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PF investiga repasse de R$ 1 milhão de ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro

A decisão que autorizou a Operação Make Up mostra que a produtora do filme 'Dark Horse' movimentou R$ 19 milhões em menos de dois meses, com o deputado Mário Frias apontado pelo STF como agente central do esquema.

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Foto: G1 Política
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10/09 às 14:15, atualizado 21:02

Pontos principais

  • A Polícia Federal investiga repasses de R$ 1 milhão feitos por Marcello de Oliveira Lopes, ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, à produtora Go Up Entertainment, controlada por Karina Ferreira da Gama.
  • A Go Up tem o deputado federal Mário Frias como produtor executivo do filme 'Dark Horse', sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, gravado em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.
  • Segundo a decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a Operação Make Up, a Go Up movimentou R$ 19,03 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025 (R$ 8,95 milhões a crédito), e não ao longo de dez anos como constava.
  • Entre os remetentes à Go Up estão a corretora Moneycorp (R$ 3,92 milhões), a GO7 Assessoria de Karina Gama (R$ 2,614 milhões) e o próprio Mário Frias (R$ 645,4 mil), valor que Dino considera incompatível com o salário declarado de R$ 44 mil por mês do deputado.
  • A NTT Brasil, do empresário Heric Dias, enviou R$ 750 mil à Go Up dias depois de duas empresas do mesmo grupo receberem R$ 700 mil do Instituto Conhecer Brasil por uma emenda de Frias, o que a decisão aponta como possível devolução de dinheiro público à produtora.
  • Karina Gama comprou em espécie um SUV híbrido BYD Song Plus por R$ 102,19 mil, abaixo dos R$ 184,86 mil da tabela FIPE para o modelo.
  • Dino classifica Frias como agente central de uma organização criminosa única, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos públicos por trás das emendas e da produtora.
  • A decisão autoriza busca e apreensão contra 53 pessoas físicas e jurídicas, entre elas a Go Up, a GO7, o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, por indícios de peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
  • Flávio Bolsonaro nega irregularidades e classificou a operação como tentativa de interferência eleitoral.

A Polícia Federal apura repasses financeiros suspeitos entre aliados do senador Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme 'Dark Horse', sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro e que tem o deputado federal Mário Frias como produtor executivo. Segundo a decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a Operação Make Up, a empresa movimentou R$ 19,03 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, R$ 8,95 milhões a crédito, período que coincide com as gravações do longa em São Paulo, entre 20 de outubro e 7 de dezembro daquele ano. Entre os remetentes de recursos à Go Up estão a corretora de câmbio Moneycorp (R$ 3,92 milhões), a GO7 Assessoria de Karina Gama (R$ 2,614 milhões), o ex-marqueteiro Marcello de Oliveira Lopes (R$ 1 milhão) e o próprio Mário Frias (R$ 645,4 mil), valor que a decisão classifica como incompatível com o salário de R$ 44 mil mensais declarado pelo parlamentar.

A decisão também liga a produtora a um possível retorno de dinheiro público: a NTT Brasil, do empresário Heric Dias, enviou R$ 750 mil à Go Up dias após duas empresas do mesmo grupo receberem R$ 700 mil do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização social presidida por Karina Gama, por uma emenda parlamentar de Frias. Outro ponto destacado é a compra, em espécie, de um SUV híbrido BYD Song Plus por Karina Gama, por R$ 102,19 mil, valor abaixo dos R$ 184,86 mil que a tabela FIPE atribui ao modelo. Para Dino, os elementos reunidos apontam não dois esquemas separados, mas uma única organização criminosa estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos públicos, da qual Frias seria o agente central.

Com base nesses indícios de peculato, fraude em licitação ou contrato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, a decisão autoriza busca e apreensão contra 53 pessoas físicas e jurídicas, entre elas a Go Up, a GO7, o ICB e a Academia Nacional de Cultura. Em resposta, Flávio Bolsonaro classificou a operação como manobra política e disse que vai acionar o STF contra o ministro Flávio Dino, responsável por autorizá-la; Mário Frias nega irregularidades e afirma colaborar com as investigações.

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