PF investiga financiamento do filme 'Dark Horse' sobre Bolsonaro
A Operação Make Up da PF, em parceria com a CGU, apura desvio de emendas parlamentares repassadas via termo de fomento a organizações ligadas à produtora do filme sobre Bolsonaro, com direcionamento a empresas subcontratadas e movimentação de centenas de milhões de reais no esquema.
Pontos principais
- A Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
- O deputado federal Mario Frias e a produtora Karina Gama estão entre os principais alvos da Operação Make Up.
- Investigações apuram o desvio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares repassadas por termo de fomento a organizações ligadas à produtora, depois direcionadas a empresas subcontratadas sem comprovação da prestação dos serviços.
- A PF identificou movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas do esquema, e afirma que as tentativas de dissimular os desvios se estenderam até julho deste ano.
- São investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e licitatórios.
- Delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior aponta repasses milionários ao fundo Havengate, nos EUA, a pedido de Flávio Bolsonaro.
- A PF busca confirmar se os recursos foram integralmente aplicados no filme ou desviados para outros fins, como apoio político; o caso tramita no STF sob relatoria do ministro Flávio Dino.
- A produtora Go Up nega irregularidades e afirma que as contas da produção, orçada em R$ 75 milhões, estão auditadas.
A Polícia Federal, em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quinta-feira (10/9) a Operação Make Up para investigar suspeitas de irregularidades no financiamento do filme "Dark Horse", obra que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação, com mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, tendo como alvos o deputado federal Mario Frias e a produtora Karina Gama.
O foco central da investigação é o possível desvio de R$ 2 milhões em emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, a organizações da sociedade civil ligadas à produtora, e depois direcionadas a empresas subcontratadas sem comprovação da prestação dos serviços. A PF apura peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios, e diz que as tentativas de dissimular os desvios se estenderam até julho deste ano; levantamentos financeiros identificaram movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas do esquema, valor muito acima dos R$ 2 milhões ligados à produtora do filme. A apuração ganhou novos contornos após a homologação da delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, o "Mineiro", pelo ministro André Mendonça, que afirmou ter realizado repasses milionários ao fundo Havengate, nos EUA, a mando de Daniel Vorcaro e por solicitação do senador Flávio Bolsonaro.
As autoridades buscam esclarecer se o montante de R$ 75 milhões investido na produção foi integralmente utilizado para fins cinematográficos ou se parte dos valores foi desviada para outros objetivos, incluindo o suporte a atividades de Eduardo Bolsonaro no exterior. A produtora Go Up, responsável pelo projeto, sustenta que as contas da produção estão regulares e que o orçamento passou por auditoria particular, refutando as acusações de má gestão de verbas públicas.
O desdobramento ocorre em um momento de tensão institucional envolvendo o STF e a cúpula da Polícia Federal. Enquanto as investigações avançam, o presidente do Supremo, Edson Fachin, interveio recentemente para suspender o afastamento de diretores da corporação, mantendo a estabilidade da cúpula da PF em meio ao escrutínio sobre o uso de emendas parlamentares e possíveis esquemas de subcontratação irregular de empresas.
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