O Irã negou intenção de negociar com os EUA, acusando Trump de mentir, enquanto o petróleo mantém-se acima de US$ 100 com tensões no Estreito de Ormuz e ataques iranianos.
O preço do barril de petróleo superou a marca de US$ 100 nesta quarta-feira (22), impulsionado pela notícia da apreensão de dois navios porta-contêineres pela Guarda Revolucionária do Irã no Estreito de Ormuz, além de relatos de barcos armados iranianos abrindo fogo contra embarcações na mesma região. A alta, que levou o Brent a US$ 100,91 e o WTI a US$ 91,81, ocorre em um contexto de tensões geopolíticas, apesar da prorrogação do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. A situação no Estreito de Ormuz é descrita como "combustível", com um impasse de bloqueio entre os dois países. A agência de notícias iraniana Tasnim, por sua vez, negou qualquer intenção de negociar com os EUA no Paquistão, acusando o presidente Donald Trump de mentir sobre a possibilidade de diálogo após conversas frustradas em Islamabad.
A apreensão de navios, incluindo a declaração iraniana de ter apreendido três embarcações no Estreito de Ormuz, e os ataques de barcos iranianos intensificam os perigos e reafirmam a autoridade de Teerã na região marítima contestada. Essa escalada de tensão ocorre horas após o presidente dos EUA, Donald Trump, estender o cessar-fogo, citando uma situação política "seriamente fraturada" em Teerã e condicionando o fim das hostilidades a uma proposta unificada dos líderes iranianos. No mesmo dia do anúncio de Trump, o Irã realizou um desfile militar em Teerã, exibindo mísseis balísticos avançados do modelo Khorramshahr-4, com alcance de 2.000 km. Durante o cessar-fogo, os EUA manterão o bloqueio aos portos iranianos.
Em resposta à extensão do cessar-fogo, o Irã divulgou um vídeo de inteligência artificial, via agência estatal Fars, satirizando Donald Trump. Em resposta formal, Teerã afirmou que o bloqueio naval ao Estreito de Ormuz equivale à continuidade da guerra e só negociará com o fim do bloqueio. O principal negociador do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, reforçou essa posição em uma publicação na rede social X nesta quarta-feira (22), declarando que um cessar-fogo completo só será válido se o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos for suspenso, e que a reabertura do Estreito de Ormuz seria impossível sob um cenário de violação. A agência Tasnim também destacou a importância estratégica do Estreito de Ormuz, classificando-o como uma "artéria vital" para os cabos de internet do Golfo Pérsico, por onde passa mais de 97% do tráfego mundial de internet. A demonstração de força iraniana, somada ao ceticismo inicial de Teerã sobre as negociações propostas por Trump, adiciona complexidade ao cenário que afeta os preços do petróleo e eleva os riscos na área.
O "cessar-fogo sujo" de Trump, uma pausa nas hostilidades com o Irã, está sendo testado por esses ataques iranianos à navegação, indicando que as hostilidades não cessaram completamente e que a estratégia de evitar uma guerra total não resolve a tensão subjacente. A crise energética global permanece sem alívio, apesar da pausa nos conflitos mais amplos, demonstrando a complexidade de gerenciar conflitos sem uma resolução formal.
Diante da instabilidade persistente na região, o Paquistão está ativamente buscando negociações para mediar a situação e aliviar as tensões entre os Estados Unidos e o Irã, em um esforço diplomático para evitar uma escalada maior. Apesar da apreensão dos navios de carga pelo Irã, dos ataques de barcos armados e da estagnação das negociações, autoridades paquistanesas expressam otimismo quanto à continuidade das conversações entre EUA e Irã, planejadas para ocorrer na capital do Paquistão, Islamabad, e buscam manter vivas as esperanças de um acordo diplomático.
NPR World • 22 abr, 07:53
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