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Brasil negocia em Washington para evitar tarifas de até 37,5% dos EUA

Setores produtivos brasileiros e o governo buscam reverter a proposta de sobretaxas americanas que podem afetar US$ 14,9 bilhões em exportações.

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Foto: G1 Política
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06/07 às 00:45 · atualizado 08/07 às 08:45

Pontos principais

  • O governo dos EUA avalia a aplicação de tarifas de 25% a 37,5% sobre produtos brasileiros.
  • A medida pode impactar 4.187 itens exportados, totalizando US$ 14,9 bilhões em risco comercial.
  • O USTR investiga temas como Pix, propriedade intelectual, desmatamento e trabalho forçado.
  • Entidades como CNI, CNA e Abimaq argumentam que as tarifas elevarão custos para consumidores e empresas americanas.
  • O governo brasileiro contesta a base técnica do relatório, classificando as acusações como arbitrárias.
  • Empresas como WEG e Bauducco destacam seus investimentos e geração de empregos em solo americano.
  • O governo Lula prioriza a via diplomática e técnica, optando por não participar diretamente das audiências públicas.
  • A oposição brasileira tenta se distanciar do impacto econômico, enquanto o governo reforça o discurso de soberania.
  • O prazo final para a decisão do governo Trump sobre a implementação das medidas é 15 de julho.

Representantes do setor produtivo brasileiro iniciaram uma ofensiva em Washington para tentar reverter a proposta de sobretaxas de até 37,5% sobre produtos nacionais, discutida em audiências públicas conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A medida, que reflete a agenda protecionista da administração de Donald Trump, coloca em risco cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, abrangendo mais de 4.000 itens, incluindo açúcar, etanol e bens manufaturados. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) argumentam que a taxação prejudicaria cadeias de suprimentos integradas e elevaria a inflação para o consumidor americano.

A disputa comercial é motivada por questionamentos americanos sobre práticas brasileiras, como o funcionamento do Pix, políticas de propriedade intelectual, desmatamento e alegações de trabalho forçado. O governo brasileiro tem refutado as acusações, apresentando dados que demonstram avanços ambientais e defendendo a legalidade do sistema de pagamentos nacional. Enquanto o setor privado busca demonstrar que os produtos brasileiros são de difícil substituição e essenciais para a economia dos EUA, o governo Lula tem mantido uma postura de distanciamento das audiências públicas, focando em negociações técnicas de alto nível para evitar o agravamento das sanções.

O cenário também ganhou contornos políticos no Brasil, com a oposição buscando se desvincular das possíveis consequências econômicas, enquanto o Planalto utiliza o tema para reforçar a soberania nacional. Especialistas em comércio exterior apontam que, embora o processo tenha uma carga política significativa, a defesa brasileira possui fundamentos técnicos sólidos para pleitear exceções. Com o prazo final para a decisão marcado para 15 de julho, a expectativa é que rodadas de negociações técnicas ocorram nas próximas semanas para definir se as tarifas serão efetivamente implementadas ou se o Brasil conseguirá contornar o impacto comercial.

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