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Produtora de filme sobre Bolsonaro recusa entrega de documentos à PF

Sócio da GOUP Entertainment, Michael Davis, condiciona o envio de documentos contábeis da produção de 'Dark Horse' a uma ordem judicial nos EUA.

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Foto: G1 Política
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12/09 às 01:15, atualizado 12:31

Pontos principais

  • Michael Davis, sócio majoritário da GOUP Entertainment LLC, negou o envio voluntário de documentos à Polícia Federal brasileira.
  • A recusa foi formalizada em e-mail enviado em 2 de setembro de 2026 à produtora Karina Ferreira da Gama.
  • A PF investiga o financiamento da cinebiografia 'Dark Horse', que narra a trajetória de Jair Bolsonaro.
  • A empresa alega que a entrega de dados societários, fiscais e bancários depende de ordem judicial emitida nos Estados Unidos.
  • Investigações apuram o uso de R$ 131 milhões do Banco Master e possíveis desvios de emendas parlamentares.
  • Relatórios da PF apontam remessas de US$ 12,33 milhões para o fundo Havengate, nos EUA, ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
  • O inquérito investiga crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade documental.
  • Documentos revelam gastos de R$ 20,9 milhões no Brasil, incluindo R$ 1,4 milhão em hospedagens e R$ 10 mil em uma peruca.
  • A defesa de Flávio Bolsonaro tentou, sem sucesso, transferir a relatoria do caso do ministro Flávio Dino para André Mendonça.

A produtora norte-americana GOUP Entertainment LLC, responsável pela cinebiografia 'Dark Horse', recusou-se a colaborar voluntariamente com a Polícia Federal brasileira. Em e-mail datado de 2 de setembro de 2026, o sócio majoritário da empresa, Michael Davis, afirmou que não autoriza o encaminhamento de documentos contábeis, fiscais ou bancários às autoridades do Brasil. Segundo Davis, a decisão segue orientação de seus advogados nos Estados Unidos, condicionando qualquer entrega de dados ao cumprimento de uma ordem judicial emitida pela justiça norte-americana.

A negativa ocorre em meio a um inquérito da Polícia Federal que apura o financiamento do longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações concentram-se em repasses de R$ 131 milhões provenientes do Banco Master, sob gestão de Daniel Vorcaro, e buscam esclarecer a origem de recursos que teriam sido enviados ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. A PF suspeita que a estrutura financeira tenha sido utilizada para lavagem de dinheiro, evasão de divisas e desvio de emendas parlamentares, envolvendo figuras próximas à família Bolsonaro.

Além das questões financeiras internacionais, o caso envolve a análise de gastos internos da produção, que somaram R$ 20,9 milhões no Brasil. Documentos obtidos pela investigação detalham despesas elevadas, como R$ 1,4 milhão em hospedagens — com destaque para o ator Jim Caviezel — e R$ 518,5 mil em figurino. A apuração também aponta a participação do senador Flávio Bolsonaro em tratativas de captação de recursos e a atuação de Eduardo Bolsonaro na gestão de fundos no exterior, pontos que a defesa dos parlamentares nega como irregulares.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Flávio Dino, após diversas tentativas da defesa de Flávio Bolsonaro de transferir a competência para o ministro André Mendonça. A resistência da produtora em fornecer documentos sem cooperação jurídica internacional impõe um novo desafio à investigação, que já cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra envolvidos, incluindo o deputado Mário Frias e a produtora Karina Ferreira da Gama.

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