Dívida pública atinge 81,9% do PIB em junho, maior nível em cinco anos
O endividamento do setor público consolidado subiu 10,2 pontos percentuais sob a gestão Lula, alcançando R$ 10,8 trilhões em junho de 2026.
Pontos principais
- Dívida bruta do setor público atingiu 81,9% do PIB, o maior patamar desde abril de 2021.
- Setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões apenas em junho.
- Dívida pública total soma R$ 10,8 trilhões, impulsionada por despesas obrigatórias e juros.
- Pelo critério do FMI, a dívida brasileira alcançou 95,8% do PIB, superando a média de emergentes.
- Déficit primário acumulado em 12 meses atingiu R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB.
- Gastos com juros nominais somaram R$ 110,7 bilhões em junho, pressionados pela taxa Selic.
- Governo aponta reajustes do salário mínimo e pagamento de precatórios como fatores de pressão fiscal.
A dívida bruta do setor público consolidado atingiu 81,9% do PIB em junho de 2026, consolidando uma trajetória de alta que soma 10,2 pontos percentuais desde o início da atual gestão do governo Lula. Os dados, divulgados pelo Banco Central, indicam que o montante total da dívida chegou a R$ 10,8 trilhões, o nível mais elevado registrado desde abril de 2021, período marcado por gastos extraordinários durante a pandemia. O resultado de junho foi acompanhado por um déficit primário de R$ 55,3 bilhões no mês, superando as expectativas do mercado financeiro.
O cenário fiscal é agravado pelo peso das despesas com juros nominais, que somaram R$ 110,7 bilhões no mesmo período, impactadas pela manutenção da taxa Selic em patamares elevados. Especialistas apontam que a combinação de déficits primários persistentes e o custo da dívida cria uma pressão sobre a percepção de risco do país. Embora o governo federal atribua o endividamento a fatores como a PEC da transição e o pagamento de precatórios, analistas alertam que a velocidade de crescimento da dívida pode restringir o potencial de crescimento econômico a longo prazo, com pouca perspectiva de medidas estruturais de controle de gastos antes do próximo ciclo eleitoral.
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