EUA devem decidir até 15 de julho sobre tarifas de 25% contra o Brasil
O governo dos EUA anunciará em breve a decisão sobre a possível taxação de 25% em produtos brasileiros, medida que enfrenta resistência de 43 empresas americanas.
Pontos principais
- O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, confirmou que a decisão final sobre as tarifas será anunciada até o dia 15 de julho.
- A proposta de sobretaxa de 25% abrange áreas como serviços de pagamento, propriedade intelectual e mercado de etanol.
- O Itamaraty apresentou um documento ao USTR com o apoio de 43 empresas e associações americanas contrárias à medida.
- Empresas dos EUA argumentam que a taxação elevaria custos industriais e aumentaria a dependência de insumos chineses.
- O governo brasileiro contesta a investigação, alegando que a medida é politizada e ignora a interdependência comercial entre os países.
- Dados da Amcham apontam que a participação dos EUA no comércio total do Brasil atingiu o menor nível histórico em 2026.
- O governo americano também avalia taxas adicionais de 12,5% sobre produtos brasileiros sob justificativas trabalhistas.
O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, está próximo de definir a imposição de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a decisão será anunciada até o prazo legal de 15 de julho. A investigação, conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial americana, abrange temas sensíveis como a regulação do Pix, proteção de propriedade intelectual, combate ao desmatamento e tarifas preferenciais no setor de etanol. Além da taxa principal, o governo americano avalia a aplicação de encargos adicionais de 12,5% relacionados a questões trabalhistas.
Em resposta, o Itamaraty mobilizou uma frente de resistência que inclui 43 empresas e associações comerciais americanas. Estas organizações argumentam que a sobretaxa prejudicaria a própria economia dos EUA, uma vez que não existem substitutos domésticos imediatos para diversos insumos brasileiros. Segundo os críticos da medida, a taxação elevaria a inflação de alimentos, aumentaria os custos de produção para a indústria local e poderia forçar uma dependência maior de fornecedores chineses, contrariando a estratégia comercial da atual administração americana.
O governo brasileiro defende a legalidade de suas políticas internas e sustenta que a ameaça de tarifas possui viés político, visando interferir no cenário eleitoral brasileiro. O setor produtivo nacional reforça que os EUA possuem superávit no comércio agrícola com o Brasil, o que refuta a tese de desequilíbrio comercial. Enquanto as negociações entre Brasília e Washington permanecem com divergências consideráveis, o mercado observa com cautela o impacto dessas possíveis sanções, especialmente em um momento em que a participação dos EUA no comércio total do Brasil atingiu o menor nível histórico nos primeiros cinco meses de 2026.
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