O Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz e declara que um acordo com os Estados Unidos está distante, às vésperas do fim do cessar-fogo, enquanto enviados americanos negociam no Paquistão sob ameaças de Trump.
O Irã mantém o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo mundial, e atirou em dois petroleiros indianos, intensificando as tensões na região. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) anunciou o fechamento a partir de 18 de abril, declarando que nenhuma embarcação deve se mover no Golfo Pérsico e no Mar de Omã, e que aproximar-se do Estreito será considerado cooperação com o "inimigo". Teerã desconsiderou as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a rota, afirmando que suas palavras "não têm valor". O transporte marítimo no Estreito de Ormuz permanece paralisado, com o Irã reafirmando seu controle sobre a via, essencial para o abastecimento global de energia.
O Irã atribui o fechamento do Estreito de Ormuz a um bloqueio imposto pelos EUA, alegando que tal medida viola o cessar-fogo previamente estabelecido entre os dois países e que os EUA apresentaram novas posições "maximalistas". A IRGC afirma que as condições do cessar-fogo foram violadas, pois o "inimigo americano" não suspendeu o bloqueio naval a embarcações e portos iranianos. Após uma breve reabertura, o Irã declarou o Estreito de Ormuz novamente fechado, reiterando que a restrição à passagem de navios será mantida enquanto o bloqueio americano persistir. Em resposta, os militares dos EUA preparam-se para abordar petroleiros iranianos e apreender navios comerciais em águas internacionais, conforme noticiado pelo Wall Street Journal. Esta ação representa uma expansão da repressão naval para além do Oriente Médio, com autoridades confirmando os preparativos para as abordagens nos próximos dias. Navios foram atacados na região, levando a Índia a manifestar preocupação, e centenas de embarcações permanecem retidas.
Diante da escalada, enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, viajaram a Islamabad para negociações de última hora com o Irã, antes do fim do cessar-fogo na quarta-feira (22). Trump convocou uma reunião de emergência na Sala de Situação e expressou desejo de um acordo antes de considerar outras opções. O presidente dos EUA acusou o Irã de "violação total" do cessar-fogo após os incidentes no Estreito de Ormuz e publicou no Truth Social ameaçando retaliação militar severa caso um acordo não seja alcançado. Ele alertou que, se as negociações falharem, os EUA "destruirão todas as usinas de energia e todas as pontes" no Irã. A situação pode levar Trump a reverter suas declarações anteriores de paz e escalar o conflito se as negociações em Islamabad não tiverem sucesso.
A Arábia Saudita está pressionando os Estados Unidos para suspender o bloqueio naval no Estreito de Ormuz. Exportadores de energia do Golfo temem que o Irã possa escalar ainda mais a situação, fechando o Bab al-Mandeb, uma rota crucial para o petróleo do Golfo Pérsico, o que causaria um gargalo significativo no fornecimento global. Esta escalada tem gerado impactos globais, especialmente no setor de aviação. A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, juntamente com o bloqueio no Estreito de Ormuz, está reduzindo o fornecimento global de petróleo e causando escassez de combustível de aviação. O chefe da Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que países europeus podem ficar sem combustível de aviação em semanas, forçando cortes de voos. O preço do querosene de aviação saltou de US$ 99 para US$ 209 por barril em pouco mais de um mês, levando companhias aéreas a reduzir rotas ou aumentar preços.
Apesar do otimismo de Trump sobre um acordo com o Irã, ele também ameaçou retomar ataques se o cessar-fogo expirar. Negociações entre EUA e Irã avançaram, com Trump e o negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf confirmando progresso, mas reconhecendo divergências decisivas, especialmente sobre o programa nuclear iraniano e o Estreito de Ormuz. O Irã rejeitou a ideia de transferir seu urânio enriquecido e indica que um acordo com os EUA está longe de ser alcançado. A crise em Ormuz e a escalada no Líbano, onde Israel atacou alvos alegando atingir sabotadores e uma célula terrorista, minam a esperança de um acordo abrangente. A busca por uma solução diplomática é crucial para os EUA, pois o impasse no Oriente Médio eleva os preços dos combustíveis e pressiona a inflação, afetando a política interna de Trump.
Folha de São Paulo - Mundo • 19 abr, 09:46
G1 Mundo • 19 abr, 09:28
Axios - Main • 19 abr, 09:51
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