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Coaf aponta movimentação atípica de R$ 19 milhões em produtora de filme sobre Bolsonaro

O Coaf identificou movimentações suspeitas de R$ 19 milhões na produtora do filme 'Dark Horse', alvo de investigação da PF por desvios de emendas parlamentares.

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Foto: Folha de São Paulo - Política
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10/09 às 07:15, atualizado 16:45

Pontos principais

  • A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal.
  • O Coaf detectou movimentação atípica de R$ 19 milhões nas contas da produtora Go Up Entertainment.
  • A investigação apura o desvio de R$ 2 milhões em emendas do deputado Mário Frias para o Instituto Conhecer Brasil.
  • O filme 'Dark Horse' é alvo de apuração sobre a origem de seu financiamento, estimado em R$ 75 milhões.
  • Delação premiada homologada no STF aponta repasses de Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro.
  • A PF investiga crimes de peculato, lavagem de dinheiro, falsidade documental e organização criminosa.
  • Foram apreendidos sete armas de fogo, o celular de Mário Frias, documentos e equipamentos eletrônicos.
  • A produtora Karina Gama é investigada por contratos suspeitos com o Instituto Conhecer Brasil.
  • O ministro Flávio Dino, do STF, autorizou a operação realizada em conjunto com a CGU.
  • Flávio Bolsonaro classificou a operação como interferência política do ministro Flávio Dino nas eleições.
  • A defesa de Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e sustenta que o filme não utilizou verbas públicas.
  • O deputado Nikolas Ferreira solicitou a prestação de contas do filme três dias antes da operação.

A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a Operação Make Up para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados ao financiamento do filme 'Dark Horse', cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, visando desarticular uma organização criminosa composta por agentes públicos e privados.

O foco central da investigação recai sobre o repasse de R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias para o Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida pela produtora Karina Ferreira da Gama. A Polícia Federal aponta indícios de contratos simulados e retrodatação de documentos, suspeitando que os valores tenham sido direcionados a empresas subcontratadas sem a comprovação da efetiva prestação de serviços, configurando possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro e falsidade documental.

Além das emendas, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma movimentação atípica de R$ 19 milhões nas contas da produtora Go Up Entertainment durante o período de filmagens. A operação busca esclarecer se esses valores, somados ao financiamento privado da obra estimado em R$ 75 milhões, foram integralmente aplicados na produção cinematográfica ou se parte do montante foi desviada para outros fins, conforme apontado em delação premiada homologada pelo ministro André Mendonça.

Em meio às apurações, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) solicitou formalmente a prestação de contas do longa-metragem apenas três dias antes da deflagração da operação policial. O movimento do parlamentar ocorreu em um cenário de crescente escrutínio sobre a transparência dos recursos envolvidos na obra, que tem sido alvo de questionamentos por parte de órgãos de controle e parlamentares da oposição.

Em reação à operação realizada nesta quinta-feira (10), o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a ação da Polícia Federal representa uma tentativa de interferência política nas eleições por parte do ministro Flávio Dino. O parlamentar negou qualquer irregularidade no processo de captação de recursos e sustentou que o filme não utilizou verbas públicas em sua produção, rebatendo as suspeitas levantadas pela investigação em curso. A PF segue analisando o material apreendido, que inclui o celular de Mário Frias e diversos documentos, para identificar a extensão da rede de desvios.

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