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PF indicia 15 pessoas por fraudes de R$ 12,2 bilhões no BRB e Banco Master

A Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e outros 13 investigados por gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro em operações entre o BRB e o Banco Master.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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28/10 às 16:32, atualizado 29/10 às 04:00

Pontos principais

  • Polícia Federal indiciou 15 pessoas no primeiro inquérito da Operação Compliance Zero.
  • Investigação aponta irregularidades em R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito.
  • Cerca de R$ 12,2 bilhões em ativos não teriam comprovação de existência ou lastro.
  • Prejuízo estimado ao Banco de Brasília (BRB) é de aproximadamente R$ 2,7 bilhões.
  • Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, foi indiciado por cinco crimes financeiros.
  • Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, é acusado de pressionar pela aprovação das operações.
  • Relatório aponta que alertas internos sobre falhas em 90% da carteira foram ignorados.
  • Transações foram fracionadas para evitar limites de alçada da diretoria do banco público.
  • PF solicitou ao STF mais 60 dias para concluir perícias e diligências complementares.
  • Defesas dos investigados negam irregularidades e alegam fragilidade nas provas apresentadas.

A Polícia Federal concluiu o primeiro relatório parcial da Operação Compliance Zero, indiciando 15 pessoas por suspeitas de crimes financeiros envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Entre os indiciados estão o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O documento, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta a existência de um esquema de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa que teria causado um prejuízo estimado em R$ 2,7 bilhões ao banco público.

Segundo as investigações, o BRB teria adquirido carteiras de crédito do Banco Master totalizando R$ 17,5 bilhões, sendo que R$ 12,2 bilhões não possuíam lastro ou comprovação de existência. O relatório detalha que a diretoria do BRB foi alertada internamente sobre inconsistências nos ativos ainda em 2024, mas as operações de compra teriam continuado por mais um ano. A Polícia Federal sustenta que as transações foram deliberadamente fracionadas para evitar que os valores ultrapassassem os limites de alçada da Diretoria Colegiada, facilitando a aprovação sem o devido rigor técnico.

O inquérito destaca a atuação de Paulo Henrique Costa, que teria pressionado áreas internas do BRB para acelerar a aquisição das carteiras, mesmo diante de pareceres técnicos que apontavam falhas em 90% dos ativos analisados. A ex-diretora de Controle e Riscos do banco, Luana de Andrade Ribeiro, também figura entre os indiciados, após ter aprovado pareceres sob pressão hierárquica, apesar de ter ciência da deterioração da liquidez da instituição e da ausência de documentação adequada nos contratos firmados com o Banco Master.

Em resposta aos indiciamentos, as defesas dos envolvidos refutaram as acusações da Polícia Federal. Os advogados alegam que as provas são frágeis, baseadas em interpretações enviesadas de comunicações internas e que não há comprovação de prejuízo efetivo ao patrimônio do BRB. Argumentam, ainda, que todas as decisões de investimento foram tomadas dentro das normas de governança corporativa e por meio de instâncias colegiadas, sem a prática de atos ilícitos por parte dos gestores.

O caso segue sob análise do ministro do STF André Mendonça. A Polícia Federal solicitou uma prorrogação de 60 dias no prazo das investigações para aprofundar as perícias sobre o destino final dos recursos e concluir diligências pendentes. O Banco Master, que esteve no centro das operações, passou por um processo de liquidação em novembro de 2025, enquanto o BRB tenta reaver os valores comprometidos nas transações sob suspeita.

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