Donald Trump reabre permanentemente o Estreito de Ormuz, revertendo bloqueio a navios iranianos, enquanto mediadores avançam em negociações de paz e extensão de cessar-fogo, com o Hezbollah propondo trégua a Israel.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a reabertura permanente do Estreito de Ormuz, revertendo um bloqueio naval imposto a navios iranianos que durou dois dias. A decisão foi comunicada por Trump no Truth Social, onde ele mencionou a China como um dos beneficiários da medida. Trump afirmou que a China está contente com a abertura permanente do Estreito de Ormuz, garantindo que a situação não se repetirá e que o país asiático se comprometeu a não enviar armas para o Irã. O bloqueio anterior, implementado pelo governo Trump, visava pressionar o Irã economicamente, cortando uma importante fonte de receita do país, já que o petróleo representa 10% a 15% do seu Produto Interno Bruto (PIB).
Durante o período de restrição, mais de uma dúzia de navios de guerra da Marinha dos EUA estavam aplicando o bloqueio, afetando todas as embarcações que entravam ou saíam de áreas costeiras ou portos iranianos. Navios com ligação ao Irã foram forçados a diminuir a velocidade ou parar devido à ação no Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial. O Comando Central dos EUA informou que nove embarcações foram forçadas a retornar a portos iranianos. As forças dos EUA declararam ter interrompido o fluxo marítimo de entrada e saída dos portos iranianos, com base na superioridade operacional dos EUA no Oriente Médio. Autoridades norte-americanas estimam que 90% da economia iraniana depende do comércio marítimo. No entanto, a eficácia total do bloqueio não foi confirmada independentemente. Um petroleiro iraniano, um superpetroleiro, cruzou o Estreito de Ormuz sem interferência e entrou em águas iranianas, segundo a Fars News, levantando dúvidas sobre a efetividade completa da medida. O Irã, por sua vez, havia ameaçado retaliação e expandir sua influência sobre rotas marítimas, inclusive no Mar Vermelho, caso o bloqueio persistisse.
A estratégia de Trump de bloquear o estreito representou uma mudança de posição, já que ele vinha atuando para reabrir a passagem desde o início da guerra no Oriente Médio. Apesar do bloqueio ter sido determinado para pressionar Teerã, o Irã declarou que embarcações iranianas conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz, rompendo o bloqueio naval. O Comando Central dos EUA, no entanto, negou que qualquer navio tenha ultrapassado o bloqueio desde seu início. O Irã também acumulou uma reserva de petróleo fora do Golfo Pérsico, indicando capacidade de resistir ao bloqueio, e considerava uma pausa nos embarques pelo estreito para facilitar as negociações. Diante do bloqueio, o Irã estuda usar portos no sul do país para manter o fluxo de comércio.
Em meio às tensões e relatos conflitantes sobre a efetividade do bloqueio, o 46º dia do conflito no Oriente Médio foi marcado por sinais de avanço nas negociações de paz entre Irã, EUA e Israel. Mediadores, com a participação do Paquistão, progrediram nas negociações para estender o cessar-fogo atual, que expira em 22 de abril, e retomar as discussões para o fim do conflito. O porta-voz iraniano Esmaeil Baghaei confirmou a continuidade da troca de mensagens com os EUA via Paquistão para manter canais diplomáticos abertos. Autoridades regionais indicam um "acordo preliminar" entre EUA e Irã para a extensão da trégua, embora Washington ainda não tenha aceito formalmente. Contudo, o presidente Donald Trump afirmou à ABC News que não considera necessária a prorrogação do cessar-fogo, criando um descompasso diplomático.
Mediadores continuam trabalhando para resolver pontos críticos como o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz e compensações de guerra. O Irã exige um cessar-fogo no Líbano como condição para negociar, e autoridades libanesas de alto escalão confirmaram à Reuters que há esforços em andamento para um cessar-fogo no Líbano. A duração dessa trégua no Líbano provavelmente estará atrelada à duração de uma trégua entre Estados Unidos e Irã. Os EUA, inclusive, estão pressionando Israel para trabalhar em prol de um cessar-fogo no Líbano, inclusive em conversas recentes em Washington, mesmo após Israel ter bombardeado o sul do Líbano, incluindo a cidade de Tiro. Em um desenvolvimento recente, Israel está avaliando a possibilidade de um cessar-fogo com o Líbano, após raras negociações diretas entre os dois países em Washington na terça-feira, visando pausar o conflito com o Hezbollah, apoiado pelo Irã. A TV Al-Mayadeen, ligada ao grupo fundamentalista xiita libanês, anunciou que o Hezbollah propôs uma trégua de uma semana a Israel, com início previsto para a 0h desta quinta-feira (16). A proposta será analisada pelo gabinete de Binyamin Netanyahu.
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