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EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de julho

A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, afeta diversos setores brasileiros e gera reação diplomática do governo Lula.

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Foto: Época Negócios
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16/07 às 11:15 · atualizado 16:33

Pontos principais

  • O governo dos EUA anunciou tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho de 2026.
  • A decisão baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, citando práticas desleais no Pix, propriedade intelectual e desmatamento.
  • O chanceler Mauro Vieira classificou a medida como política e sem justificativa técnica, após mais de 30 reuniões de negociação.
  • O governo brasileiro planeja acionar a Lei da Reciprocidade e levar a disputa comercial à Organização Mundial do Comércio (OMC).
  • Setores como máquinas, equipamentos, etanol e calçados estão entre os mais impactados pela nova taxação.
  • Commodities estratégicas, como café, carne e aeronaves, foram incluídas em uma lista de exceções e não sofrerão a sobretaxa.
  • O Brasil tornou-se o país mais afetado por aumentos tarifários sob a gestão do presidente Donald Trump desde 2025.
  • O governo federal estuda medidas de retaliação, incluindo a possível quebra de patentes farmacêuticas e taxação de royalties.
  • Analistas do JPMorgan apontam que o impacto econômico direto será limitado, mas o desgaste político é significativo.

O governo dos Estados Unidos anunciou a imposição de uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho de 2026. A medida, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, é o ápice de uma investigação americana que aponta supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Entre as justificativas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) estão o favorecimento estatal ao sistema de pagamentos Pix, falhas na proteção à propriedade intelectual, questões ambientais e desequilíbrios no comércio de etanol. O Brasil, que viu sua tarifa efetiva média subir drasticamente sob a atual gestão da Casa Branca, tornou-se o país mais atingido por barreiras tarifárias desde o início de 2025. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, repudiou a decisão, classificando-a como uma manobra política sem lastro técnico. O chanceler Mauro Vieira destacou que o país manteve mais de 30 rodadas de negociação antes do anúncio e afirmou que a medida representa uma tentativa de interferência na soberania nacional e no Judiciário brasileiro. Em resposta, o Palácio do Planalto avalia o uso da Lei de Reciprocidade e a abertura de um contencioso na Organização Mundial do Comércio (OMC). Entre as medidas de retaliação em estudo, o governo considera a taxação de royalties e a quebra de patentes de medicamentos e sementes agrícolas. O setor produtivo reagiu com cautela. A Abimaq alertou que a tarifa ameaça US$ 3,2 bilhões em exportações de máquinas e equipamentos, enquanto a UNICA contestou as alegações sobre o etanol, argumentando que a redução das importações americanas é fruto do crescimento da produção nacional de milho. Apesar da preocupação setorial, analistas do JPMorgan observam que o impacto econômico direto será mitigado por uma extensa lista de exceções que protege commodities estratégicas, como café e carne. Para o mercado, o maior efeito da decisão deve ser político, intensificando o debate eleitoral no Brasil e elevando a tensão nas relações bilaterais. O governo federal anunciou a criação do Plano Brasil Soberano, com um aporte de R$ 15 bilhões, para mitigar os impactos da medida sobre os setores mais vulneráveis da indústria nacional.

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