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Copom mantém Selic em 13,75% e Brasil segue com maior juro real do mundo

O Banco Central interrompeu o ciclo de cortes da taxa básica de juros citando incertezas fiscais e a deterioração das expectativas inflacionárias.

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Foto: G1 - Economia
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04/11 às 19:15, atualizado 21:01

Pontos principais

  • O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano de forma unânime.
  • A decisão interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
  • O Brasil permanece com a maior taxa de juro real do mundo, alcançando 9,49% segundo a MoneYou.
  • O Banco Central justificou a medida pelo ambiente externo adverso e pela necessidade de convergência da inflação à meta.
  • As projeções do Copom para o IPCA foram elevadas para 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027.
  • O comitê destacou o impacto dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços de petróleo e derivados.
  • Analistas do mercado financeiro reagiram com alta nos juros de longo prazo e valorização do dólar.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, de forma unânime, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. A medida interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos que vinha sendo adotada desde março. Segundo o comunicado oficial do colegiado, a decisão é considerada compatível com a estratégia de convergência da inflação para a meta estabelecida, em um cenário marcado por incertezas fiscais e pressões inflacionárias persistentes.

O Banco Central apontou que o ambiente externo tornou-se mais desafiador, influenciado pelo prolongamento de conflitos no Oriente Médio, que pressionam os preços de commodities como o petróleo. Internamente, o comitê observou uma moderação na atividade econômica e sinais de desaquecimento no mercado de trabalho. Com a manutenção da taxa, o Brasil reafirma sua posição no topo do ranking global de juros reais, atingindo o patamar de 9,49%, o que gerou reações imediatas no mercado financeiro com a elevação das projeções para o dólar e para a curva de juros futuros.

Fonte primária

Banco Central do Brasil / Copom

Copom mantém a taxa Selic em 13,75% a.a.

O Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75% a.a., decisão que, segundo o Comitê, é compatível com a convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. O ambiente externo ficou mais adverso, com o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio pressionando petróleo e derivados e com política monetária mais restritiva nas economias avançadas. No cenário doméstico, a atividade mostra moderação mais acentuada, sobretudo em setores cíclicos; o mercado de trabalho segue resiliente, mas com sinais de desaquecimento na margem. A inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram e estão acima do limite superior do intervalo de tolerância. As expectativas Focus para 2026 e 2027 se afastaram da meta, para 5,2% e 4,8%. A projeção do Copom para o IPCA é de 5,6% em 2026, 4,7% em 2027 e 3,5% no 2º tri de 2028 (horizonte relevante), este último elevado desde a última reunião. Os riscos para a inflação seguem mais elevados que o usual, com assimetria altista. O Comitê descreve a Selic como substancialmente contracionista, diz que o cenário é desafiador e pede serenidade e cautela, e afirma que acompanha como a política fiscal doméstica afeta a política monetária e os ativos financeiros. Votaram pela decisão Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira.

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