Moraes suspende Lei da Dosimetria até julgamento final pelo STF
O ministro Alexandre de Moraes suspendeu a Lei 15.402/2026, que alterava critérios de penas, até que o STF decida sobre sua constitucionalidade.
Pontos principais
- O STF recebeu ações da ABI e da federação Psol-Rede contra a norma que altera critérios de progressão de regime.
- A lei, que beneficia condenados pelos atos de 8 de janeiro, teve vetos presidenciais derrubados pelo Congresso.
- Moraes determinou a suspensão cautelar da Lei 15.402/2026, citando a necessidade de preservar a segurança jurídica.
- O ministro solicitou que o presidente Lula e o Congresso prestem esclarecimentos sobre a legislação em até cinco dias.
- Após as respostas, AGU e PGR terão três dias cada para apresentar pareceres técnicos sobre o tema.
- A decisão impede temporariamente a redução de penas e a não soma de crimes contra a democracia praticados no mesmo contexto.
- O impacto da medida abrange processos em curso, incluindo o cálculo de penas que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro.
- A execução penal dos condenados pelos atos de 8 de janeiro deve prosseguir integralmente conforme as normas anteriores à lei.
- O deputado Pedro Uczai (PT-SC) classificou a decisão como uma vitória para a proteção do Estado Democrático de Direito.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a aplicação da Lei da Dosimetria (Lei 15.402/2026) até que o plenário da Corte julgue o mérito das ações que questionam sua constitucionalidade. Como relator das ADIs 7966 e 7967, o magistrado determinou que o presidente Lula e o Congresso Nacional prestem informações detalhadas sobre a norma no prazo de cinco dias. A decisão visa assegurar a segurança jurídica e evitar a aplicação imediata de dispositivos que, segundo as ações movidas pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e pela federação Psol-Rede, poderiam enfraquecer a tutela penal das instituições democráticas. A medida foi celebrada por parlamentares da base governista, como o deputado Pedro Uczai (PT-SC), que classificou o ato como um freio constitucional necessário.
A norma, promulgada pelo Congresso após a derrubada de vetos presidenciais, flexibilizava as regras de progressão de regime e o cálculo de penas para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, incluindo os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Com a suspensão cautelar, Moraes determinou que a execução penal dos condenados deve prosseguir integralmente conforme as medidas anteriores. Após o recebimento das informações solicitadas ao Executivo e ao Legislativo, a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) terão o prazo de três dias cada para se manifestar sobre o impacto da norma.
A legislação era vista como um possível benefício para diversos condenados, incluindo aliados e o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja condenação de 27 anos e três meses permanece sob o rito processual anterior à vigência da lei contestada. A decisão de Moraes impacta diretamente o cálculo de penas em processos que envolvem o ex-presidente, mantendo o status quo jurídico até que o STF defina se a alteração legislativa é constitucional. Entidades argumentam que a lei banaliza ataques à democracia e fere o princípio da individualização da pena, sendo a suspensão válida até que o plenário da Corte analise o mérito das ações, garantindo que a aplicação da norma não gere efeitos irreversíveis.
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