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JPMorgan vê cenário desafiador para bancos brasileiros em 2027

O JPMorgan prevê um 2027 desafiador para os bancos brasileiros, com juros altos, desaceleração econômica e endividamento das famílias pressionando crédito, provisões e lucratividade.

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Foto: InfoMoney
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29/10 às 05:45, atualizado 09:03

Pontos principais

  • O comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a cerca de 29%, o maior patamar em 21 anos.
  • Entre famílias com renda de até dois salários mínimos, o comprometimento foi de 42% em junho, mais que o dobro do observado na renda mais alta.
  • Cartões e empréstimos pessoais sem garantia respondem por cerca de 60% do serviço da dívida desse grupo, ante 38% em 2018.
  • Ativos problemáticos estão nos níveis mais altos desde 2012 em várias modalidades de crédito, sobretudo cartões e empréstimos pessoais.
  • Segundo o Banco Central, a inadimplência seria 0,78 ponto percentual menor se os critérios antigos de baixa de créditos tivessem sido mantidos.
  • Segundo dados do Banco Central, só os grandes bancos privados de primeira linha mantiveram alta do ROE, e boa parte do setor opera perto ou abaixo do custo de capital.
  • O JPMorgan prefere Itaú Unibanco (ITUB4) e Itaúsa (ITSA4), citando receitas diversificadas e disciplina de crédito.
  • Cautela com Banco do Brasil (BBAS3), pelos desafios no agronegócio, e com Bradesco (BBDC4), cuja recuperação pode ser dificultada por juros mais altos e lucros que crescem pouco.
  • Seguradoras e empresas do mercado de capitais, como B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11) e XP, são vistas positivamente.

O JPMorgan avalia que o cenário para os bancos brasileiros deve seguir desafiador em 2027. Ao analisar o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, o banco vê juros elevados, desaceleração econômica e endividamento das famílias pressionando crédito, provisões e lucratividade. Uma deterioração do ambiente econômico tende a reduzir a carteira de empréstimos, comprimir a margem financeira (NIM) e elevar as despesas com provisões, e o ciclo de crédito deve voltar ao centro das atenções após as eleições.

A piora é mais visível entre as famílias de menor renda, em que cartões e empréstimos pessoais sem garantia pesam mais no serviço da dívida. O Banco Central afirma que a deterioração das carteiras é o principal fator por trás da alta da inadimplência, e estima que ela seria 0,78 ponto percentual menor se os critérios antigos de baixa de créditos tivessem sido mantidos.

Na rentabilidade, só os grandes bancos privados de primeira linha conseguiram manter alta do ROE. Nesse quadro, a preferência do JPMorgan fica com Itaú e Itaúsa, enquanto Banco do Brasil e Bradesco seguem com cautela.

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