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Ministros do STF protagonizam bate-boca em sessão sobre relatório da PF

O julgamento sobre um relatório da Polícia Federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro foi marcado por trocas de acusações entre ministros e gerou recordes de audiência na TV.

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Foto: G1 Política
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15/09 às 13:15, atualizado 15:45

Pontos principais

  • Sessão extraordinária do STF em 15 de setembro de 2026 analisou relatório da PF sobre mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
  • Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de pressionar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para incluí-lo em uma delação.
  • André Mendonça interrompeu Moraes aos gritos de 'É mentira!' e negou as acusações de condução fraudulenta de investigação.
  • Gilmar Mendes criticou a conduta de Mendonça, acusando-o de viés político-eleitoral e de vazar informações seletivas.
  • Mendonça afirmou que existe uma 'Polícia Federal paralela' que realiza o monitoramento de ministros do tribunal.
  • Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli não participaram do julgamento por impedimento e suspeição, respectivamente.
  • Alexandre de Moraes solicitou a abertura de uma investigação contra Mendonça por suposto abuso de autoridade.
  • O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a sessão temporariamente devido ao clima de tensão e questões regimentais.
  • Flávio Dino questionou a condução dos processos por Fachin e sugeriu a unificação dos julgamentos para o dia 23 de setembro.
  • A alta tensão institucional atraiu grande atenção pública, levando canais de notícias a registrarem recordes de audiência em 2026.
  • O jurista Gustavo Sampaio classificou o comportamento dos ministros como incompatível com o modelo de uma corte judicial.
  • Nunes Marques declarou-se impedido de votar por ocupar a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O Supremo Tribunal Federal (STF) viveu um dia de intensa instabilidade institucional nesta terça-feira (15), durante uma sessão extraordinária convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin. O objetivo do encontro era analisar um relatório da Polícia Federal que aponta supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O documento, tornado público por André Mendonça, sugere proximidade entre o magistrado e o ex-banqueiro, levantando questionamentos sobre a imparcialidade de Moraes em processos sob sua relatoria.

O clima no plenário deteriorou-se rapidamente quando Alexandre de Moraes acusou Mendonça de atuar em favor de um grupo político e de pressionar Vorcaro a delatá-lo. Em resposta, André Mendonça interrompeu o colega aos gritos de "É mentira!", negando qualquer irregularidade e classificando as acusações como infundadas. Mendonça foi além em sua defesa, afirmando que o tribunal enfrenta hoje a existência de uma "Polícia Federal paralela", que estaria realizando o monitoramento indevido de ministros da Suprema Corte.

O ministro Gilmar Mendes, decano da Corte, interveio no debate para criticar duramente a atuação de Mendonça. Mendes acusou o colega de utilizar a relatoria do caso para interferir no cenário eleitoral e de envolver o tribunal em disputas políticas, classificando a conduta como uma atitude que compromete a dignidade da instituição. A troca de farpas entre os dois ministros incluiu acusações mútuas de desrespeito e condução político-eleitoral, forçando Fachin a tentar conter os ânimos e manter a ordem regimental.

O julgamento também foi impactado por questões processuais e ausências notáveis. Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli declararam-se, respectivamente, impedido e suspeito, retirando-se da votação. Paralelamente, o ministro Flávio Dino questionou a forma como Fachin tem conduzido a avocação de relatorias e sugeriu que todos os processos relacionados ao Banco Master sejam unificados em uma única sessão, agendada para o dia 23 de setembro.

Especialistas acompanharam o embate com preocupação, destacando o desgaste da imagem do Judiciário. O jurista Gustavo Sampaio classificou o comportamento dos ministros como incompatível com o modelo de uma corte judicial, alertando para as motivações políticas em meio ao período eleitoral. Alexandre de Moraes, por sua vez, solicitou formalmente a abertura de uma investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, enquanto a sessão, suspensa diversas vezes, gerou recordes de audiência para os canais de notícias brasileiros.

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