O presidente Donald Trump estendeu o cessar-fogo com o Irã para dar continuidade à diplomacia, enquanto os EUA impõem novas sanções e o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz permanece quase paralisado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a extensão do cessar-fogo com o Irã, sem prazo definido, buscando uma solução diplomática e citando um governo iraniano "fraturado". A decisão, tomada na terça-feira horas antes do fim do prazo anterior, visa evitar uma possível retomada da guerra e uma escalada regional, apesar de Trump ter declarado anteriormente que não queria prolongar o cessar-fogo. Ele afirmou no Truth Social que a medida foi a pedido de mediadores paquistaneses e que o cessar-fogo durará até que uma proposta unificada do Irã seja submetida e as discussões concluídas. A decisão é parcialmente atribuída à espera de uma resposta do líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei a uma proposta de paz, em meio a divisões internas no Irã, com civis a favor das negociações e militares contra, especialmente devido ao bloqueio naval. As negociações de paz entre as partes, no entanto, foram suspensas, e uma viagem de Vance a Islamabad, provavelmente relacionada às negociações, foi adiada, representando um novo obstáculo para o governo Trump em sua busca por um acordo que restrinja o programa nuclear do Irã, após a falta de resposta iraniana aos termos dos EUA.
No entanto, um negociador iraniano, assessor de Mohammad Baqer Qalibaf, descreveu a extensão do cessar-fogo como uma "manobra para ganhar tempo" para um ataque surpresa, alertando que a continuidade do bloqueio aos portos iranianos é equivalente a um bombardeio e exige resposta militar. Trump, por sua vez, ordenou que as Forças Armadas dos EUA mantenham o bloqueio e permaneçam prontas, reforçando a tensão na região. O presidente americano reiterou sua crença de que o governo iraniano está "seriamente fragmentado" e que a suspensão daria tempo para uma proposta unificada.
Em meio a essas tensões diplomáticas, os Estados Unidos impuseram novas sanções relacionadas ao Irã, visando indivíduos e empresas ligadas a atividades de comércio e viagens aéreas. A informação foi divulgada nesta terça-feira (21) pelo site do Departamento do Tesouro dos EUA. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que o bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos constitui um "ato de guerra" e uma violação do cessar-fogo. A afirmação, feita em uma postagem na plataforma X, ressaltou a capacidade do Irã de resistir à intimidação e defender seus interesses. Em resposta, a agência iraniana Tasnim News Agency afirmou que o bloqueio naval equivale à continuidade da guerra, declarando que o Irã não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto o bloqueio persistir e ameaçando rompê-lo pela força, se necessário.
O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota crucial para cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito, permanece quase paralisado. Apenas três navios — Ean Spir, Lian Star e Meda, sem bandeira ou proprietário conhecidos — conseguiram atravessar nas últimas 24 horas, em contraste com os cerca de 140 navios que passavam diariamente antes do conflito entre EUA, Israel e Irã. Um breve período de abertura do estreito na sexta-feira foi seguido por um novo fechamento e disparos contra embarcações no sábado, evidenciando a instabilidade na região. O Departamento de Defesa dos EUA anunciou a interceptação e inspeção de um navio sancionado, identificado como iraniano, na área de responsabilidade do INDOPACOM, reafirmando a política americana de desarticular redes ilícitas.
Adicionalmente, militares dos EUA pararam e abordaram o petroleiro M/T Tifani, que transportava petróleo iraniano. Esta ação, confirmada pelo Pentágono, faz parte dos esforços contínuos dos EUA para pressionar a economia do Irã, que é altamente dependente do petróleo. Este incidente ocorre dias após a Marinha dos EUA ter abordado um navio de carga iraniano perto do Estreito de Ormuz. Apesar do bloqueio, a empresa Lloyd's List Intelligence reportou que ao menos 26 navios da "frota fantasma iraniana" burlaram as sanções americanas desde sua instauração. Mais recentemente, dezenas de navios, incluindo vários carregados com petróleo iraniano, foram identificados saindo do Golfo, sugerindo que o Irã está conseguindo contornar as sanções e o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, desafiando as restrições e evidenciando a complexidade das relações diplomáticas e a persistência das tensões na região.
NYTimes World • 21 abr, 18:04
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