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Produtor de filme sobre Bolsonaro recusa entrega de documentos à PF

Michael Davis, da GOUP Entertainment, diz em e-mail que só entrega à PF documentos sobre os repasses de Daniel Vorcaro ao filme 'Dark Horse' mediante ordem judicial dos Estados Unidos.

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Foto: G1 Política
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12/09 às 01:15 · atualizado 04:00

Pontos principais

  • Michael Davis, sócio majoritário da GOUP Entertainment LLC, escreveu em e-mail de 2/9/2026 que não autoriza o envio de documentos societários, contábeis, fiscais, bancários ou contratuais da empresa custodiados nos EUA sem "a estrita observância do devido processo legal norte-americano".
  • A mensagem foi enviada à produtora Karina Ferreira da Gama depois que ela recebeu ofício da PF pedindo a "apresentação voluntária" dos gastos do filme.
  • O e-mail só veio a público em 11/9/2026, quando o ministro André Mendonça (STF) liberou documentos do inquérito sobre o Dark Horse, derivado do caso do Banco Master.
  • A PF apura se o financiamento do filme envolveu lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
  • Registros apontam repasse de US$ 12.333.335 (cerca de R$ 63 milhões) em cinco parcelas ao longo de 2025, de uma offshore de Daniel Vorcaro nas Bahamas (Entre Investimentos) para o fundo americano Havengate Development Fund LP.
  • Um acordo achado no celular de Vorcaro previa investimento total de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões à época) em 14 parcelas, e projetava lucro de US$ 45 milhões a US$ 100 milhões com o filme, mais do que os cerca de US$ 30 milhões do maior recorde de bilheteria do cinema nacional, 'Minha Mãe é uma Peça 3' (2019).
  • O fundo Havengate tem ligação com o corretor de imóveis Altierres Santana e com o advogado Paulo Sergio Camin Calixto, que defende Eduardo Bolsonaro.
  • A defesa do senador Flávio Bolsonaro tentou, sem sucesso, transferir a relatoria do inquérito do ministro Flávio Dino para André Mendonça.
  • Investigações apontam pagamentos da produtora do filme para faturas de cartão de crédito do deputado Mário Frias.
  • O Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora, é alvo de apuração por antecipação de contratos públicos durante as eleições de 2024.

O produtor Michael Davis, sócio majoritário da GOUP Entertainment LLC, recusou-se a fornecer documentos à Polícia Federal brasileira sobre a produção do filme 'Dark Horse', cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em e-mail de 2 de setembro de 2026 à produtora Karina Ferreira da Gama, depois que ela recebeu ofício da PF pedindo a "apresentação voluntária" dos gastos da produção, Davis afirmou que não autoriza o envio de documentos da empresa custodiados nos Estados Unidos "sem a estrita observância do devido processo legal norte-americano". O e-mail só veio a público em 11 de setembro, quando o ministro André Mendonça, do STF, liberou documentos do inquérito, derivado do caso do Banco Master.

A Polícia Federal apura se o financiamento do filme, bancado por Daniel Vorcaro por meio de uma offshore nas Bahamas e de um fundo de investimento americano, envolveu lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Um acordo achado no celular de Vorcaro traz ainda projeções de lucro para o filme superiores ao maior recorde de bilheteria do cinema nacional, 'Minha Mãe é uma Peça 3' (2019).

A recusa ocorre em meio à intensificação das apurações sobre o financiamento do filme, que incluem suspeita de uso de emendas parlamentares e contratos com a Prefeitura de São Paulo e já resultaram no cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias e a produtora Karina Gama, com suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Paralelamente, a defesa do senador Flávio Bolsonaro tem buscado, sem sucesso, transferir a relatoria do inquérito do ministro Flávio Dino para André Mendonça.

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