A Dívida Internacional do Brasil representa suas obrigações financeiras com credores estrangeiros, sendo crucial para a política econômica e credibilidade global do país. Em 2025, o Brasil quitou R$ 2,2 bilhões em dívidas com organismos internacionais, reforçando seu compromisso multilateral. Em fevereiro de 2026, o Tesouro Nacional captou US$ 4,5 bilhões no mercado internacional, demonstrando confiança dos investidores. O estoque da Dívida Pública Federal encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, e a dívida bruta do governo geral atingiu 78,7% do PIB, totalizando R$ 10 trilhões.
A Dívida Internacional do Brasil refere-se ao conjunto de obrigações financeiras que o país possui com credores estrangeiros, sejam eles governos, organismos internacionais, bancos ou outras instituições. A gestão dessa dívida é um componente crucial da política econômica brasileira, impactando a credibilidade do país no cenário global e sua capacidade de financiamento.
Contexto histórico e desenvolvimento
Historicamente, o Brasil tem enfrentado desafios na gestão de sua dívida externa, com períodos de renegociação e ajustes fiscais. A quitação de débitos com organismos internacionais é um movimento que visa regularizar a situação do país e fortalecer sua atuação multilateral. Em 2025, o Brasil destinou cerca de R$ 2,2 bilhões para a quitação de contribuições obrigatórias a organismos internacionais, bem como para integralizações e recomposições de cotas em bancos de desenvolvimento e fundos multilaterais. Essa estratégia de pagamentos escalonados, aliada ao monitoramento da taxa de câmbio, permitiu reduzir custos para o Tesouro Nacional e assegurar previsibilidade orçamentária. A regularização das obrigações reforça o compromisso do Brasil com o multilateralismo, a integração regional e a responsabilidade fiscal. No âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), o país quitou integralmente compromissos com o orçamento regular, missões de paz e mecanismos judiciais vinculados à ONU, passando a integrar um grupo restrito de nações totalmente adimplentes com a organização. Contribuições a agências especializadas em áreas como saúde, educação, trabalho e migração também foram honradas. Na área de meio ambiente e mudança do clima, foram quitadas as contribuições à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e aos protocolos de Quioto, Montreal, Cartagena e Nagoia. A regularização desses compromissos em 2025, ano em que o Brasil sediou a Conferência das Partes (COP30) da UNFCCC, reforça a liderança do país na agenda ambiental e climática internacional. No plano regional, o Brasil efetuou os pagamentos de suas contribuições de 2025 à Secretaria do MERCOSUL, ao Parlamento do MERCOSUL (PARLASUL), ao Instituto de Políticas Públicas de Direitos Humanos (IPPDH) e à Secretaria do Tribunal Permanente de Revisão (TPR), além de honrar obrigações com a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) e a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). O Brasil também se encontra adimplente com outros organismos de atuação em temas prioritários, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e o Tribunal Penal Internacional (TPI).
Em fevereiro de 2026, o Tesouro Nacional captou US$ 4,5 bilhões no mercado internacional com a emissão de títulos públicos em dólar, incluindo uma nova operação com vencimento em 10 anos (Global 2036) e a reabertura de um título de 30 anos (Global 2056). Essa operação, que teve forte procura e um volume de pedidos de cerca de US$ 12 bilhões, demonstra a confiança do mercado e de investidores estrangeiros no Brasil. O novo título Global 2036 foi emitido no valor de US$ 3,5 bilhões, com juros de 6,25% ao ano, e o Global 2056 teve seu volume ampliado em US$ 1 bilhão, pagando juros de 7,25% ao ano. A emissão ajudou a alongar o prazo médio da dívida pública e a reduzir a necessidade de refinanciamentos no curto prazo. O custo da emissão para o título de 30 anos foi o menor para esse prazo em mais de dez anos, indicando maior confiança dos investidores no país.
O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, dentro dos limites projetados de R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. Esse valor representa um aumento de 1,82% sobre o estoque de novembro de 2025 e de 18% sobre o estoque do final de 2024. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) encerrou 2025 em R$ 8,309 trilhões. A distribuição da dívida por indexadores ficou dentro das bandas planejadas: prefixados (22%), índice de preços (25,9%), flutuantes (48,3%) e câmbio (3,8%). O custo médio do estoque da dívida permaneceu abaixo da taxa básica de juros, beneficiando-se de uma composição diversificada. A dívida bruta do governo geral subiu para 78,7% do PIB em 2025, alcançando R$ 10 trilhões, um aumento de 2,4 pontos percentuais em relação a 2024. Esse crescimento foi influenciado por juros nominais, emissões líquidas de dívida e reconhecimento de dívidas, apesar do crescimento do PIB nominal e do efeito da valorização cambial.
Linha do tempo
2025: O Brasil quita R$ 2,2 bilhões em dívidas com organismos internacionais, incluindo a ONU, FAO, UNESCO, OMS, OIT, OIM, OMT, UPU, UNFCCC, Protocolo de Quioto, Protocolo de Montreal, Protocolo de Cartagena, Protocolo de Nagoia, Secretaria do Mercosul, Parlasul, IPPDH, Secretaria do TPR, OEA, ALADI e OTCA.
2025: O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerra o ano em R$ 8,635 trilhões.
2025: A dívida bruta do governo geral atinge 78,7% do PIB, totalizando R$ 10 trilhões.
Fevereiro de 2026: O Tesouro Nacional capta US$ 4,5 bilhões no mercado internacional com a emissão de títulos públicos em dólar (Global 2036 e Global 2056).
Principais atores
Governo Brasileiro: Responsável pela gestão e quitação da dívida internacional.
Organismos Internacionais: Credores do Brasil, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Organização das Nações Unidas (ONU), Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Mundial do Comércio (OMC), entre outros.
Investidores Estrangeiros: Compradores de títulos da dívida pública brasileira emitidos no mercado internacional.
Termos importantes
Dívida Internacional: Obrigações financeiras de um país com credores estrangeiros.
Organismos Internacionais: Instituições formadas por múltiplos países para cooperar em áreas específicas, como finanças (ex: FMI, Banco Mundial).
Atuação Multilateral: Participação e engajamento de um país em fóruns e instituições internacionais, trabalhando em conjunto com outras nações.
Dívida Pública Federal (DPF): O estoque total das obrigações de dívida assumidas pelo Tesouro Nacional.
Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG): Compreende a dívida do governo federal, INSS, e governos estaduais e municipais.
Títulos Públicos em Dólar: Instrumentos de dívida emitidos pelo governo brasileiro no mercado internacional, denominados em dólar, para captar recursos de investidores estrangeiros.