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Brasil negocia para evitar tarifa de 25% imposta pelos EUA

Governo brasileiro e empresas buscam reverter sobretaxa de 25% proposta pelos EUA, com decisão final prevista para o dia 15 de julho.

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Foto: G1 Política
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08/07 às 11:45 · atualizado 22:32

Pontos principais

  • O USTR investiga práticas comerciais brasileiras, incluindo o uso do Pix e questões ambientais, sob a Seção 301.
  • A proposta americana prevê tarifas de 25%, que podem chegar a 37,5% em casos específicos, afetando diversos setores.
  • Mais de 350 empresas e entidades, incluindo CNI e Fiesp, alertam para prejuízos em cadeias de suprimentos e aumento de custos.
  • O governo brasileiro contesta a medida, classificando-a como arbitrária e contrária às regras da OMC.
  • Negociações de alto nível entre autoridades brasileiras e o USTR seguem em curso para tentar mitigar os impactos.
  • Empresas americanas pressionam o governo Trump por exceções, temendo inflação e dependência de insumos chineses.
  • O governo dos EUA promove o programa SelectUSA no Brasil para atrair investimentos, mesmo sob tensão tarifária.

O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar reverter a proposta de uma sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais. A medida, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sob a Seção 301, baseia-se em investigações sobre práticas comerciais, incluindo o sistema de pagamentos Pix, questões de propriedade intelectual e desmatamento. O prazo final para um desfecho nas tratativas entre os dois países está marcado para o dia 15 de julho, data em que a decisão final sobre a lista de produtos taxados deve ser anunciada pela Casa Branca.

A proposta enfrenta forte resistência de ambos os lados da fronteira. No Brasil, entidades como a CNI e a Fiesp alertam que a medida pode comprometer o superávit comercial e elevar os custos operacionais de centenas de empresas. Paralelamente, companhias americanas têm pressionado o governo de Donald Trump por exceções, argumentando que a taxação de insumos brasileiros pode prejudicar a produção local e elevar a inflação ao consumidor final, além de aumentar a dependência de fornecedores chineses.

O cenário é marcado por tensões políticas internas no Brasil. Enquanto o governo busca uma solução diplomática e avalia a possibilidade de judicializar a questão na Organização Mundial do Comércio (OMC), a oposição critica a condução da política externa. O senador Flávio Bolsonaro e outros parlamentares têm participado de audiências em Washington, criticando a postura do governo Lula. Em meio ao impasse, o governo americano mantém uma estratégia ambivalente: ao mesmo tempo em que impõe barreiras protecionistas, promove o programa SelectUSA em cidades brasileiras, incentivando empresas nacionais a expandirem suas operações para território norte-americano.

Fonte primária

USTR / Federal Register

Notice of Determination and Request for Comments Concerning Action Pursuant to Section 301: Brazil's Acts, Policies, and Practices Related to Digital Trade and Electronic Payment Services; Unfair, Preferential Tariffs; Anti-Corruption Enforcement; Intellectual Property Protection; Ethanol Market Access; and Illegal Deforestation

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) determina que seis categorias de práticas comerciais do Brasil são "unreasonable" (injustificadas) e restringem o comércio americano, tornando-as passíveis de ação sob a Seção 301 do Trade Act de 1974: (1) comércio digital e serviços de pagamento eletrônico — cortes brasileiras emitiriam ordens sigilosas obrigando plataformas americanas a remover conteúdo e suspender perfis, sob multas pesadas e bloqueio de ativos; (2) tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a México e Índia via acordos de escopo parcial, em prejuízo dos EUA; (3) proteção insuficiente de propriedade intelectual, com fiscalização fraca contra pirataria/falsificação e atrasos irrazoáveis na análise de pedidos de patente biofarmacêutica; (4) acesso ao mercado de etanol — o Brasil teria descontinuado em 2017 o tratamento tarifário equilibrado ao etanol americano, sem reciprocidade; (5) desmatamento ilegal não fiscalizado apesar do arcabouço legal existente; (6) fiscalização insuficiente contra corrupção e suborno. Como resposta proposta, o USTR aponta tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O aviso fixa prazo de comentários públicos até 1º de julho de 2026, audiência pública em 6 de julho, prazo para pedido de testemunho até 22 de junho, e prazo estatutário para ação responsiva do presidente Trump até 15 de julho de 2026 — data que hoje baliza a corrida diplomática do Brasil para evitar a tarifa.

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