Mendonça afasta diretor-geral da PF e diretor de Inteligência
O ministro André Mendonça, do STF, determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada após denúncias de monitoramento ilegal de autoridades, com William Murad assumindo o comando interino da corporação.
Pontos principais
- O ministro do STF André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
- A decisão, proferida em 8 de setembro de 2026, foi motivada por indícios de monitoramento sistemático e ilícito de autoridades pela inteligência da corporação.
- Mendonça relatou ter sido alvo de coleta dirigida de informações por mais de 30 dias, entre agosto e setembro de 2026.
- O ministro afirmou que a PF produziu seis relatórios de inteligência monitorando suas decisões no STF e sua relação com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
- Segundo o magistrado, os documentos apresentavam problemas de identificação, autoria e baixo nível de confiança em suas conclusões.
- O ministro suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência que analisem a atuação funcional de integrantes do Judiciário, AGU e polícia judiciária.
- A Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento, mas o julgamento foi suspenso por pedido de vista de Gilmar Mendes.
- A Advocacia-Geral da União anunciou que recorrerá da decisão, alegando invasão da competência privativa da Presidência da República.
- William Marcel Murad, que ocupava o cargo de diretor-executivo, assumiu o comando da corporação de forma interina.
- Diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição em protesto contra o afastamento de seus superiores.
- A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais solicitou que o caso seja submetido ao Plenário do STF devido à gravidade institucional.
- Aliados do governo federal classificaram a decisão de Mendonça como uma manobra política com fins eleitorais.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A medida, estabelecida no âmbito da PET 16.662/DF, foi motivada por denúncias de que a cúpula da corporação estaria produzindo relatórios de inteligência para monitorar, de forma ilícita, autoridades dos Três Poderes. Segundo o magistrado, documentos produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026 indicam que o próprio Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvos de coleta dirigida de dados. Mendonça classificou os relatórios como apócrifos e desprovidos de valor probatório, argumentando que tais práticas violam a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública. Com o afastamento, William Marcel Murad, que ocupava a diretoria-executiva da PF, assumiu o comando da corporação de forma interina.
Após a decisão, o presidente do STF, Edison Fachin, convocou uma reunião com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, para tratar da crise institucional. O encontro reflete a preocupação da cúpula do Judiciário com o impacto da decisão monocrática na estabilidade da Polícia Federal. A medida atende a uma solicitação do Partido Novo, autor da ação judicial, que classificou a intervenção como necessária para a preservação das instituições. Em contrapartida, aliados do governo Lula interpretam a decisão como uma manobra política, sugerindo que a medida visa beneficiar interesses eleitorais da oposição.
O afastamento desencadeou uma reação imediata no interior da corporação. Diretores da Polícia Federal entregaram seus cargos ao diretor-geral substituto, William Murad, em protesto contra a decisão judicial. O grupo classificou a medida de Mendonça como um ataque à instituição, o que aprofunda a crise interna. O governo federal, por meio da Advocacia-Geral da União, reiterou que contestará a decisão, sustentando que o ato configura uma invasão de competência privativa da Presidência da República. O clima de instabilidade foi agravado por movimentações paralelas no STF, incluindo uma solicitação do ministro Alexandre de Moraes para investigar o próprio Mendonça.
No STF, o caso foi levado à Segunda Turma em sessão virtual extraordinária. Embora tenha sido formada maioria para referendar o afastamento, com votos favoráveis dos ministros Nunes Marques e Luiz Fux, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, mantendo a liminar de Mendonça em vigor. Diante do cenário, a expectativa é que William Murad permaneça no comando da corporação enquanto os recursos do governo são processados pela Corte.
Paralelamente, a Corregedoria da Polícia Federal foi orientada a instaurar procedimentos investigatórios criminais e administrativo-disciplinares para esclarecer a autoria e a motivação dos relatórios. O episódio intensifica a tensão entre o Palácio do Planalto e o Judiciário, forçando o governo a buscar caminhos para resolver o impasse jurídico sem comprometer a estabilidade das instituições democráticas em meio a disputas sobre a condução de investigações sensíveis.
Fonte primária
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Quem é William Murad, que assumiu interinamente comando da PF após afastamento de diretor
Folha de São Paulo - Política • 8 set, 19:38
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BBC Brasil • 8 set, 15:55
Quem é William Murad, que assume a PF após afastamento de Andrei Rodrigues
InfoMoney • 8 set, 15:31
