O Partido Democrata dos EUA, um dos principais partidos políticos do país, sofreu uma derrota na eleição presidencial de 2024 e, subsequentemente, o Comitê Nacional Democrata (DNC) optou por não divulgar um relatório de análise pós-eleitoral, gerando críticas internas. Atualmente, o partido foca nas eleições de meio de mandato de 2026, buscando retomar a maioria na Câmara dos Deputados. A estratégia democrata capitaliza a insatisfação com o governo Trump e a percepção econômica negativa, priorizando temas como acessibilidade financeira e saúde para conquistar eleitores.
O Partido Democrata dos Estados Unidos (Democratic Party) é um dos principais partidos políticos americanos. Em 2024, sofreu derrota na eleição presidencial contra Donald Trump, com Kamala Harris como candidata após Joe Biden desistir da campanha. O Comitê Nacional Democrata (DNC) realizou uma análise interna da derrota, mas decidiu não divulgar o relatório, gerando críticas internas por supostamente proteger consultores e Harris de escrutínio público. Em 2026, o partido inicia o ano com um cenário político favorável para as eleições de meio de mandato, buscando retomar a maioria na Câmara dos Deputados, impulsionado pela insatisfação dos eleitores com o segundo mandato de Donald Trump e sua gestão econômica.
Contexto histórico e desenvolvimento
A derrota em 2024 ocorreu após Biden abandonar a candidatura, deixando Harris com uma campanha de 107 dias. Ken Martin, eleito presidente do DNC em 2025, prometeu uma revisão pública da eleição. O DNC entrevistou centenas de pessoas em todos os 50 estados, concluindo o relatório. Recentemente, optou por mantê-lo confidencial para focar nas eleições de meio de mandato de 2026 e evitar conflitos internos, priorizando vitórias recentes em eleições locais. Para 2026, os democratas capitalizam a desaprovação de Trump e a percepção econômica negativa, focando em temas como acessibilidade financeira, saúde (prorrogação de subsídios do Obamacare e oposição a cortes no Medicaid) e críticas ao regime tarifário de Trump para tentar conquistar a maioria na Câmara dos Deputados.
Linha do tempo
2024: Derrota na eleição presidencial; Biden desiste, Harris assume campanha de 107 dias.
Início de 2025: Ken Martin eleito presidente do DNC e promete análise pública da eleição de 2024.
Durante 2025: DNC lança e conclui o "autópsia" eleitoral, com entrevistas em todos os estados.
Semanas recentes de dezembro de 2025: DNC decide não divulgar o relatório, mesmo versão sanitizada.
19 de dezembro de 2025: Críticas públicas de democratas e estrategistas ao DNC.
Janeiro de 2026: Democratas iniciam o ano com cenário político favorável para as eleições de meio de mandato, com pesquisas indicando vantagem e insatisfação com Trump.
24 de janeiro de 2026: Publicação de pesquisa do New York Times e da Universidade de Siena mostrando desaprovação da maioria dos eleitores à gestão de Trump.
Principais atores
Ken Martin: Presidente do DNC, responsável pela revisão e decisão de não divulgar.
Kamala Harris: Ex-vice-presidente e candidata em 2024; fontes próximas negam envolvimento na decisão.
Críticos: Jeff Weaver (ex-assessor de Bernie Sanders), Mike Casca (chefe de gabinete de Alexandria Ocasio-Cortez), Rebecca Katz (assessora de Ruben Gallego), Lis Smith (assessora de Pete Buttigieg), Dan Pfeiffer e Jon Favreau (Pod Save America).
DNC: Comitê central do partido, foco em unidade para 2026.
Hakeem Jeffries: Líder democrata na Câmara, confiante na abordagem de acessibilidade financeira para 2026.
Suzan DelBene: Presidente do Comitê de Campanha Democrata para o Congresso, otimista quanto à retomada da maioria em 2027.
Amy Walter: Editora-chefe do Cook Political Report, analista do cenário político favorável aos democratas.
Adam Michel: Diretor de estudos de política tributária do Cato Institute, cético sobre o impacto dos reembolsos fiscais republicanos.
Kyle Kondik: Editor-chefe do Sabato’s Crystal Ball, destaca a importância da percepção econômica dos eleitores para as eleições de meio de mandato.
Termos importantes
DNC (Democratic National Committee): Comitê Nacional Democrata, órgão executivo do partido.
Autópsia eleitoral: Relatório interno de análise pós-eleitoral sobre falhas na campanha de 2024.
Meio de mandato (midterms): Eleições legislativas de 2026, prioridade do DNC.
Estratégias para 2026
Os democratas iniciam 2026 com o objetivo de conquistar a maioria na Câmara dos Deputados, impulsionados por pesquisas favoráveis e a desaprovação do governo Trump. Sua estratégia central foca na acessibilidade financeira, criticando as políticas econômicas de Trump e destacando a oposição republicana à prorrogação dos subsídios de saúde do Obamacare e aos cortes no Medicaid. Eles argumentam que o governo Trump tem sido um "completo desastre para a economia" e que os consumidores estão pagando pelos impostos mais altos devido ao regime tarifário. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, e a presidente do Comitê de Campanha Democrata para o Congresso, Suzan DelBene, expressam confiança na retomada da maioria em 2027.
Por outro lado, Donald Trump e os republicanos também apresentam uma agenda de acessibilidade financeira, propondo políticas como a proibição de investidores institucionais comprarem imóveis para aluguel e um teto para as taxas de juros de cartões de crédito. Eles esperam um impulso na temporada de impostos devido a reembolsos maiores resultantes da legislação tributária de Trump. O presidente da Câmara, Mike Johnson, defende que as políticas republicanas estão funcionando para o povo. No entanto, analistas como Adam Michel questionam se os reembolsos fiscais terão um impacto significativo para a maioria dos contribuintes.
O cenário é complexo, com a confiança do consumidor em ascensão em janeiro de 2026, mas a percepção geral dos eleitores sobre a economia permanece negativa, o que favorece os democratas. O Partido Republicano, no entanto, deve manter o controle do Senado devido a um mapa eleitoral favorável e possui um robusto caixa de campanha, com o super PAC MAGA Inc. de Trump acumulando cerca de US$ 294 milhões. Apesar da vantagem financeira republicana, a eficácia desses gastos em distritos indecisos ainda é incerta, como demonstrado por uma eleição especial no Tennessee onde um candidato republicano venceu com uma margem menor que o esperado, apesar de um alto investimento da MAGA Inc.