Brasil negocia para evitar tarifa de 25% imposta pelos EUA
Governo brasileiro e empresas buscam reverter sobretaxa de 25% proposta pelos EUA, com decisão final prevista para o dia 15 de julho.
Pontos principais
- O USTR investiga práticas comerciais brasileiras, incluindo o uso do Pix e questões ambientais, sob a Seção 301.
- A proposta americana prevê tarifas de 25%, que podem chegar a 37,5% em casos específicos, afetando diversos setores.
- Mais de 350 empresas e entidades, incluindo CNI e Fiesp, alertam para prejuízos em cadeias de suprimentos e aumento de custos.
- O governo brasileiro contesta a medida, classificando-a como arbitrária e contrária às regras da OMC.
- Negociações de alto nível entre autoridades brasileiras e o USTR seguem em curso para tentar mitigar os impactos.
- Empresas americanas pressionam o governo Trump por exceções, temendo inflação e dependência de insumos chineses.
- O governo dos EUA promove o programa SelectUSA no Brasil para atrair investimentos, mesmo sob tensão tarifária.
O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar reverter a proposta de uma sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais. A medida, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sob a Seção 301, baseia-se em investigações sobre práticas comerciais, incluindo o sistema de pagamentos Pix, questões de propriedade intelectual e desmatamento. O prazo final para um desfecho nas tratativas entre os dois países está marcado para o dia 15 de julho, data em que a decisão final sobre a lista de produtos taxados deve ser anunciada pela Casa Branca.
A proposta enfrenta forte resistência de ambos os lados da fronteira. No Brasil, entidades como a CNI e a Fiesp alertam que a medida pode comprometer o superávit comercial e elevar os custos operacionais de centenas de empresas. Paralelamente, companhias americanas têm pressionado o governo de Donald Trump por exceções, argumentando que a taxação de insumos brasileiros pode prejudicar a produção local e elevar a inflação ao consumidor final, além de aumentar a dependência de fornecedores chineses.
O cenário é marcado por tensões políticas internas no Brasil. Enquanto o governo busca uma solução diplomática e avalia a possibilidade de judicializar a questão na Organização Mundial do Comércio (OMC), a oposição critica a condução da política externa. O senador Flávio Bolsonaro e outros parlamentares têm participado de audiências em Washington, criticando a postura do governo Lula. Em meio ao impasse, o governo americano mantém uma estratégia ambivalente: ao mesmo tempo em que impõe barreiras protecionistas, promove o programa SelectUSA em cidades brasileiras, incentivando empresas nacionais a expandirem suas operações para território norte-americano.
Comentários
Carregando comentários...
