Brasil deixa de ser credor externo líquido após 19 anos
Dívida externa bruta superou as reservas internacionais em setembro de 2026, atingindo US$ 420,3 bilhões segundo dados do Banco Central.
Pontos principais
- A dívida externa bruta brasileira atingiu US$ 420,3 bilhões em setembro de 2026.
- As reservas internacionais somaram US$ 362,8 bilhões no mesmo período, segundo o Banco Central.
- O país deixou de ser credor externo líquido, posição mantida desde 2007.
- A queda nas reservas em setembro foi de US$ 9,8 bilhões, influenciada por vendas à vista e variações de mercado.
O Brasil deixou de ser um credor externo líquido pela primeira vez desde 2007, conforme apontam as estatísticas do setor externo divulgadas pelo Banco Central. Em setembro de 2026, a dívida externa bruta do país alcançou a marca de US$ 420,3 bilhões, superando o volume de reservas internacionais, que totalizaram US$ 362,8 bilhões no mesmo mês.
De acordo com a nota para a imprensa do Banco Central, as reservas internacionais registraram uma redução de US$ 9,8 bilhões em comparação a agosto de 2026. Esse movimento foi impulsionado por diversos fatores, incluindo variações por preço, que impactaram US$ 3,7 bilhões, variações por paridades cambiais, que somaram US$ 2,5 bilhões, além de vendas no mercado à vista e a concessão líquida de linhas com recompra, cada uma contribuindo com US$ 2,0 bilhões para a queda do estoque.
Fontes primárias
Tabelas de estatísticas do setor externo (out/2026) — Tabelas 14 e 15
Tabela 15 (dívida externa por devedor e prazo): dívida externa bruta de US$ 407,1 bi em junho de 2026 (US$ 113,3 bi de curto prazo e US$ 293,8 bi de longo prazo) e estimativa de US$ 420,3 bi em setembro (e). Tabela 14 (reservas): reservas internacionais de US$ 367,6 bi em junho e US$ 372,6 bi em agosto de 2026. A dívida bruta estimada para setembro supera as reservas do mesmo mês (US$ 362,8 bi, ver nota de 26/10).
Nota para a Imprensa — Estatísticas do setor externo (26/10/2026)
Reservas internacionais de US$ 362,8 bi em setembro de 2026, redução de US$ 9,8 bi frente a agosto. Contribuíram para a queda variações por preço (US$ 3,7 bi), variações por paridades (US$ 2,5 bi), vendas no mercado à vista (US$ 2,0 bi) e concessão líquida de linhas com recompra (US$ 2,0 bi). Nota não traz o total da dívida externa.
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