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Fachin cancela sessão do STF após decisões conflitantes sobre a PF

O presidente do STF suspendeu a sessão plenária desta quarta-feira em meio à crise institucional gerada por decisões divergentes dos ministros Flávio Dino e André Mendonça sobre a chefia da Polícia Federal.

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Foto: G1 Política
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09/09 às 10:15, atualizado 14:15

Pontos principais

  • O ministro Flávio Dino determinou a reintegração imediata de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos de direção na Polícia Federal.
  • A decisão de Dino, na Pet 16.669, anulou o afastamento preventivo determinado anteriormente pelo ministro André Mendonça.
  • Mendonça havia ordenado o afastamento dos delegados na Pet 16.662, atendendo a um pedido do Partido Novo.
  • Dino argumentou que o Partido Novo carece de legitimidade para solicitar medidas cautelares de natureza pessoal no processo penal.
  • O ministro Flávio Dino citou que o afastamento prejudicava investigações em curso, como a apuração sobre o uso de emendas no filme 'Dark Horse'.
  • A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu da decisão de Mendonça, solicitando que o caso fosse levado ao plenário da Corte.
  • O presidente do STF, Edson Fachin, cancelou a sessão plenária desta quarta-feira sem informar o motivo oficial.
  • Ministros do STF avaliam que Fachin precisa intervir para encerrar a sucessão de decisões conflitantes que afetam a imagem da instituição.
  • A decisão de Dino prevaleceu momentaneamente por ser a última proferida, embora o regimento do STF não preveja que um ministro possa derrubar a decisão de outro.
  • Especialistas apontam que a solução definitiva para o impasse depende de uma deliberação do plenário do STF.
  • A crise envolve ainda questionamentos sobre a conduta de magistrados e a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um momento de instabilidade institucional após uma sucessão de decisões monocráticas conflitantes sobre o comando da Polícia Federal. Nesta quarta-feira, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, decidiu cancelar a sessão plenária que estava agendada para as 14h, em um movimento interpretado por integrantes do tribunal como uma tentativa de conter a crise interna e evitar o agravamento do desgaste público causado pela divergência entre os ministros Flávio Dino e André Mendonça. O impasse jurídico teve início quando o ministro André Mendonça, na Pet 16.662, determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, atendendo a um requerimento apresentado pelo Partido Novo.

A medida foi fundamentada em investigações que citam o nome de Rodrigues em documentos apreendidos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Contudo, a decisão foi rapidamente contestada pela Advocacia-Geral da União (AGU), que defendeu a autonomia do Poder Executivo nas nomeações da corporação. Em resposta, o ministro Flávio Dino, na Pet 16.669, deferiu uma tutela de urgência para anular o afastamento determinado por Mendonça.

Dino sustentou que o Partido Novo não possui legitimidade para requerer medidas cautelares de natureza pessoal no processo penal, argumentando que tal prerrogativa é restrita às partes, à autoridade policial ou ao Ministério Público. Além da questão processual, o ministro destacou que a remoção dos dirigentes da PF comprometia o andamento de investigações sensíveis, incluindo o inquérito sobre o uso de emendas parlamentares para o financiamento do filme 'Dark Horse'. Embora a decisão de Dino tenha prevalecido momentaneamente por ser a última proferida, juristas ressaltam que o regimento interno do STF não prevê a possibilidade de um ministro anular a decisão de outro, o que aprofunda o conflito de competências.

A escalada das decisões monocráticas gerou reações no meio jurídico e político. O jurista Miguel Reale Júnior alertou para o risco de desrespeito generalizado às decisões judiciais, enquanto ministros da própria Corte avaliam que a sucessão de liminares divergentes atropela a autoridade da presidência do STF. A expectativa agora recai sobre a atuação de Edson Fachin, que é pressionado por seus pares a centralizar a análise do caso e buscar uma solução definitiva que restaure a coordenação e a previsibilidade das decisões do tribunal, especialmente em um período de alta sensibilidade política e eleitoral.

Fonte primária

Supremo Tribunal Federal / Ministro Flávio Dino

Decisão monocrática na Pet 16.669/DF

Em decisão de 9/9/2026 na Pet 16.669, o ministro Flávio Dino deferiu tutela de urgência requerida por Andrei Augusto Passos Rodrigues para anular o afastamento dele e de Leandro Almada da Costa dos cargos de Delegado e Diretor-Geral da PF e de Diretor de Inteligência Policial, respectivamente, determinado no dia anterior por André Mendonça na Pet 16.662 a pedido do Partido Novo. Dino afirma que o Partido Novo não tem legitimidade para requerer medida cautelar de natureza pessoal em processo penal (art. 282, §2º, do CPP só permite requerimento das partes, da autoridade policial ou do MP), o que macula a decisão de Mendonça. Aponta ainda usurpação de competência: o presidente da Corte, Edson Fachin, já havia instaurado de ofício a Pet 16.704 reconhecendo a competência do Plenário sobre a matéria, e Mendonça — parte interessada no episódio da reunião com Daniel Vorcaro citado no despacho de Gilmar Mendes — não poderia decidir monocraticamente em causa própria. Dino destaca que a paralisação da produção de relatórios de inteligência da PF é medida inédita na história da corporação e prejudica investigações em curso sob sua relatoria, citando o caso Marielle Franco e organizações criminosas como exemplos de apurações que dependeram da Inteligência da PF. No dispositivo, determina ao Presidente da República que assegure a imediata reintegração de Rodrigues e Almada da Costa, proíbe cautelares pessoais contra ambos com base apenas no exercício regular de suas funções, e restabelece o funcionamento pleno da Diretoria de Inteligência Policial. Submete a decisão ao referendo do Plenário do STF.

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