PF pede ao STF mais 90 dias para investigar financiamento do filme Dark Horse
A Polícia Federal solicitou ao STF a prorrogação do inquérito que apura suspeitas de crimes financeiros no custeio da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Pontos principais
- A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça mais 90 dias para concluir as investigações sobre o filme Dark Horse.
- O inquérito apura crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e corrupção ativa.
- O senador Flávio Bolsonaro foi incluído como investigado no caso em julho deste ano.
- Investigadores apontam que US$ 12,3 milhões foram enviados ao fundo Havengate, mas apenas US$ 2,8 milhões retornaram ao Brasil.
- O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, em delação, afirmou ter sido induzido a erro ao investir no fundo ligado a Daniel Vorcaro.
- A PF aguarda a conclusão de perícias contábeis e resultados de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos.
- Uma investigação paralela, relatada pelo ministro Flávio Dino, apura o uso de emendas parlamentares de Mario Frias no projeto.
A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação por 90 dias do inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O pedido, encaminhado ao ministro André Mendonça, justifica a necessidade de mais tempo para a conclusão de perícias contábeis e a análise de documentos obtidos via cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos. A investigação apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O foco central da apuração reside em uma divergência contábil identificada pelos investigadores. Segundo os dados, cerca de US$ 12,3 milhões foram transferidos pela empresa de Antônio Carlos Freixo Júnior para o fundo Havengate, controlado por pessoas ligadas ao deputado Eduardo Bolsonaro, mas apenas US$ 2,8 milhões retornaram ao Brasil para a produção do longa-metragem. Em delação premiada, Freixo Júnior alegou ter sido vítima de fraude, afirmando que acreditava estar investindo em um fundo imobiliário e desconhecia o uso dos recursos para o filme, versão que a PF contesta com base em documentos apreendidos.
Além do inquérito principal, o caso desdobra-se em outras frentes de apuração. O senador Flávio Bolsonaro foi formalmente incluído como investigado em julho, sob suspeita de ter solicitado o financiamento a Vorcaro. Paralelamente, uma investigação sob a relatoria do ministro Flávio Dino apura o possível desvio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas pelo deputado Mario Frias para entidades vinculadas à produtora do filme. As autoridades buscam esclarecer se a estrutura de produção foi utilizada para ocultar movimentações financeiras ilícitas.
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