Brasil segue com maior juro real do mundo: 9,49% com Selic mantida
Com a Selic mantida em 13,75% ao ano pelo Copom, a Moneyou calcula juro real de 9,49% para o Brasil, o maior entre 40 países.
Pontos principais
- Com a Selic mantida, a Moneyou calcula juro real de 9,49% para o Brasil, contra média de 1,28% dos 40 países analisados.
- Na projeção principal da consultoria, que supõe corte de 25 pontos-base na Selic, o Brasil tem 9,05%; com corte de 50 pontos-base, 8,77%.
- A projeção considera 50% de chance de corte de 25 pontos-base, 45% de manutenção e 5% de corte de 50 pontos-base.
- Segundo a Moneyou, o juro real usa o DI de um ano com vencimento em outubro de 2027, descontado pela inflação de 4,99% esperada para os próximos 12 meses no Boletim Focus.
- O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, interrompendo o ciclo de cortes iniciado em abril.
- Os juros consumiram R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses, 8,9% do PIB, segundo dados do Banco Central.
- A dívida pública chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026, ante 71,7% em 2022.
O Brasil segue em primeiro no ranking de juros reais da Moneyou, feito em parceria com a Lev Intelligence, em todos os cenários do estudo. A projeção principal, porém, supunha um corte que não aconteceu. Segundo a consultoria, o mercado praticamente decreta o fim do ciclo de cortes, independentemente da reunião, e a cautela entre analistas e operadores aparece também na desvalorização do real frente ao dólar e na abertura da curva de juros.
Em comunicado, o Copom afirmou que as incertezas se ampliaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação seguem acima da meta. O colegiado não deu pistas sobre a trajetória dos juros nas próximas reuniões.
Agentes do mercado financeiro cobram cortes de gastos para estabilizar a dívida após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto economistas críticos da política do Banco Central defendem uma política que reduza os juros. A Confederação Nacional da Indústria afirma que a manutenção é “injustificável”; o presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que “é possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior”.
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