luisiana. Ele representa o 4º distrito, com sede em Shreveport.
Quem é a esposa de Mike Johnson?
Kelly Johnson, com quem é casado desde 1999. Eles têm cinco filhos.
O que Mike Johnson fez na paralisação do governo?
Na paralisação de 2025, manteve a Câmara em recesso e não pôs em votação projetos de custeio.
É o mesmo Mike Johnson do basquete?
Não. O político não tem relação com o jogador americano homônimo.
Notícias relacionadas
Republicanos enfrentam crise interna após derrota na Câmara dos EUA
4 de nov, 2026
Mike Johnson sinaliza permanência na liderança republicana na Câmara
14 de out, 2026
Mike Johnson arrecada recorde de US$ 156 milhões para o Partido Republicano
8 de out, 2026
Mike Johnson inicia campanha em 22 estados para manter maioria republicana
28 de set, 2026
Mike Johnson antecipa recesso da Câmara e evita votação de impeachment
16 de set, 2026
